Thiago Silva celebra regresso e lembra dificuldades: "2005 foi um dos piores anos da minha vida"

Thiago Silva foi o primeiro reforço de inverno do FC Porto
Thiago Silva foi o primeiro reforço de inverno do FC PortoFC Porto

Thiago Silva já está em Portugal para começar a treinar com a equipa do FC Porto, clube onde regressa quase 22 anos depois, com 41 anos de idade.

Thiago Silva é o novo número 3 do FC Porto e está preparado para entrar na dinâmica do líder da Liga Portugal, com sete pontos de vantagem para o Sporting, segundo classificado.

Em entrevista reproduzida pelo site oficial do clube, o internacional brasileiro mostrou toda a sua satisfação por regressar a Portugal e ao FC Porto, depois de uma passagem atribulada pelos dragões, devido a doença.

"É um momento único na minha vida. Quero agradecer ao FC Porto e ao presidente pela oportunidade de voltar aqui e vestir esta camisola pela segunda vez. Na primeira não tive a oportunidade de vestir a da equipa principal e de disputar a Liga, mas estou muito feliz e muito motivado por este meu regresso", disse.

"Acho que muitas coisas influenciaram o meu trabalho. Uma das principais situações foi a minha tuberculose, que descobri quando cheguei ao Porto. Enquanto estava a treinar e a jogar, não sabia o que me impedia de dar o máximo, mas não conseguia treinar bem, doía-me bastante o peito e a cabeça, mas nada foi diagnosticado. Saí para o Dínamo de Moscovo, fizemos uma bateria de exames para saber a razão dessa dor tão grande no meu pulmão e foi detetada a tuberculose. Eu não passo essa responsabilidade para os responsáveis do FC Porto, porque realmente não estava nas melhores condições", assumiu.

Os números de Thiago Silva
Os números de Thiago SilvaFlashscore

"Eu estava muito doente, dizem que eu joguei 14 jogos, mas eu não me lembro de ter jogado os 14 jogos. Passei um momento muito difícil, acho que foi um dos piores da minha vida, mas graças a Deus estou aqui para fechar este ciclo que não foi encerrado anteriormente", acrescentou.

O defesa, que revelou a sua admiração por Jorge Costa, chegou mesmo a ponderar terminar a carreira de forma precoce.

"2005 foi um dos piores anos da minha vida e da minha carreira. Havia um grande ponto de interrogação sobre se iria voltar a jogar futebol. Os médicos na Rússia queriam fazer a cirurgia ao meu pulmão e, se isso tivesse acontecido, provavelmente hoje não estaria aqui", admitiu.

"Tive alguns anjos de guarda na minha vida - o Ivo Wortmann, os meus empresários e a minha família - que fizeram com que eu parasse o tratamento na Rússia e voltasse para o Porto para terminar e ter uma segunda opinião. Depois, o especialista disse para eu ficar tranquilo porque voltaria a jogar. Isso deixou-me mais tranquilo, mas com uma responsabilidade e um objetivo grande de voltar um dia para a Europa e jogar ao mais alto nível", afirmou.

Já sobre a atualidade portista, Thiago Silva destacou o triunfo sobre o Santa Clara e assumiu o desejo de vencer a Liga Europa.

"Vi uma equipa com todas as capacidades para ir aos Açores e conseguir o resultado positivo, mas ao mesmo tempo ciente de que não seria um adversário fácil de ser batido. No Brasil falou-se, há uns meses, do Vasco Matos e, a partir desse momento, começámos a acompanhar um pouco mais o trabalho dele, então eu sabia que não seria um jogo fácil", contou.

"Foi um jogo duro, mas eu acho que o FC Porto foi quem mais se entregou ao jogo e quis vencer, por isso foi merecedor da vitória apesar do erro grotesco do guarda-redes adversário, que acontece no futebol".

"As pessoas dizem-me sempre que nunca ganhei a Liga Europa. Isso acontece porque eu nunca joguei a competição. Este ano tenho essa oportunidade, espero que possamos fazer uma grande temporada e que nesta segunda parte possamos manter o alto nível exibicional, porque eu acho que, quem quer chegar longe e vencer títulos, não pode ficar satisfeito com uma vitória", atirou.

Por fim, o defesa falou ainda de Farioli e assumiu o desejo de voltar a representar a seleção do Brasil, apesar dos 41 anos.

"Eu estou muito feliz por estar aqui, muito alegre, sinto-me leve. Quando vejo pela televisão os jogos, o pós-jogo, a comemoração dos golos, é raro ver uma equipa assim. Se virmos as fotografias do pós-jogo, nota-se o sentimento que a equipa tem".

"Eu acho que o míster Farioli tem uma grande quota-parte de responsabilidade nisso. Se pudermos chegar ao final da época e premiar a equipa técnica com um título, seria incrível, porque eu acompanho a carreira do treinador e sei o que passou no Ajax, quando perdeu um título que estava praticamente ganho", destacou.

"Sou um dos principais capitães em Mundiais da seleção brasileira, isso deixa-me muito feliz, mas não por completo, porque acho que faltou a cereja no topo do bolo para completar tudo isto. Acho que ainda não está terminado este percurso, ainda temos oportunidades, mas com certeza isso deu-me um extra que agora quero trazer para ajudar a equipa técnica, os jogadores e os adeptos a voltarem a festejar o título nacional", concluiu, sobre a seleção do Brasil.