O Club Necaxa atravessou várias mudanças marcantes e turbulentas nas últimas décadas da sua lendária história. Uma das equipas mais emblemáticas do país, com um forte espírito popular e sentido de pertença entre os seus adeptos, passou de ser um conjunto dominante nos anos 90 a mudar de cidade, a viver o pesadelo da descida de divisão e, agora, a afirmar-se como um excelente descobridor de talento.
Com a venda de Líber Cambindo ao León, os Rayos ficaram sem o seu ponta de lança de referência e, em vez de lamentarem a saída de um dos seus melhores jogadores, a direção fez aquilo que melhor sabe: identificar talento e persuadi-lo a rumar a Aguascalientes.
No entanto, ao contrário de outras ocasiões em que os olheiros do clube encontravam talento a baixo custo na América do Sul com grande potencial de revenda, desta vez o emblema rojiblanco apostou forte, ciente de que era necessário substituir qualidade por qualidade. Foi isso que encontraram no argentino Julián Carranza que, com 25 anos, já tinha dado nas vistas no Feyenoord dos Países Baixos, com grandes exibições na Liga dos Campeões, e em Inglaterra após seis meses de empréstimo ao Leicester City.
Inícios incertos e a passagem para a Europa
Carranza nasceu em 2000 e, aos 17 anos, já sabia o que era ser futebolista profissional na Primeira Divisão ao estrear-se pelo Banfield. A sua ascensão foi tal que o Taladro recebeu uma proposta do novo clube de expansão da MLS dos Estados Unidos, o Inter Miami, que o contratou em 2019, mas deixou-o no sul de Buenos Aires até 2020, altura em que a equipa de Messi se estreou.
No entanto, o período de adaptação a uma liga muito mais física não correu como todos esperavam e acabou por ser novamente cedido ao Banfield, onde prolongou a sua má fase. Após mais uma passagem por Miami, Carranza encontrou o seu espaço e a melhor forma no Philadelphia Union, onde acabaria por marcar 45 golos em 95 jogos. Números suficientes para garantir a transferência para a Europa em 2024.
O convencimento necaxista
Carranza chegou ao Feyenoord dos Países Baixos com a missão de substituir Santiago Giménez, vendido ao poderoso Milan da Serie A italiana. Tal como aconteceu na sua chegada aos Estados Unidos, e apesar de ter tido minutos, o argentino não apresentou os números que todos desejavam, mas teve momentos decisivos, como no duelo frente ao rossoneri na Liga dos Campeões.
Já longe de ser uma jovem promessa, Carranza decidiu aceitar o empréstimo ao Leicester City do Championship inglês, onde os seus números nos primeiros meses foram aquém do esperado, incluindo o facto de não ter marcado em apenas 9 jogos disputados. Por isso, apesar de o empréstimo ser válido por um ano, o clube inglês interrompeu o acordo para o vender ao México.
O Necaxa soube apresentar-se como uma equipa acolhedora, onde é possível reencontrar, com tranquilidade e sem pressões externas, a boa forma que tantos jogadores procuram. Um contexto que parece ter convencido Carranza, que assinou pelos Rayos até dezembro de 2029, com a esperança de ser a grande contratação que a sua juventude já fazia prever e que tantos, dentro e fora do clube, aguardavam desde então.
