Enquanto o presente de Messi continua ligado ao Inter Miami, no Parque Independência trabalha-se discretamente para tentar aquilo que seria o desfecho perfeito de uma carreira única: jogar no clube onde se formou antes de partir para Barcelona.
Um desejo histórico que regressa ao palco
Messi deu os primeiros passos no futebol no Club Abanderado Grandoli e depois desenvolveu-se nas camadas jovens do Newell’s até aos 13 anos. A história da sua saída para a Europa é conhecida: o clube não conseguiu suportar o tratamento hormonal e o Barcelona abriu as portas a uma lenda.
Desde então, o laço emocional nunca se quebrou. O próprio Leo manifestou em várias ocasiões o seu desejo de jogar no futebol argentino com a camisola leprosa, embora com o passar do tempo essas declarações tenham parecido esbater-se entre compromissos, mudanças e contextos complicados.
A chegada ao Inter Miami, depois da passagem pelo PSG, parecia ter colocado um ponto final. No entanto, em Rosário acreditam que, enquanto Messi continuar em atividade, a oportunidade existe.
Operação Messi 2027 está em andamento
A novidade é que, por parte da atual direção do Newell’s, reconhece-se que o projeto deixou de ser apenas uma expressão de desejo. O presidente, Ignacio Boero, mesmo antes de assumir funções, já tinha tornado pública a sua intenção de tentar trazer Messi.
Nos últimos meses, essa ideia começou a ganhar forma com reuniões concretas. Segundo foi possível apurar, já houve contactos com Jorge Messi, em encontros que contaram com a presença de dirigentes do clube e representantes do Governo da Província de Santa Fé. O objetivo foi claro: avaliar a possibilidade de Lionel jogar um semestre no Newell’s durante 2027.
As sensações após essas conversas foram positivas. Não houve promessas nem decisões, mas sim um ambiente recetivo que permitiu continuar a avançar.

Infraestruturas, segurança e apoio político
O plano não se limita ao aspeto desportivo. Província e clube trabalham em conjunto num projeto integrado que inclui segurança, logística e infraestruturas, com o objetivo de garantir a Messi um ambiente adequado.
No Newell’s, tomam como referência o processo que permitiu o regresso de Ángel Di María ao futebol rosarino, embora reconheçam que o impacto de Messi é incomparável. Por isso, além do clube e da província, a AFA e até o Governo Nacional poderão ter um papel fundamental se o projeto avançar.
A mensagem interna é clara: Rosário e o Newell’s devem estar preparados antes de iniciar negociações sérias.
Realismo e contexto: o outro lado do sonho
Apesar da esperança, no Parque Independência não perdem de vista a realidade. O clube carrega uma dívida superior a 35 milhões de dólares e vem de épocas complicadas, tendo mesmo lutado para não descer de divisão.
A atual direção herdou uma instituição fragilizada, com urgências desportivas e financeiras. O foco imediato está em estabilizar a equipa, equilibrar as contas e recuperar a competitividade. Pensar em Messi neste momento parece distante, mas é precisamente por isso que o horizonte apontado é 2027.
Quão real é a possibilidade?
No Newell’s são cautelosos: ninguém promete nada. A decisão final será exclusivamente de Lionel Messi. Mas também percebem que, pela primeira vez em muito tempo, o clube está a fazer a sua parte para que o sonho não dependa apenas da nostalgia.
Se as condições se alinharem — desportivas, familiares, de segurança e de contexto nacional —, a possibilidade existe. Distante, difícil, mas real.
Enquanto isso, Rosário espera. E o Newell’s trabalha para que, se chegar o momento, o desfecho da história seja em casa.
