A fase de grupos única do novo formato da Liga dos Campeões termina deixando uma sensação clara: o novo modelo continua a resultar, pois pelo segundo ano consecutivo premiou a regularidade, conseguindo valorizar a imprevisibilidade. Antes de abordar surpresas e desilusões, há algumas menções especiais que não podem ser ignoradas. Acima de todas, o Arsenal. Oito jogos, oito vitórias, 23 golos marcados e apenas quatro sofridos: melhor ataque e melhor defesa da competição. Um domínio total, tanto técnico como mental, que comprova a maturidade do projeto de Mikel Arteta.
Depois, os milagres. O do Qarabag, que conseguiu qualificar-se para os play-offs apesar do pesado 6-0 sofrido na quarta-feira em Anfield Road, e o do Benfica, que garantiu a passagem à última hora graças ao golo de cabeça do distraído Trubin que, até ao momento anterior, nem sequer se tinha apercebido de que a sua equipa precisava de mais um golo.
De destacar também a qualificação do Olympiakos e o feito do Club Brugge, que com o 3-0 imposto ao Olympique Marselha afastou dos primeiros 24 Roberto De Zerbi, cada vez mais em dificuldades e já debaixo de fogo da imprensa e dos adeptos. Igualmente dececionante foi a derrota do Atlético Madrid.
Há ainda um dado a destacar: nenhuma equipa italiana entre as oito primeiras, enquanto há cinco inglesas em seis possíveis, além do Bayern Munique, Barcelona e Sporting. O retrato de um domínio, o da Premier, que já não pode ser posto em causa. Tal como é certo que o novo formato da Liga dos Campeões premiou quem deu tudo em campo e reprovou quem pensou que o nome bastava. E talvez, mais do que tudo, esta seja mesmo a mensagem mais clara da competição.
As surpresas:
Tottenham - 4.º
Ao olhar para a classificação, a primeira surpresa é, sem dúvida, o Tottenham. Quarto lugar com 17 pontos em oito jogos, apuramento direto para os oitavos garantido com autoridade. Um resultado impressionante se comparado com o percurso desastroso no campeonato, em que os Spurs ocupam a décima quarta posição. Uma dicotomia evidente: o mesmo Thomas Frank que ontem festejou na Europa, há poucos dias foi obrigado a ouvir cânticos nostálgicos dos seus adeptos pelo antigo treinador após o 2-2 em Burnley. Na Champions, porém, o Tottenham soube ser equipa.
Sporting - 7.º
A segunda grande surpresa tem o nome de Sporting Clube de Portugal. Ninguém o imaginava entre os oito primeiros, mas os leões mereceram cada ponto conquistado. Decisivo foi o golo marcado em San Mamés aos 94 minutos por Alisson Santos, que fez a sua equipa voar e afastou o Real Madrid da elite. E a verdade é que os leões tiveram um percurso tudo menos fácil: PSG (derrotado em casa há uma semana), Nápoles, Juventus e Bayern Munique pelo caminho. Um calendário duríssimo, enfrentado com personalidade e coragem.
Bodø/Glimt - 23.º
E o que dizer do Bodø/Glimt?! 23.º lugar e play-offs garantidos nas duas últimas jornadas, quando o calendário parecia uma sentença: Manchester City em casa e Atlético Madrid fora. Pois bem, chegaram duas vitórias, dois feitos e um sonho tornado realidade. Após seis jornadas, ninguém apostaria nisso, nem o mais otimista dos adeptos noruegueses. E, no entanto, o Bodø escreveu uma das histórias mais bonitas do torneio, ao contrário de outro estreante como o Pafos, que ficou de fora por muito pouco.
As desilusões:
Real Madrid - 9.º
A maior desilusão ficou para os adeptos do Real Madrid. Janeiro termina ainda pior do que começou: derrota na Supertaça frente ao Barça, despedimento de Xabi Alonso, humilhação na Taça do Rei em Albacete e, agora, a exclusão do top 8 da principal competição europeia, apesar de em Lisboa bastar um empate. As vitórias recentes com Arbeloa criaram ilusões, mas os problemas são mais profundos e não se resolvem facilmente. A verdadeira questão em Madrid não é se Arbeloa está à altura, mas sim se o problema era mesmo o treinador anterior ou uma evidente falta de planeamento do plantel.
Paris Saint-Germain - 11.º
Logo a seguir surge o Paris Saint-Germain. 11.º lugar, fora do top 8 apesar de partir como favorito. No ano passado, a caminhada triunfal desde os play-offs foi uma epopeia, mas nessa altura o projeto estava em construção. Este ano não, e era legítimo esperar mais dos campeões europeus em título. No entanto, nas últimas três partidas somaram apenas dois pontos: empate em Bilbau e outro em casa frente ao Newcastle, depois da derrota com o Sporting. Bastava vencer. Não o fizeram. Por isso, o balanço só pode ser negativo.
Nápoles - 30.º
Por fim, talvez a desilusão mais amarga e evidente: o Nápoles. Eliminado, mas nunca verdadeiramente dentro da competição. Duas vitórias, dois empates e quatro derrotas resumem a equipa campeã de Itália, que disputou a Liga dos Campeões quase de passagem, com o foco noutro lado. A derrota de quarta-feira no Maradona frente ao Chelsea foi uma metáfora perfeita: empenho, sim, mas convicção só até certo ponto. Antonio Conte – que tem a seu favor as muitas lesões – afirmou que a sua equipa teria merecido os play-offs, mas os números dizem o contrário: oito pontos, nove golos marcados, 15 sofridos. Uma qualificação que, simplesmente, não foi conquistada.

