Recorde as incidências da partida
“Vamos dar a vida para ganhar por Leiria. Não sabemos onde vamos treinar na terça-feira, se vamos treinar na terça-feira, se vamos treinar amanhã (segunda-feira) ou na quarta-feira. Como, quando, onde, não sabemos ainda. É um momento difícil, mas vontade e capacidade de sacrifício não nos falta e, enquanto tivermos força e for matematicamente possível, vamos olhar para cima à procura dos três lugares que garantem a subida”, assegurou Fábio Pereira, após a derrota sofrida na visita ao Torreense, por 3-1, na 21.ª jornada da Liga 2.
O clube leiriense apresentou na camisola de jogo mensagens dedicadas a vários concelhos da região Centro afetados pelas depressões Kristin e Leonardo, no seu regresso à competição, depois do adiamento do jogo da ronda anterior, devido aos danos provocados na zona e, sobretudo, no Estádio Municipal Dr. Magalhães Pessoa.
Ainda assim, desabafou o treinador, a dificuldade por que passou o grupo “foi um grão de areia perante aquilo que as pessoas de Leiria passaram”.
“A nossa solidariedade vai para quem ainda está a passar muitas dificuldades e problemas graves. Por vezes, de coisas que damos por garantidas no nosso dia a dia: poder tomar banho ou podermos comunicar uns com os outros”, exemplificou Fábio Pereira.
Agradecendo também a solidariedade de Sporting e Alverca, que cederam instalações para os treinos da equipa leiriense, o treinador revelou que o que se passou no jogo ficou “quase para segundo plano”.
“O que queríamos muito era proporcionar um momento feliz às pessoas de Leiria”, justificou, recordando a célebre afirmação de que o “futebol é a coisa mais importante das menos importantes”.
Desconhecendo ainda o planeamento para as próximas semanas de trabalho, e frisando que também os jogadores sentiram os efeitos das intempéries, Fábio Pereira enalteceu o grupo de trabalho, elevando a sua “capacidade de superação e de sacrifício”.
“Os jogadores sentiram e viveram o que se passou durante dois ou três dias. Só um grupo de homens com H grande tem capacidade para dar uma resposta e apresentar-se com dignidade”, asseverou.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas pelo temporal, que já provocou 14 mortes e centenas de feridos e desalojados.
