Liga: Vicens e Salvador pedem respeito pelo SC Braga, Luís Pinto quer ver evolução do Vitória SC

Vicens e Luís Pinto
Vicens e Luís PintoHUGO DELGADO/LUSA

Declarações em conferência de imprensa após o jogo SC Braga - Vitória SC (3-2), da 23.ª jornada da Liga Portugal, disputado no sábado, no Estádio Municipal de Braga.

Recorde aqui as incidências do encontro

Carlos Vicens (treinador do SC Braga):

“Foi um jogo menos controlado do que outros em casa. Sabíamos o que queríamos fazer. Tivemos dificuldade em encontrar jogadores para circular a bola, mas, de cada vez que o conseguimos, criámos muito perigo. Poderíamos ter ido para o intervalo com um resultado mais descansado.

Sofremos o 2-2 num lance em que perdemos posicionamento a pressionar, mas o Vitória também teve algum mérito. Conseguimos fazer o terceiro golo. No final, quando a vantagem é só de um golo, tudo pode acontecer. Há muitas coisas a melhorar, mas estou muito agradado com a energia da equipa e com os três pontos.

Faltou alguma frescura e confiança nas saídas para o ataque. A superioridade numérica do Vitória a meio-campo só se deu quando eles tinham a bola. Corrigimos isso ao intervalo. Quando encontrámos os nossos médios e os nossos alas, gerámos sempre ocasiões de golo. Custou-nos um pouco chegar com mais assiduidade à área do SC Braga.

Havia uma vontade tremenda dos nossos adeptos em apoiarem. Os adeptos trabalharam imenso na tela para darem um apoio especial à equipa num jogo especial como o dérbi (do Minho). Estas situações (proibição da exibição de uma tarja de apoio ao SC Braga pela PSP) podem retirar adeptos dos estádios. Um dérbi é uma festa do futebol. Este desporto é um espetáculo, porque há pessoas que o querem ver.

Tivemos mais acerto (do que nos outros dois jogos com o Vitória). Voltámos a ter maior produção ofensiva. A final da Taça da Liga (derrota por 2-1 do SC Braga, em Leiria) foi o jogo em que fomos mais superiores. Hoje, não tivemos tanto controlo como nesse jogo, mas merecemos ganhar”. 

Luís Pinto (treinador do Vitória SC): 

“Quase sempre conseguimos acertar timings de pressão. Conseguimos ganhar bolas nas zonas em que o Braga estava a tentar desequilibrar. Mas sofremos dessa forma no segundo e no terceiro golos (do SC Braga). Iniciámos a pressão ao SC Braga sem necessidade no segundo golo. No terceiro golo, tivemos de rodar em excesso a pressionar e os três homens da frente fizeram a diferença.

Sentíamos que estávamos por cima do jogo, mas esse terceiro golo foi um golpe duro e a equipa demorou um bocadinho a reagir. Não estávamos preparados para que o golo a seguir (ao 2-2) não fosse do Braga, mas sim do Vitória. A equipa do Braga também fez com que o jogo demorasse mais tempo a reiniciar. Capitalizou os tempos mortos do jogo. Tornou-se mais difícil manter o ritmo alto. Houve mérito da equipa do Braga a congelar o jogo numa fase em que era essencial para eles.

Uma equipa que faz seis golos nos últimos três jogos fora é um registo interessante, mas tivemos zero pontos. A história do jogo de hoje é diferente dos dois anteriores (derrotas com Estoril Praia e Arouca). A equipa mostrou concentração e vontade. Nos jogos que tinha analisado (do SC Braga), não tinha visto este estádio tão bem preenchido, mas os adeptos que mais se ouviram foram os nossos. Creio que nos galvanizaram e eles também se galvanizaram pelo que fizemos. Se transportarmos o que fizemos hoje para os próximos jogos fora, vamos conseguir mais pontos.

Ouvimos, no início da época, que o Vitória estava extremamente enfraquecido, mas hoje conseguimos competir contra uma equipa muito boa. Temos conseguido fazer isso contra outras equipas do top 4. Quero ver evolução na equipa nos 11 jogos que faltam. Se dermos esse passo, apesar de estarmos longe dos lugares europeus, ainda podemos conseguir o que pretendemos”. 

António Salvador (presidente do SC Braga): 

“Hoje, ganhámos e ganhámos bem, mas não estou feliz. Hoje, o nosso clube, os nossos sócios e os nossos adeptos foram desrespeitados. A nossa cidade de Braga foi desrespeitada. Fomos censurados na nossa vontade de afirmar o amor e o orgulho pela cidade. Durante dias e semanas, os nossos profissionais e voluntários trabalharam horas e horas, dias e dias, para transmitir um incentivo ao clube.

Não posso permitir uma mensagem tão positiva, de orgulho pela nossa cidade, seja censurada pela polícia.

Enquanto presidente, irei até às últimas instâncias. Farei o que for preciso para defender o amor à nossa cidade, o amor ao nosso clube, para que os nossos adeptos sejam respeitados, que foi o que não se passou aqui”.

Leia aqui a crónica e veja os golos