Roberto Martínez quer mais jovens portugueses a jogar na Liga

Roberto Martínez, selecionador nacional
Roberto Martínez, selecionador nacionalJOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

O selecionador de Portugal, Roberto Martínez, manifestou esta sexta-feira a ambição de ver mais jovens jogadores lusos a atuar na Liga de futebol, lamentando que apenas 3,8% dos minutos seja cumprido por sub-21.

Eu acho que Portugal é dos países europeus que melhor trabalho está a fazer na formação, mas temos um desafio, porque no futebol profissional, na Liga, é que temos uma percentagem muito baixa de jogadores nacionais sub-21 a jogar”, afirmou.

O treinador espanhol detalhou este lamento na zona mista do Congresso do Futebol Português, na Cidade do Futebol, em Oeiras, depois de o abordar no painel sobre “o futuro do futebol português”.

Estamos a criar e a desenvolver talento muito bem, mas os primeiros 50 jogos dos jogadores fazem parte dessa formação e precisamos de olhar para isso. A Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e os clubes estão a fazer um trabalho fantástico, mas temos de encontrar o espaço para os jogadores. Em comparação com outras ligas, têm 3,8% dos minutos, metade da Liga francesa, e a quarta a contar de baixo em comparação com as restantes europeias”, explicou.

Esta foi uma das conclusões apresentadas pelo timoneiro da seleção portuguesa, reconhecendo-o como “um aspeto para melhorar, para ter autocrítica”, mesmo numa semana em que as equipas portuguesas se destacaram nas competições europeias.

Parabéns aos nossos clubes, porque os desempenhos foram excecionais, foi uma semana espetacular que mostra o trabalho feito pelos clubes durante toda a época”, reconheceu.

Durante a sua participação no congresso, na Arena FPF, perante os quase mil presentes, Roberto Martínez recordou os feitos das seleções portuguesas jovens em 2025, enaltecendo a importância de “ganhar, mas, sobretudo, de saber como ganhar”.

Dar minutos aos jogadores jovens é um objetivo e uma prioridade para dar continuidade a esse talento, que, até agora, tem sido obrigado a sair para se afirmar e chegar à seleção”, disse, então, o técnico, antevendo que, nesse capítulo, “os regulamentos também podem ajudar”, porque “apostar na formação sem minutos nas primeiras equipas não faz sentido”.

O Diretor Técnico Nacional da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) apontou a organização do Mundial-2030, conjuntamente com Espanha e Marrocos, como “uma oportunidade única” para corrigir esta lacuna.

Portugal está apurado, sem qualificações, e isso permite-nos ter um período temporal para a criação de um conjunto de medidas, com o envolvimento de todos, desde a base até às competições profissionais, para que possamos dar espaço àquilo que é o talento português”, referiu Óscar Tojo.

O responsável acrescentou aos dados apresentados por Martínez que 70% dos jogadores da Liga são estrangeiros, o quarto valor mais elevado da Europa, defendendo a criação de “um conjunto de medidas de apoio para que o talento português tenha espaço nas competições profissionais”.

Isto, apesar de os clubes profissionais praticamente não estarem representados nesta organização da FPF, o que o DTN relativizou.

Os clubes tiveram a oportunidade de participar nas comissões, praticamente tiveram de participar em todas elas de forma faseada e nós, estrutura técnica nacional, temos tido um conjunto de reuniões técnicas nas quais estes temas têm sido falados, constatando a importância de criar mais espaço para aquilo que é o talento português e é nesse sentido que nós estamos a trabalhar em conjunto”, afirmou.

Óscar Tojo escusou-se a clarificar as propostas ou a possibilidade de regulamentar a limitação de estrangeiros ou a utilização de jovens, defendendo o caminho da “positividade”, dando como exemplo as recentes estreias de Daniel Banjaqui e Anísio Cabral na equipa principal do Benfica.

É mais no sentido de olhar mais para a positividade e não o proibir, criar espaço para que estes jovens possam ter o seu momento nas competições profissionais e, neste caso, na Liga (…). Acho que foi um momento de grande felicidade para todos nós, em particular para a equipa técnica e toda a estrutura dos sub-17, pelo sucesso de dois miúdos, que, há uns meses foram campeões do mundo, liderados pelo mister Bino”, concluiu.