“O Moçambola 2026 será disputado num sistema clássico, de todos contra todos, em duas voltas, mas com uma particularidade de combinação de jornadas. Esta medida visa reduzir o custo operacional das viagens das equipas de uma cidade à outra”, explicou na sexta-feira o presidente da Liga Moçambicana de Futebol (LMF), Alberto Simango.
Simango avançou que esta estratégia de combinação de jornadas é uma inovação que tem como base a organização das deslocações, permitindo que, por exemplo, as equipas que saiam do norte para o sul do país realizem dois ou mais jogos na mesma viagem, com um dia intermédio para treinos, antes de regressarem às respetivas províncias.
“A logística de duas viagens não é igual à logística de uma viagem. Logo, os custos vão baixar de forma significativa”, acrescentou o presidente da LMF, reconhecendo que as equipas poderão permanecer mais de dois dias fora, em cada saída, mas assegurando que o modelo foi consensualizado com as respetivas direções.
De acordo com a liga, o novo figurino permitirá reduzir de 4.000 para 2.300 passagens aéreas numa época, o que representa um corte próximo de 50% nos custos com transporte, traduzindo-se numa poupança estimada em 73 milhões de meticais (974 mil euros), quando no anterior modelo a fatura com passagens aéreas era superior a 140 milhões de meticais (1,8 milhões de euros).
Simango garantiu ainda que já foram assegurados parceiros para cobrir o esforço financeiro necessário, sublinhando que o objetivo é “ter um Moçambola tranquilo do princípio ao fim”, o qual deverá arrancar após o final de março e com a previsão de a liga assinar na próxima semana, com a Federação Moçambicana de Futebol (FMF), um novo acordo para organizar a competição, que contará em 2026 com 14 clubes.
A época de 2025 do Moçambola ficou marcada por sucessivos reajustes do calendário e suspensão da competição devido a problemas logísticos e financeiros. Em julho, a prova foi interrompida por duas semanas devido à indisponibilidade da companhia aérea estatal Linhas Aéreas de Moçambique em assegurar o transporte das equipas, alegando dívidas acumuladas desde 2024, o que obrigou à mobilização de empresas para o seu financiamento.
Em dezembro, a LMF encerrou a edição após 24 das 26 jornadas previstas, confirmando a União Desportiva do Songo como campeã nacional, num desfecho condicionado por dificuldades financeiras e administrativas, sendo que a classificação continua por homologar, mais de dois meses depois.
A LMF sustenta que o novo modelo logístico para 2026 representa uma resposta estrutural às fragilidades expostas na época anterior, mantendo o formato competitivo, mas ajustando a gestão financeira num contexto de maior prudência no futebol moçambicano.
