Um final escaldante que mudou tudo
O Marathón perdeu 1-0 frente ao Real España no Estádio Yankel Rosenthal, mas o resultado ficou totalmente ofuscado pelas decisões da equipa de arbitragem no final do jogo.
Primeiro, ao conjunto orientado por Lavallén foi anulado aquele que seria o 1-0 devido a um fora de jogo muito contestado. Minutos depois, já em tempo de compensação, o guarda-redes César Samudio cometeu grande penalidade sobre Nixon Cruz numa jogada que também levantou muitas dúvidas devido a um alegado fora de jogo anterior.
Eddie Hernández converteu o castigo máximo em golo e garantiu o triunfo dos visitantes.
Foi aí que começou o verdadeiro escândalo.
O "VAR improvisado" e o cartão vermelho
Após o apito final, Lavallén – que já tinha sido admoestado – aproximou-se do árbitro e mostrou-lhe no telemóvel as repetições dos lances em causa. A resposta do juiz foi imediata: cartão vermelho direto.

A imagem do treinador argentino a tentar convencer o árbitro com o seu telemóvel espalhou-se rapidamente pelas redes sociais e acendeu o debate sobre a arbitragem na Liga Nacional das Honduras.
"Cansei-me de ser roubado"
Na conferência de imprensa, Lavallén foi taxativo. Respondeu apenas a uma pergunta, mas foi suficiente para deixar uma mensagem forte:
- Garantiu que não é a primeira vez que a sua equipa é prejudicada.
- Recordou uma final anterior em que, segundo a sua perspetiva, também lhe anularam um golo legítimo.
- Apontou diretamente à comissão de arbitragem e às autoridades da liga.
O treinador defendeu que este tipo de decisões "prejudicam o crescimento do futebol hondurenho" e avisou que, mesmo que seja sancionado, não tenciona ficar calado.
O apoio da direção
Rolin Peña, vice-presidente do Marathón, veio a público manifestar o seu apoio. Sublinhou que o descontentamento não é recente e que o clube já tinha apresentado queixas formais ao Colégio Nacional de Árbitros.
Na direção consideram que o problema vem do torneio anterior e que não houve respostas satisfatórias por parte das autoridades.
A possível sanção
O regulamento local prevê castigos severos quando um elemento da equipa técnica descredibiliza publicamente os árbitros ou adota comportamentos antidesportivos.
Lavallén pode ser punido com:
- Um mínimo de quatro jogos por declarações públicas contra a arbitragem.
- Até três partidas adicionais por conduta imprópria perante os oficiais.
No pior cenário, o treinador argentino perderia grande parte da 1.ª volta do Clausura 2026.
Impacto desportivo
Para lá da polémica, o resultado teve impacto direto na classificação: o Marathón perdeu a liderança do campeonato, enquanto o Real España somou três pontos fundamentais para se aproximar do topo.
Mas o foco já não está no resultado. A imagem do treinador a mostrar o telemóvel como um "VAR alternativo" e a sua denúncia contundente contra a arbitragem marcaram um dos episódios mais quentes do futebol da América Central neste ano.
