Regresso às origens: Aursnes sobe de rendimento no meio-campo e espreita o Mundial

Aursnes tem sido utilizado como médio
Aursnes tem sido utilizado como médioREUTERS/Pedro Nunes

Fredrik Aursnes está a cumprir a quarta temporada ao serviço do Benfica e já passou por quase todas as posições do campo desde que chegou ao clube. Depois de se destacar como médio no Feyenoord, foi muitas vezes visto como um polivalente no Estádio da Luz, mas é no regresso às origens que o norueguês tem vindo a subir de rendimento, afirmando-se como peça fundamental para José Mourinho e não só.

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Quase dois anos depois de ter renunciado à seleção da Noruega, Aursnes está disposto a regressar. O próprio explicou o que motivou a decisão inicial e este potencial regresso, com vista ao Mundial-2026, depois de Solbakken, selecionador norueguês, ter demonstrado abertura para voltar a contar com o médio encarnado.

As lesões de Richard Ríos e Barrenechea, bem como o crescimento de Prestianni, abriram as portas do corredor central ao norueguês. E será difícil que Mourinho volte atrás nesta opção, a não ser que uma nova crise de lesões obrigue Aursnes a cumprir mais uma missão de sacrifício noutra zona do campo.

Aos 30 anos, Aursnes parece preparado para assumir definitivamente um papel que conhece bem. Apesar de ter sido utilizado como extremo, lateral em ambos os flancos e até como número 10, o ex-Feyenoord é um médio de raiz e tem vindo a prová-lo nas últimas semanas.

O crescimento exibicional do Benfica nas últimas jornadas tem passado, em grande parte, pelos pés do camisola 8. Cada vez mais presente no corredor central e menos encostado à linha direita, onde combinava com Dedic, Aursnes tem sido um dos motores da melhoria coletiva. Nesta fase da época, já não restam dúvidas de que as suas características estão diretamente ligadas ao maior equilíbrio da equipa.

Desde a lesão de Richard Ríos no Estádio do Dragão, Aursnes passou a ser opção regular como médio-centro, deixando o corredor direito, para onde tinha regressado devido à indisponibilidade de Lukebakio. A nova dupla Barreiro–Aursnes tornou o Benfica menos suscetível a erros em zonas proibidas, algo que os números do norueguês no passe ajudam a explicar.

O comparativo de toques de Aursnes frente a Tondela e SC Braga
O comparativo de toques de Aursnes frente a Tondela e SC BragaOpta by Stats Perform

Utilizemos como exemplo o jogo frente ao Real Madrid, provavelmente o teste mais exigente para os médios encarnados desde a mudança posicional de Aursnes. O norueguês terminou a partida com 82% de eficácia no passe, 11 passes completados em 12 tentativas no último terço, quatro duelos ganhos, um desarme e um alívio, contribuindo tanto para o equilíbrio defensivo como para a ligação ofensiva.

No entanto, a influência de Aursnes vai além da segurança com bola. No empate em Tondela, ficou claro que a sua leitura de jogo lhe permite chegar a zonas de finalização sem comprometer o equilíbrio coletivo.

Os dados ajudam a sustentar essa perceção: com 67 passes tentados e uma eficácia de 85%, o norueguês assumiu um papel claramente mais interventivo na construção, arriscando mais no passe vertical e procurando com frequência ligações entre linhas, algo menos evidente em jogos em que atuava mais afastado do corredor central.

O comparativo de passes de Aursnes frente a Tondela e SC Braga
O comparativo de passes de Aursnes frente a Tondela e SC BragaOpta by Stats Perform

O mapa de passes evidencia essa mudança de perfil, enquanto o mapa de toques confirma a maior presença de Aursnes em zonas adiantadas. Em contraste com partidas como a de Braga, onde a sua ação esteve mais condicionada, em Tondela o médio surgiu como elo entre a construção e o ataque, dando continuidade ao crescimento coletivo do Benfica.

Aursnes acabou a partida em Tondela com uma nota de 7,5 no Flashscore, a segunda melhor do Benfica, apenas atrás de Otamendi, somando dois remates à baliza, seis toques na área adversária, uma grande ocasião desperdiçada e 25 passes completados no último terço. Números que provam que o Benfica cresce quando Aursnes joga por dentro.

Números de Aursnes
Números de AursnesFlashscore

Depois de meses a tapar espaços e resolver problemas, Aursnes voltou a jogar onde faz a diferença. No miolo, o norueguês deu ao Benfica a estabilidade que a equipa procurava.

Esse regresso às origens ajuda a explicar o crescimento exibicional do Benfica nas últimas jornadas e clarifica o enquadramento de Aursnes num eventual regresso à seleção, sobretudo porque o próprio selecionador já assumiu que vê o norueguês exclusivamente como médio. Resta saber se Mourinho pensa da mesma forma.

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