Os negócios do Rio Ave com o Olympiacos nesta reabertura do mercado levantaram polémica. Ambos os clubes são pertença de Evangelos Marinakis que fez André Luiz e Clayton trocarem os vilacondenses pelo conjunto helénico.
E na quarta-feira, o empresário grego assumiu que foi uma mudança deliberada para tornar o emblema do Pireu mais forte. Numa conversa com o plantel, citada pela imprensa grega, Marinakis revelou à equipa que recusou entre 30 a 35 milhões de euros pela dupla do Rio Ave.
Situação que provocou desconforto no Estrela da Amadora. Os tricolores detinham 10% do passe de André Luiz e mostraram-se desagrados ao saberem que foram recusadas propostas perto dos 20 milhões de euros de Benfica e Wolverhampton.
Perante isto, o clube da Liga Portugal revelou que vai avançar para o Tribunal Arbitral do Desporto e participar às entidades competentes os factos públicos, além de requerer toda a documentação relativa à transferência.
Recorde-se que André Luiz representou o Estrela da Amadora na época 2023/24. Num primeiro momento chegou por empréstimo do Flamengo, com os tricolores a pagarem 600 mil euros para o manter a título definitivo. Seguiu para o Rio Ave por pouco mais de 2 milhões de euros, que depois o vendeu ao Olympiacos por 6,75 milhões de euros.
Leia o comunicado na íntegra:
Na defesa intransigente dos superiores interesses do Clube de Futebol Estrela da Amadora e dos seus associados, vem o Conselho de Administração pronunciar-se na sequência das declarações públicas do presidente do grupo que detém o Rio Ave FC e o Olympiacos FC, nas quais afirmou terem existido propostas significativamente superiores para a transferência dos atletas André Luiz e Clayton, que não foram concretizadas, realidade que já havia sido sinalizada pelo Estrela da Amadora no seu anterior comunicado.
A confirmação pública desses factos pelo próprio interveniente coloca-nos perante uma situação que suscita sérias e legítimas preocupações.
O Estrela da Amadora detém 10% numa futura transferência do atleta André Luiz. A verificar-se que existiram propostas de valor substancialmente superior às que vieram a ser efetivamente praticadas, tal circunstância traduz-se, objetivamente, numa diminuição direta da receita a que o nosso Clube teria direito.
Mais ainda: a opção de alienar ativos desportivos por valores inferiores a propostas assumidamente superiores levanta inevitáveis questões quanto à plena salvaguarda dos interesses económicos do próprio Rio Ave FC e dos seus parceiros contratuais.
Não se trata de conjectura. Trata-se de valores tornados públicos pelo próprio responsável máximo do grupo em causa.
O Estrela da Amadora reconhece que o fenómeno da multi-propriedade é hoje uma realidade do futebol global. Contudo, essa realidade não pode, em circunstância alguma, comprometer a transparência, a equidade económica, a proteção de terceiros contratualmente envolvidos ou a credibilidade das competições nacionais. O futebol português não pode correr o risco de ver clubes históricos transformados em meros instrumentos ao serviço de estratégias externas.
Acresce que qualquer divergência material entre valores de mercado publicamente assumidos e valores efetivamente praticados pode produzir impactos económicos mais amplos, incluindo efeitos reflexos na esfera fiscal inerente a operações desta natureza, matéria que, como é evidente, compete às autoridades competentes apreciar.
Perante este enquadramento, o Estrela da Amadora:
• Irá reiterar a exigência de acesso integral à documentação da operação;
• Recorrerá ao Tribunal Arbitral do Desporto para salvaguarda dos seus direitos;
• Reserva-se o direito de participar às entidades competentes todos os factos públicos que, pela sua natureza, justifiquem averiguação adicional.
O Estrela da Amadora continuará a agir com firmeza, responsabilidade e absoluto respeito pelas instituições, mas não deixará de defender integralmente os seus direitos nem de exigir a transparência que o futebol português merece.
O Conselho de Administração
CF Estrela da Amadora
