Estrela da Amadora avança para o Tribunal Arbitral do Desporto pela transferência de André Luiz

André Luiz ao serviço do Olympiacos
André Luiz ao serviço do OlympiacosOlympiacos

O extremo, de quem o Estrela da Amadora, detinha 10% dos direitos desportivos, foi vendido do Rio Ave para o Olympiacos no mercado de inverno. Evangelos Marinakis, que detém ambos os clubes, confirmou posteriormente que teve propostas mais avultadas pelo jogador. Benfica foi um dos emblemas interessados.

Os negócios do Rio Ave com o Olympiacos nesta reabertura do mercado levantaram polémica. Ambos os clubes são pertença de Evangelos Marinakis que fez André Luiz e Clayton trocarem os vilacondenses pelo conjunto helénico.

E na quarta-feira, o empresário grego assumiu que foi uma mudança deliberada para tornar o emblema do Pireu mais forte. Numa conversa com o plantel, citada pela imprensa grega, Marinakis revelou à equipa que recusou entre 30 a 35 milhões de euros pela dupla do Rio Ave.

Situação que provocou desconforto no Estrela da Amadora. Os tricolores detinham 10% do passe de André Luiz e mostraram-se desagrados ao saberem que foram recusadas propostas perto dos 20 milhões de euros de Benfica e Wolverhampton.

Perante isto, o clube da Liga Portugal revelou que vai avançar para o Tribunal Arbitral do Desporto e participar às entidades competentes os factos públicos, além de requerer toda a documentação relativa à transferência.

Recorde-se que André Luiz representou o Estrela da Amadora na época 2023/24. Num primeiro momento chegou por empréstimo do Flamengo, com os tricolores a pagarem 600 mil euros para o manter a título definitivo. Seguiu para o Rio Ave por pouco mais de 2 milhões de euros, que depois o vendeu ao Olympiacos por 6,75 milhões de euros.

Leia o comunicado na íntegra:

Na defesa intransigente dos superiores interesses do Clube de Futebol Estrela da Amadora e dos seus associados, vem o Conselho de Administração pronunciar-se na sequência das declarações públicas do presidente do grupo que detém o Rio Ave FC e o Olympiacos FC, nas quais afirmou terem existido propostas significativamente superiores para a transferência dos atletas André Luiz e Clayton, que não foram concretizadas, realidade que já havia sido sinalizada pelo Estrela da Amadora no seu anterior comunicado.

A confirmação pública desses factos pelo próprio interveniente coloca-nos perante uma situação que suscita sérias e legítimas preocupações.

O Estrela da Amadora detém 10% numa futura transferência do atleta André Luiz. A verificar-se que existiram propostas de valor substancialmente superior às que vieram a ser efetivamente praticadas, tal circunstância traduz-se, objetivamente, numa diminuição direta da receita a que o nosso Clube teria direito.

Mais ainda: a opção de alienar ativos desportivos por valores inferiores a propostas assumidamente superiores levanta inevitáveis questões quanto à plena salvaguarda dos interesses económicos do próprio Rio Ave FC e dos seus parceiros contratuais.

Não se trata de conjectura. Trata-se de valores tornados públicos pelo próprio responsável máximo do grupo em causa.

O Estrela da Amadora reconhece que o fenómeno da multi-propriedade é hoje uma realidade do futebol global. Contudo, essa realidade não pode, em circunstância alguma, comprometer a transparência, a equidade económica, a proteção de terceiros contratualmente envolvidos ou a credibilidade das competições nacionais. O futebol português não pode correr o risco de ver clubes históricos transformados em meros instrumentos ao serviço de estratégias externas.

Acresce que qualquer divergência material entre valores de mercado publicamente assumidos e valores efetivamente praticados pode produzir impactos económicos mais amplos, incluindo efeitos reflexos na esfera fiscal inerente a operações desta natureza, matéria que, como é evidente, compete às autoridades competentes apreciar.

Perante este enquadramento, o Estrela da Amadora:

• Irá reiterar a exigência de acesso integral à documentação da operação;

• Recorrerá ao Tribunal Arbitral do Desporto para salvaguarda dos seus direitos;

• Reserva-se o direito de participar às entidades competentes todos os factos públicos que, pela sua natureza, justifiquem averiguação adicional.

O Estrela da Amadora continuará a agir com firmeza, responsabilidade e absoluto respeito pelas instituições, mas não deixará de defender integralmente os seus direitos nem de exigir a transparência que o futebol português merece.

O Conselho de Administração

CF Estrela da Amadora