Escândalo nas Honduras: treinador expulso após mostrar imagens de telemóvel ao árbitro

Lavallén critica uma decisão
Lavallén critica uma decisãoERNESTO BENAVIDES / AFP

O futebol hondurenho viveu um momento insólito. O treinador argentino Pablo Lavallén (53 anos) acabou expulso depois de mostrar ao árbitro as repetições de dois lances polémicos... através do seu próprio telemóvel. No final do encontro, o técnico argentino explodiu em conferência de imprensa e denunciou que a sua equipa tem vindo a ser prejudicada.

Um final escaldante que mudou tudo

O Marathón perdeu 1-0 frente ao Real España no Estádio Yankel Rosenthal, mas o resultado ficou totalmente ofuscado pelas decisões da equipa de arbitragem no final do jogo.

Primeiro, ao conjunto orientado por Lavallén foi anulado aquele que seria o 1-0 devido a um fora de jogo muito contestado. Minutos depois, já em tempo de compensação, o guarda-redes César Samudio cometeu grande penalidade sobre Nixon Cruz numa jogada que também levantou muitas dúvidas devido a um alegado fora de jogo anterior.

Eddie Hernández converteu o castigo máximo em golo e garantiu o triunfo dos visitantes.

Foi aí que começou o verdadeiro escândalo.

O "VAR improvisado" e o cartão vermelho

Após o apito final, Lavallén – que já tinha sido admoestado – aproximou-se do árbitro e mostrou-lhe no telemóvel as repetições dos lances em causa. A resposta do juiz foi imediata: cartão vermelho direto.

A forma do Marathon
A forma do MarathonFlashscore

A imagem do treinador argentino a tentar convencer o árbitro com o seu telemóvel espalhou-se rapidamente pelas redes sociais e acendeu o debate sobre a arbitragem na Liga Nacional das Honduras.

"Cansei-me de ser roubado"

Na conferência de imprensa, Lavallén foi taxativo. Respondeu apenas a uma pergunta, mas foi suficiente para deixar uma mensagem forte:

- Garantiu que não é a primeira vez que a sua equipa é prejudicada.

- Recordou uma final anterior em que, segundo a sua perspetiva, também lhe anularam um golo legítimo.

- Apontou diretamente à comissão de arbitragem e às autoridades da liga.

O treinador defendeu que este tipo de decisões "prejudicam o crescimento do futebol hondurenho" e avisou que, mesmo que seja sancionado, não tenciona ficar calado.

O apoio da direção

Rolin Peña, vice-presidente do Marathón, veio a público manifestar o seu apoio. Sublinhou que o descontentamento não é recente e que o clube já tinha apresentado queixas formais ao Colégio Nacional de Árbitros.

Na direção consideram que o problema vem do torneio anterior e que não houve respostas satisfatórias por parte das autoridades.

A possível sanção

O regulamento local prevê castigos severos quando um elemento da equipa técnica descredibiliza publicamente os árbitros ou adota comportamentos antidesportivos.

Lavallén pode ser punido com:

- Um mínimo de quatro jogos por declarações públicas contra a arbitragem.

- Até três partidas adicionais por conduta imprópria perante os oficiais.

No pior cenário, o treinador argentino perderia grande parte da 1.ª volta do Clausura 2026.

Impacto desportivo

Para lá da polémica, o resultado teve impacto direto na classificação: o Marathón perdeu a liderança do campeonato, enquanto o Real España somou três pontos fundamentais para se aproximar do topo.

Mas o foco já não está no resultado. A imagem do treinador a mostrar o telemóvel como um "VAR alternativo" e a sua denúncia contundente contra a arbitragem marcaram um dos episódios mais quentes do futebol da América Central neste ano.

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