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Prevê-se a presença de mais de 4.200 adeptos do Benfica com bilhete para o jogo desta quarta-feira, da segunda mão do play-off da Liga dos Campeões, sendo que os primeiros foram chegando ao Santiago Bernabéu ao longo da manhã, depois de viagens de avião ou de longas horas na estrada, em autocarros e carros.
Entre fotografias com o estádio como cenário, os benfiquistas que falaram com a Lusa são unânimes em dizer que contam viver hoje dentro do Santiago Bernabéu um "bom ambiente", apesar do caso Prestianni.
"A minha expectativa é que o Benfica passe e que haja bom ambiente, num estádio cheio, mesmo que haja muitos assobios aos jogadores do Benfica", por causa do caso de alegados insultos racistas do jogador argentindo do Benfica Gianluca Prestriani ao brasileiro Vinicius Júnior, do Real Madrid, no jogo da primeira mão, em Lisboa, na semana passada, disse Tiago, de 27 anos, que viajou desde o Porto durante a noite de autocarro.
Paulo Ribeiro, 52 anos, funcionário num talho e que viaja de Vila Nova de Gaia "para todo o lado" para ver o Benfica sempre que pode, espera ver esta quarta-feira no Bernabéu um ambiente "avassalador", embora talvez "um pouco mais pesado por causa da situação do Prestianni".
Sobre o resultado, acredita que qualquer cenário é possível esta noite, desde "uma goleada do Real Madrid e uma remontada do Benfica" a uma decisão nos penáltis, mas sempre com uma "exibição positiva" do clube português.

Quanto ao caso Prestianni, pensa que "não há fumo sem fogo" e admite que possa ter havido mesmo insultos racistas por parte do argentino após "as provocações" do brasileiro Vinicius Júnior.
"O que não entendo é que profissionais do futebol queiram estragar a vida uns aos outros", afirmou.
Paulo Ribeiro, que vai a jogos de futebol dezenas de vezes por época, diz que há muitos insultos, incluindo racistas, e que os jogadores, "que representam grandes clubes", apesar de saberem que são inaceitáveis, continuam a "reagir a quente".
Sobre a forma como o Benfica lidou com este caso, Paulo Ribeiro, da Casa do Benfica de Matosinhos, prefere não se pronunciar.
A UEFA suspendeu preventivamente Prestianni e o argentino não vai entrar em campo, numa medida que Alda Torres, de 57 anos, de Alhos Vedros, concelho da Moita, considera "desajustada", mas talvez "a melhor" para o Benfica, porque retira potencial de tensão e de "ânimos inflamados" por parte dos adeptos do Real Madrid.
"Se aconteceu (o insulto racista) tem de ser punido. Racistas, nunca. Há duas versões e nós acreditamos na da verdade, que tem de ser investigada. Mas o Real Madrid está a agarrar-se a isto, a dar ênfase ao caso, a querer fazer disto um caso exemplar", disse Alda Torres, em declarações apoiadas e corroboradas pelo marido, João Torres, de 63 anos.
Para o casal, que foi a Madrid ver o Benfica "num lugar icónico" como o Santiago Bernabéu, e num "momento em que o Benfica precisa mesmo do apoio dos adeptos", foi "a fase da competição" e a vitória só por um golo do Real Madrid em Lisboa que determinaram que o caso Prestianni e Vinicius dominem as atenções, o que lamentam.
Ainda assim, admitem que há "muitos insultos" e que "se ultrapassam algumas linhas" nos estádios, embora tenha sido a primeira vez que viram uma situação que pode ter sido de racismo entre dois jogadores envolvendo a equipa do Benfica.
Para além de todas as polémicas, também Alda e João viajaram até Madrid acreditando que hoje o Benfica "vai surpreender".
"Vamos fazer uma grande exibição e vamos ganhar", garante Alda.
Já Paulo Andrade, 52 anos, que viajou de Inglaterra - porque se desloca para ver todos os jogos do Benfica -, espera "um bom espetáculo de futebol" no Bernabéu e que os adeptos das duas equipas "se respeitem".
"Uma das equipas sairá mais triste do que a outra. Mas espero que os adeptos se respeitem uns aos outros", afirmou, depois de dizer que é "contra o racismo" e que é preciso atuar contra tantos insultos nos estádios, racistas e outros, sobretudo os dirigidos a árbitros: "Os insultos são uma constante e ninguém diz nada".
