Separaram-se na noite festiva de 4 de junho de 2023, Luciano Spalletti e Victor Osimhen. Depois do 2-0 frente à Sampdoria, que abriu as celebrações do terceiro Scudetto do Nápoles, já confirmado há um mês, os dois acabaram separados pela decisão do treinador de abandonar Castelvolturno. O arquiteto e o goleador de um feito histórico nunca se entenderam totalmente, como ficou evidente em alguns desentendimentos nos treinos, devido ao temperamento forte de ambos.
No entanto, juntamente com Khvicha Kvaratskhelia, foram os grandes protagonistas da caminhada napolitana que pôs fim a um jejum de 33 anos. O destino, porém, colocou-os frente a frente na próxima ronda da Liga dos Campeões, nesse duplo play-off, em que a Juventus orientada pelo técnico toscano vai defrontar o Galatasaray, onde atua o avançado nigeriano.
Este reencontro vai, sem dúvida, criar expectativas sobre como os dois se cruzarão antes de dois duelos decisivos, daqueles que podem definir uma época. Spalletti deve muito a Osimhen e o inverso também é verdade. O treinador moldou o avançado, cujas limitações técnicas e táticas eram evidentes antes da sua chegada a Nápoles no verão de 2021. Já o nigeriano permitiu ao técnico jogar menos em apoio e mais em profundidade, algo pouco habitual para ele até então, mas extremamente eficaz.
Desconforto
Os 26 golos (em 32 jogos) que consagraram Osimhen como melhor marcador do campeonato 2022/23, somados aos cinco em seis partidas da Champions, foram também fruto de uma discussão num treino do estágio de verão de 2022. A partir desse momento, o nigeriano percebeu o que o treinador pretendia, tornando-se a sua principal referência ofensiva.
"É sem dúvida um adversário incómodo", afirmou Spalletti quando questionado sobre um possível confronto entre Juve e Gala. Não se alongou mais, deixando perceber que talvez ainda exista uma barreira bem marcada entre ambos. O grande antídoto será certamente Bremer, cujo regresso trouxe nova energia à Juventus, não só ao setor defensivo.
De um lado está o orgulho de um treinador que fez da astúcia o seu modo de vida, tal como fez do futebol atrativo a sua filosofia. Do outro, a teimosia de um avançado imprevisível que, muito provavelmente, está a viver os seus últimos meses em Istambul. Por isso, quererá deixar a sua marca antes de partir para outros destinos, com a Premier League no horizonte.
Pesadelo neerlandês
Mas a Juve terá pela frente também outros "italianos". O principal é sem dúvida Mauro Icardi, que com Spalletti no Inter marcou 47 golos em duas épocas, mas que, paradoxalmente, está tapado no papel de ponta-de-lança precisamente por Osimhen. Na defesa atua Wilfried Singo, enquanto no meio-campo dos turcos jogam Lucas Torreira e Mario Lemina, este último com uma passagem sem brilho precisamente pela formação de Turim. Por fim, há ainda Noa Lang, recém-chegado do Nápoles, tal como Osimhen.
E o neerlandês, que no ano passado pelo PSV Eindhoven desfez a Juve no playoff da segunda mão com uma assistência e dribles fulminantes, pode ser um dos grandes pesadelos para a defesa bianconera. Para além disso, carrega a mesma bandeira daquele Wesley Sneijder que, em dezembro de 2013, sob a neve do Bósforo, eliminou precisamente a Vecchia Signora com um dos seus golos.
