Liga dos Campeões: Inter sem desculpas numa noite decisiva em San Siro

Cristian Chivu apela à calma
Cristian Chivu apela à calmaREUTERS/Matteo Ciambelli

Chivu defende os seus após as polémicas e pede equilíbrio, Knutsen avisa (nada de barricadas) e lança uma provocação ao colega: "O City não usou a desculpa do relvado sintético". Em jogo não estão apenas os oitavos de final da Champions para os nerazzurri, mas também a imagem do campeonato italiano na Europa e no mundo.

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Não se trata de vergonha. No futebol moderno já não existem "sacos de pancada" e reduzir tudo a uma má figura seria demasiado simplista. Quando um jornalista norueguês perguntou a Cristian Chivu se uma eliminação frente a uma equipa de uma cidade com 50 mil habitantes seria "vergonhosa" para um clube como o Inter, o treinador dos nerazzurri perdeu a paciência, defendendo com veemência o valor dos adversários e exigindo respeito.

Apesar disso, o peso da partida desta noite em San Siro é evidente, tal como é indiscutível que toda a pressão recai sobre Sommer e os seus companheiros: o Bodø não tem nada a perder e tudo – absolutamente tudo – a ganhar. O Inter é vice-campeão europeu em título e começou esta Champions com quatro vitórias em quatro jogos, mas depois abrandou quando os adversários se tornaram mais exigentes.

Esta tendência de brilhar frente a equipas menos apetrechadas e mostrar fragilidade nos confrontos de alto nível acompanha o Inter há demasiado tempo. O colapso na segunda metade do grupo único obrigou os nerazzurri a disputar os play-offs, enquanto no campeonato aceleraram e deixaram os rivais para trás.

O relvado da discórdia

É também por isso que, quando saiu o Bodø/Glimt e não o Benfica no sorteio de Nyon, muitos pensaram que era um emparelhamento favorável. No entanto, não tinham acompanhado as últimas prestações internacionais dos noruegueses, que já tinham provado não ser meros figurantes, ao derrotar primeiro o Manchester City e depois o Atlético Madrid, conquistando uma qualificação histórica. Estas duas façanhas foram tema nas conferências de imprensa da véspera.

Chivu recordou claramente que os noruegueses, "ao contrário do Inter", venceram no Metropolitano. E, a propósito do relvado sintético de Bodø, sublinhou que "o contexto na primeira mão era muito estranho por causa do campo. Era estranho em tudo, apoios, travagens, mudanças de direção, gestão dos receios para não se lesionar. "Para nós é fundamental que os jogadores voltem ao relvado…".

Declarações que não agradaram a Kjetil Knutsen, treinador dos noruegueses, que com uma provocação lembrou que "o City nunca mencionou o relvado" para justificar a derrota.

Vale até nos penáltis

Para lá das polémicas, há um facto: a líder da Serie A não pode permitir-se sair da principal competição europeia antes sequer dos oitavos de final, independentemente de enfrentar uma equipa norueguesa ou uma com mais tradição do que o Bodø. Para o Inter o objetivo é único, como reiterou Chivu: passar a eliminatória "nos 90 minutos, nos 120 ou nos penáltis". Uma eliminação, fique claro, pesaria não só no percurso dos nerazzurri, mas em todo o sistema do futebol italiano.

"Se temos a obrigação de passar? Não, temos o dever, é diferente. Temos de entrar em campo confiantes. Se há uma equipa capaz de virar o resultado, é o Inter. Mas não será fácil, não podemos perder equilíbrio nem confiança. E, de resto, já sabíamos que não seria fácil na Noruega, pelo campo e pelo clima. Infelizmente, não estivemos à altura em alguns momentos e esperamos que não volte a acontecer", sublinhou Chivu.

Igualmente claro o plano do seu colega: "Não podemos só defender, não podemos pensar na primeira mão, temos de encarar como se começássemos do 0-0, não podemos ter um bloco demasiado baixo nem ser demasiado defensivos. Jogar em San Siro é um presente, mas temos de estar prontos para aproveitá-lo", afirmou um Knutsen cada vez mais confiante, que os adeptos do Inter nunca imaginaram que teriam realmente motivos para temer.