Chefe da polícia local do Reino Unido reforma-se após polémica com adeptos do Maccabi Tel Aviv

Craig Guildford durante uma audição no Comité de Assuntos Internos no início desta semana
Craig Guildford durante uma audição no Comité de Assuntos Internos no início desta semanaAFP

Um dos principais chefes da polícia britânica, responsável pela decisão de proibir os adeptos do Maccabi Tel Aviv de assistirem a um jogo em Birmingham, demitiu-se e reformou-se esta sexta-feira, após o aumento da pressão para a sua saída.

A Polícia de West Midlands e o seu chefe, Craig Guildford, têm estado sob crescente pressão devido à forma como decidiram impedir os adeptos de assistirem ao jogo da Liga Europa, de 6 de novembro, frente ao Aston Villa.

A decisão gerou indignação política no Reino Unido, incluindo do primeiro-ministro Keir Starmer, e em Israel, onde líderes israelitas classificaram a medida como "antissemita".

"O Chefe da Polícia, Craig Guildford, reformou-se hoje da Polícia de West Midlands com efeito imediato", afirmou o comissário regional para a criminalidade, Simon Foster, aos jornalistas.

Segundo Foster, a polémica tornou-se uma "distração significativa" para a Polícia de West Midlands, que abrange Birmingham, a segunda maior cidade do Reino Unido.

"Era importante que esta questão fosse resolvida de forma equilibrada, calma, justa, ponderada e respeitosa", acrescentou Foster.

A ministra do Interior britânica, Shabana Mahmood, afirmou na quarta-feira ter perdido a confiança em Guildford, depois de um relatório preliminar do organismo independente de supervisão policial ter concluído que a força policial "exagerou" a ameaça representada pelos adeptos do Maccabi para justificar a proibição.

"O chefe da Polícia de West Midlands já não tem a minha confiança", declarou Mahmood, que também é deputada local por Birmingham, no parlamento.

De acordo com o último censo de 2021, 30 por cento da população de Birmingham é muçulmana, e a cidade tem assistido a vários protestos em apoio aos palestinianos desde o início da guerra em Gaza em 2023, incluindo na noite do jogo.

A publicação do relatório do organismo independente de supervisão policial surgiu após meses de escrutínio sobre a atuação da polícia relativamente à proibição.

O relatório, liderado pelo inspetor-chefe Andy Cooke, acusou a força policial de "viés de confirmação".

"Em vez de seguirem as provas, procuraram apenas os elementos que sustentassem a sua posição de proibir os adeptos", afirmou Mahmood.

A análise de Cooke "demonstra que a polícia exagerou a ameaça representada pelos adeptos do Maccabi Tel Aviv, ao mesmo tempo que minimizou o risco para os adeptos israelitas caso viajassem para a zona", disse Mahmood.

"Imprecisões"

Num comunicado, a Polícia de West Midlands afirmou na quarta-feira: "Lamentamos profundamente o impacto que estas situações tiveram nas pessoas e nas suas comunidades."

"Reconhecemos que foram cometidos erros, mas reiteramos as conclusões de que nada disto foi feito com intenção deliberada de distorção ou discriminação", acrescentou.

Os adeptos do Maccabi foram impedidos de viajar para o jogo pelo Grupo Consultivo de Segurança local (SAG), que invocou preocupações de segurança com base em recomendações da polícia.

A Polícia de West Midlands classificou o jogo como "alto risco", mas o organismo de supervisão policial identificou oito "imprecisões" nos conselhos dados ao SAG, incluindo uma referência a um jogo inexistente entre Tel Aviv e West Ham, que resultou de uma "alucinação de IA".

Guildford pediu desculpa aos deputados por ter fornecido informações erradas quando foi questionado por eles no início deste mês.

Anteriormente, tinha dito aos deputados que o erro resultou de uma pesquisa no Google e negou que a força policial tivesse recorrido à inteligência artificial. No entanto, numa carta enviada aos deputados na quarta-feira, Guildford admitiu que a informação errada deveu-se à utilização do Microsoft Copilot, um chatbot de IA.

O relatório do organismo de supervisão referiu que outras imprecisões incluíram o facto de a Polícia de West Midlands ter "exagerado bastante" os problemas ocorridos em Amesterdão em novembro de 2024, após confrontos entre adeptos do Maccabi e habitantes locais, segundo a análise.