Acompanhe o Portimonense no Flashscore
Foco na subida: "É um campeonato muito duro e exigente"
- O Flashscore está no Estádio Municipal de Portimão, com Tamble Monteiro, jogador do Portimonense e atualmente um dos melhores marcadores da Segunda Liga portuguesa. Nascido em Portugal, Tamble representa a seleção da Guiné-Bissau. Para começar, fale-nos um pouco da temporada: como lhe está a correr a nível pessoal e coletivo, tanto a si como ao Portimonense?
A nível pessoal, sinto que a época está a correr bem. Estou bem fisicamente e tenho conseguido ajudar a equipa a ganhar jogos. Acredito que estou numa das melhores fases da minha carreira e quero dar continuidade a isso. Coletivamente, penso que começámos a época um pouco abaixo do esperado. Sabemos que a Segunda Liga é um campeonato muito complicado, muito competitivo. Felizmente, nos últimos jogos temos vindo a ser mais consistentes, mais difíceis de bater, e a conseguir melhores resultados. Espero que o futuro seja risonho.
- É um campeonato muito competitivo, com pouca distância pontual entre as equipas que lutam pela subida e as que lutam pela manutenção. Esperava um equilíbrio tão grande?
Sim, já esperava um campeonato muito equilibrado. Na época passada também tudo se decidiu praticamente até à última jornada, tanto na luta pela subida como pela descida. No entanto, sinto que esta temporada está ainda mais equilibrada: quem ganha um jogo pode subir rapidamente na tabela e quem perde pode cair para os últimos lugares.

- Tal como tem acontecido com o Portimonense.
Exatamente. É um campeonato muito duro e exigente, mas ainda há muitos jogos por disputar. A equipa que for mais consistente ao longo da época será aquela que vai andar nos lugares de cima.
- Voltando a si, tem marcado muitos golos esta época, talvez recordando a temporada no Felgueiras. Como explica este instinto goleador?
É difícil de explicar. Trabalho todos os dias e tento melhorar aquilo em que sinto que sou menos forte. Procuro posicionar-me bem nos treinos para levar isso para os jogos. Acima de tudo, acho que é fruto do trabalho. O resto já lá está. Se continuar a trabalhar como tenho feito e tiver as oportunidades certas, sei que consigo marcar golos.
- Ainda vai atrás do Clóvis na lista de melhores marcadores...
Ele está muito bem e merece os parabéns. O que ele tem feito não é nada fácil, sobretudo na posição de ponta de lança. Está num momento magistral. Claro que quero ir atrás dele, isso é óbvio, mas vamos ver. Vou trabalhar para isso, sempre com respeito e reconhecimento pelo que ele está a fazer.

"O Portimonense é um clube de Primeira Liga"
- O Tamble começou a chamar a atenção na época 2023/24, ao serviço do Felgueiras. Nessa altura falou-se do interesse de vários clubes, não apenas do Portimonense.
É normal. No futebol, quando um avançado marca muitos golos, acaba por ser falado. Há jogadores que não marcam tanto, mas ajudam muito a equipa, e nem sempre têm o mesmo destaque. No Felgueiras senti-me muito confiante, sentia que a equipa acreditava em mim. No Portimonense sinto exatamente o mesmo. O grupo é muito bom e isso ajuda-me a marcar golos, porque ninguém faz golos sozinho. É sempre um trabalho coletivo.
- Académica, Eirense, Anadia, São João de Ver, Felgueiras e agora Portimonense. Como tem sido esta caminhada?
Tem sido difícil, mas muito engraçada. Comecei na distrital e fui subindo passo a passo. Já passei pela Primeira Liga, estou agora na Segunda, é uma verdadeira montanha-russa. O futebol é como a vida. Tento manter-me forte, porque hoje estamos bem e amanhã podemos não estar. Levo isso para dentro de campo e para a vida, sempre com ambição, mas com os pés bem assentes na terra.

- Sente que o futebol é mesmo a sua vida?
Sem dúvida. É aquilo que amo fazer. Tenho uma paixão enorme pelo futebol. É onde consigo desligar-me de tudo o que está à minha volta. Ajudou-me em fases muito difíceis da minha vida. Já passei coisas muito complicadas, mas quando pensava apenas no jogo, na bola, na tática, conseguia esquecer os problemas fora do futebol. É a minha paixão e aquilo que realmente gosto de fazer.
- Quais são os seus sonhos para o futuro?
Tenho muitos sonhos. Quero alcançar patamares mais altos. Sei que com trabalho posso lá chegar, embora também saiba que nem sempre surgem oportunidades. O meu papel é continuar a trabalhar e ver até onde consigo ir no futebol.
- Um dos objetivos é levar o Portimonense de volta à Primeira Liga?
Claro que sim. O Portimonense é um clube de Primeira Liga, pelas condições que tem e pela sua história. Não tem sido fácil, mas entramos em todos os jogos para ganhar. O clube merece lutar pela subida e ter novamente a oportunidade de regressar ao principal escalão. É para isso que trabalhamos todos os dias.

"O futebol afastou-me de muitas coisas negativas e deu-me muitas coisas boas"
- Ao longo da carreira, houve alguém que o tenha marcado especialmente, treinador ou jogador?
Houve muitos, e até é injusto estar a destacar nomes. Passei por vários clubes, desde a distrital, e há pessoas que foram fundamentais para eu ser o jogador que sou hoje. Destaco o treinador Paulo Freixo, que me ajudou muito a nível mental. Mais tarde, outros treinadores continuaram a ajudar-me a evoluir, como o mister Agostinho e o mister Tiago (Fernandes), que me tem ajudado a corrigir aspetos do meu jogo.
Também tive a oportunidade de trabalhar com jogadores como o Beto, na seleção, alguém que sempre admirei pela trajetória. Quando cheguei ao Portimonense, o Carlinhos foi também uma referência pela tranquilidade e qualidade com bola. São muitos nomes.
- E referências na posição de ponta de lança?
Gostava muito do Ibrahimovic, do Suárez e do Cavani, sobretudo pelos movimentos e inteligência em campo. Ainda hoje vou ver vídeos para aprender. Atualmente, admiro o Haaland pela forma como faz golos. É, na minha opinião, o melhor do mundo nesse aspeto, embora esteja numa equipa que o favorece bastante. Não tento copiar ninguém, mas retiro ideias para melhorar.

- O Tamble falou da importância do futebol na sua vida. Sente que o futebol o afastou de caminhos menos bons?
Sem dúvida. O futebol afastou-me de muitas coisas negativas e deu-me muitas coisas boas. Sempre tive a cabeça no sítio e pessoas certas à minha volta, o que foi fundamental. Hoje sinto-me bem e feliz.
- Optou por representar a Guiné-Bissau. Porquê essa escolha?
A Guiné-Bissau é uma parte de mim. O meu pai é guineense e identifico-me muito com aquele povo: humilde, trabalhador. Sinto isso quando jogo e quando recebo mensagens de apoio. Nunca me arrependi da escolha. Houve quem me dissesse para esperar por Portugal, mas quando surgiu a oportunidade, aceitei de imediato. Sinto-me muito ligado à Guiné-Bissau.
- Para terminar, gostaria de ajudar a tornar a Guiné-Bissau uma potência do futebol africano?
Sem dúvida. Temos jogadores para isso e todos estamos a trabalhar nesse sentido. Não é fácil, mas vamos continuar a tentar colocar a Guiné-Bissau entre as melhores seleções africanas.
