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Esse momento marcou o fim da fase regular da competição e mostrou como um único lance pode redefinir a temporada de várias equipas. O Marselha, por exemplo, era então treinado por Roberto De Zerbi, que entretanto deixou o cargo, mas também Benfica e Real Madrid viveram alterações importantes nas semanas seguintes.
As duas equipas reencontram-se agora no Estádio da Luz, na primeira mão do play-off da Liga dos Campeões, num contexto competitivo distinto daquele vivido no final de janeiro.
Campeonato relançado
Comecemos pelo Benfica. Antes de receber o Real Madrid, a equipa encarnada vivia numa espécie de limbo entre chegar ao segundo lugar e manter uma ténue esperança de reentrar na luta pelo título, enquanto o apuramento europeu parecia um cenário distante.
Aquela vitória épica diante dos merengues serviu como um balão de oxigénio para o conjunto de José Mourinho, mas esse efeito esteve perto de desaparecer quando o Benfica não foi além de um empate (0-0) em casa do Tondela, que podia deixar os encarnados a 12 pontos do primeiro lugar.

Curiosamente, foi aí que as águias começaram a recuperar terreno para o FC Porto. Os dragões perderam pela primeira vez no campeonato e voltaram a ceder pontos depois do empate (1-1) com o Sporting, numa ronda em que o Benfica bateu (2-1) o Alverca graças a um golo de Anísio perto do fim.
Depois de ter estado perto de se afastar em definitivo da luta pelo título, os encarnados reduziram distâncias para os rivais diretos e voltaram a olhar para o topo da tabela, numa fase em que têm ainda uma receção ao FC Porto no horizonte.

Plantel renovado
O jogo com o Real Madrid trouxe também mudanças no próprio plantel.
Andreas Schjelderup parecia de malas feitas para rumar à Bélgica e reforçar o Club Brugge, mas a exibição superlativa diante dos merengues, em que foi o melhor em campo, valeu-lhe a continuidade da estadia no Estádio da Luz. Desde esse jogo, o internacional norueguês foi titular em todas as partidas.
O guarda-redes Trubin foi herói ao apontar o golo que apurou os encarnados, mas, claro, Pavlidis mantém a titularidade na frente de ataque. Atrás do avançado grego joga agora Rafa, que não podia ser inscrito na altura do último encontro e deve ser titular na terça-feira.
Sidny Lopes Cabral surge como outra das novidades e pode estrear-se na Liga dos Campeões, pouco mais de um ano depois de competir no terceiro escalão alemão.
Além disso, Richard Ríos, Lukebakio e Bah recuperaram de lesões que os afastaram do último duelo europeu e reforçaram as opções de Mourinho, que assume ter agora um grupo mais completo.
"Tenho agora um plantel equilibrado, com opções, com jovens a aparecer e a ganhar minutos (...) agora podemos ser mais imprevisíveis e mais compactos. Agora temos opções. (Os lesionados) estão todos disponíveis. Não sei se foi efeito de defrontar o Real Madrid, mas recuperaram todos", disse na antevisão ao encontro.
Arbeloa resiste e vai à luta
Do lado espanhol, Arbeloa resistiu à eliminação da Taça do Rei e manteve o Real Madrid competitivo na LaLiga, somando três vitórias consecutivas.
Apesar dos problemas físicos de jogadores influentes como Mbappé e Jude Bellingham, o treinador apostou no jovem Gonzalo García, reforçou o protagonismo de Vini Jr. e viu Alexander-Arnold regressar em bom plano, com uma assistência na goleada (4-1) frente à Real Sociedad.
Ao contrário do Benfica, o Real Madrid não vai apresentar-se com reforços no Estádio da Luz, uma vez que o mercado de janeiro foi tranquilo nesse aspeto, contrastando com o que se passou no banco de suplentes durante esse período.
Apesar do bom momento dos espanhóis, a segunda mão no Santiago Bernabéu poderá condicionar a abordagem de Arbeloa na Luz, um estádio onde o Benfica venceu sempre o Real Madrid. Neste mata-mata a duas mãos, perspetiva-se que, ao contrário do que aconteceu nos últimos 20 dias, não existam grandes mudanças esta terça-feira e tudo seja decidido na capital espanhola.

