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"Vasco Matos é o melhor treinador da história do Santa Clara". As palavras não são nossas, mas de Bruno Vicintin, no comunicado em que o acionista maioritário da SAD confirmou a saída do técnico de 45 anos.
As evidências sustentam a declaração do dirigente. Vasco Matos foi campeão da Liga 2, devolveu o Santa Clara à Liga Portugal e, logo na temporada seguinte, alcançou a melhor classificação de sempre do clube (5.º lugar).
O preço desse sucesso acabou, no entanto, por pesar na época 2025/26. No verão, o Santa Clara optou por manter a estratégia vencedora e mexeu o mínimo possível no plantel. Com a estrutura consolidada, Vasco Matos iniciou a terceira época nos Açores com a ambição de fazer ainda mais história, levando o clube ao play-off da Liga Conferência.
Luta pela Europa lançou luta pela... manutenção
Os açorianos ainda ultrapassaram duas eliminatórias, mas rapidamente se tornou evidente que o peso das competições europeias teve impacto no rendimento da equipa. O primeiro triunfo no campeonato só surgiu em setembro e o Santa Clara nunca conseguiu ultrapassar o 10.º lugar da tabela ao longo da temporada.
A subida de rendimento esperada após a eliminação europeia não se verificou. A solidez defensiva, imagem de marca das equipas de Vasco Matos, revelou-se insuficiente para garantir a tranquilidade desejada.
Apesar de ter sofrido apenas 25 golos no campeonato, menos, por exemplo, do que o Moreirense, os números ofensivos foram limitadores: 16 golos marcados, registo apenas superior ao de Tondela e AFS, acabaram por condicionar o crescimento da equipa e ditar um desfecho que se tornou inevitável.

Vasco Matos deixou o comando técnico do Santa Clara e deu lugar a Petit, que regressa aos bancos depois da passagem pelo Rio Ave. O treinador é reconhecido pela capacidade de cumprir objetivos em contextos adversos, um perfil que se ajusta ao momento atual do clube.
Nos Açores, o antigo médio internacional português tem a missão de garantir a permanência do Santa Clara na elite do futebol nacional, preservando a sustentabilidade de um projeto liderado por Bruno Vicintin, que tem apostado na valorização da região, mas sobretudo dos seus próprios ativos.

O inverno marcou, ainda, uma mudança profunda no plantel, simbolizada pela saída de Luís Rocha para o Vizela. Com novo treinador e 10 reforços contratados em janeiro, Petit tem desde já uma primeira missão: retirar o Santa Clara da zona de play-off, a começar pela receção ao Estrela da Amadora. Depois disso, pede-se estabilidade em São Miguel.

