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Sporting nunca venceu em Espanha. É uma motivação? "É algo que me ultrapassa, também acho que nunca joguei contra uma equipa espanhola. Há sempre uma primeira vez para tudo. Passa-me muito ao lado. Estamos focados no que podemos fazer amanhã e há vontade de fazer algo que ficará marcado na história do clube que é ficar nos oito primeiros. Mas mesmo ganhando podemos não conseguir. Independentemente disso, temos de ser iguais a nós próprios. Vamos defrontar uma grande equipa, num estádio muito próprio e com uma identidade muito própria dado a sua região. Sabemos das dificuldades, mas vamos, como nos outros jogos, com ambição e tentar fazer o nosso melhor. E no fim veremos qual é a consequência. Se for ficar nos oito primeiros é muito bom, se não for é bom na mesma. Nada apagará o nosso trajeto fantástico."
Regresso de Nuno Santos: "Tem um impacto grande. Já falei várias vezes do impacto que ele tem no grupo. É experiente e muito importante para o grupo, enquanto atleta, colega. Vai-me chatear muito a cabeça, mas faz parte. É a personalidade dele. Por tudo o que ganhou, é importantíssimo para o grupo. É notório o que representa à volta dele e o que aguentou nos últimos 15 meses. Um guerreiro autêntico, há poucos, muito poucos como ele. Sou um treinador feliz. Quando cheguei não pude contar com ele, agora posso. Acrescenta qualidade, tudo à equipa. Enquanto caráter, qualidade e exemplo, conta muito para os últimos meses de época."
Estratégia para defrontar o Athletic Bilbao: "Vai ser um Sporting igual a si próprio. Em alguns momentos de jogo pressionante, e quando não o formos é porque do outro lado há qualidade para nos empurrar para trás e também podemos ficar num bloco baixo. Faz parte da qualidade do adversário. Não fugimos da nossa identidade e ideia de jogo. Mas dentro da ideia, vamos alternando comportamentos, nada de extraordinário, sempre com a intenção de nos superiorizarmos à equipa que vamos defrontar. Temos grande respeito pelo Athletic. É uma grande equipa, das mais tituladas em Espanha, apesar do campeonato não estar a correr como o costume. Tem individualidades muito boas que podem resolver o jogo a qualquer momento."

Aborrecido se não ficar nos 8 primeiros? "Quando não se ganha, ficamos sempre aborrecidos, mas muito orgulhoso por todo aquele que tem sido o trajeto da equipa ao longo deste tempo e perante todas a grandes equipas que tivemos de defrontar até agora. O aborrecido tem a ver com a ambição de querermos ser sempre melhores e estarmos à procura de sermos melhores e mais fortes. Em termos de calendário era ótimo, no sentido de ter a equipa mais pronta e capaz, a poder controlar cansaço. Era fantástico. Não jogaremos o jogo a pensar nisso, mas sim em ganhar e criar história naquilo que tem sido o trajeto e o clube."
Família Sporting tem o sonho de jogar longe na Champions? "O sonho, primeiro, é ganhar amanhã e ver a consequência disso. Não vou mudar o meu discurso. Olho sempre para o próximo jogo e os sonhos vão-se concretizando, mas derivam do que formos capazes de fazer ao longo do nosso caminho. O caminho amanhã é defrontar o Athletic, uma grande equipa e num ambiente difícil. Se conseguirmos ultrapassar esta grande equipa, veremos a consequência disso. Ficar nos oito primeiros será extraordinário, se não ficarmos será extraordinário na mesma. Nunca baixámos o nosso nível individual e coletivo."
Diomande, Debast e Quaresma: "Quanto ao Ousmane (Diomande), temos que andar à procura dos melhores índices, faz parte. O Edu (Quaresma) também. Quero frisar o querer treinar e estar disponível. Deixou-me feliz. Nada preocupado com o problema que teve e super motivado. A vontade dele jogar é tanta, independentemente da adaptação à máscara. Com jogo ou sem jogo, ele vai adaptar-se. Estou feliz por vê-lo super motivado. O Debast achámos melhor ter uma gestão física. Não há mais ninguém, pois não? Eram tantos..."
Em que jogo houve a afirmação do Sporting? "O primeiro jogo, com o Kairat em casa, em que ganhámos. A humildade de perceber quem defrontámos. Sabem a competição que disputamos, a qualidade que existe. A ambição deles, não só na Champions como em todas as provas, eles sabem que representam um grande clube e dignificam-no da melhor maneira. Têm sido extraordinários."
Baixas no Athletic Bilbao: "A mim não afetou nada, vão jogar com 11 na mesma. É um grande clube, com grandes jogadores capazes de dar resposta, independentemente de quem jogar. Preparámo-nos para o que é o adversário no coletivo. É uma equipa que sai muito bem em transições, com bons timings de pressão, está bem conectada nos momentos de pressão, ativam bem a pressão. É a equipa na Liga espanhola que recupera mais bolas em meio campo ofensivo, na Champions é a segunda ou a terceira. É uma equipa muito bem organizada. Em contra-ataque tem jogadores que fazem a diferença a qualquer momento. Claro que também tem lacunas, tal como nós, e dentro da nossa ideia tentaremos superiorizar-nos a eles."
Percurso de Rui Borges até à Champions: "Era mais magro, tinha menos brancos... a evolução faz parte, dos desafios diários, de tudo o que vai acontecendo. O Fernando, o meu adjunto, vinha-me a mostrar uma fotografias e vinha-me a rir. Há sete ou oito anos ninguém diria que estávamos a disputar uma Champions a esta altura. Cada clube em que passámos foi importante. O desafio foi sempre diferente e fez-nos crescer. Aprendemos com jogadores, com quem trabalha no clube. Tudo começou lá atrás quando tinha 26 anos e comecei a treinar a formação do Mirandela. Passei por todos os escalões."
Chave para ganhar em Bilbao: "A chave é a nossa humildade, capacidade de perceber o que temos que fazer em cada momento do jogo. Não fugimos ao que somos. Em termos ofensivos, é natural que digam que temos sido muito fortes, mas defensivamente também, caso contrário não tínhamos os pontos que temos. Este equilíbrio é o que temos que ter amanhã. É uma excelente equipa, bem orientada. Mentalmente temos que saber perceber os momentos do jogo, perceber o ambiente, a vontade do Athletic em querer ganhar. Gostamos de ter bola e temos que estar preparados em momentos de perda."
Como se define como treinador? Ainda com o Casio de 20 euros? "Eu sinto-me uma pessoa simples e o Casio está lá sempre. 20 euros. 19,90, aliás. Lembro-me do trajeto e do que me custou. Não é por estar aqui que vou ter um relógio de mil euros. Agora os estádios têm todos cronómetros, nem precisava de relógios. Sou simples e humilde Q.B. Sou muito honesto, direto com toda a gente, amigo do amigo e serei sempre grato a quem em ajuda. Serei sempre assim, o Rui de Mirandela."
