UEFA recorda que o VAR foi criado para "corrigir" e destaca o papel das mãos

Árbitro do Atlético-Bodo/Glimt fala com a equipa técnica dos colchoneros
Árbitro do Atlético-Bodo/Glimt fala com a equipa técnica dos colchonerosREUTERS/Susana Vera

Roberto Rosetti, diretor de arbitragem da UEFA, abordou temas que vão desde a proteção da segurança dos jogadores e a redução das simulações até ao reforço do papel do VAR na correção de erros claros e evidentes.

O organismo europeu analisou quando e em que contextos ocorrem as entradas mais duras: perto das áreas técnicas, onde a possibilidade de marcar é mais elevada. É igualmente importante considerar situações como a perda de controlo da bola, ressaltos e disputas 50-50, momentos em que os jogadores esticam-se instintivamente e correm o risco de colocar em perigo um adversário. "Vamos continuar a ser rigorosos. O objetivo é sempre proteger os jogadores", afirmou Rosetti.

"Devemos recordar porque é que o VAR foi introduzido", sublinhou o dirigente. "Foi criado para corrigir. A tecnologia é excelente para decisões objetivas, como os foras de jogo, mas para juízos subjetivos devemos ser cautelosos, porque ao revermos pequenos detalhes estamos a abrandar o jogo". Com estas palavras, apela-se assim a que não se revisem lances que não sejam claros e que possam dar origem a diferentes interpretações.

As simulações dos jogadores após contactos mínimos ou muito ligeiros não passaram despercebidas, embora Roberto tenha admitido que é "muito difícil" para os árbitros avaliarem esse tipo de situações em tempo real. "O que vemos na televisão nem sempre corresponde ao que o árbitro vê no relvado", argumentou. Destacou ainda que há outros fatores que costumam influenciar: desde os ângulos ou a proximidade até à velocidade, que afetam a perceção.

"Mesma linguagem" com as mãos

Outro ponto é o protocolo de comunicação entre o capitão e o árbitro, implementado antes do Europeu, o que reduziu o número de protestos. "Estamos muito satisfeitos com isto", afirmou. "Trata-se de respeito e de proteger a imagem do jogo", acrescentou. Com este sistema, apenas o portador da braçadeira pode dirigir-se ao juiz para lhe pedir explicações sobre determinadas decisões. Segundo a UEFA, isto reduz o assédio e transmite uma mensagem positiva às gerações mais jovens.

Além disso, a instituição presidida por Aleksander Ceferin dá especial atenção às mãos e pede que se fale "a mesma linguagem técnica" nas ligas nacionais e nas competições europeias, ou seja, que se saiba quais ações são naturais, quando existe contacto intencional, em que momento se pode considerar que os braços e as mãos estão junto ao corpo. No texto, por fim, é referido um elemento fundamental: diálogo constante para evitar confusões.