Os números de Flaco López ao longo de três temporadas completas pelo Palmeiras — a transferência do Lanús ocorreu em julho de 2022 — mostram um desempenho interessante, apesar de alguns altos e baixos. O avançado deve ser um peça-chave na primeira partida da final do Paulistão, esta quarta-feira, às 23:00, contra o Novorizontino.
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As dificuldades enfrentadas na Argentina, no início da carreira, moldaram o estilo mais híbrido do atacante argentino, que nem sempre atuou como um típico ponta de lança.

“A mudança de posição foi muito importante para ele, porque jogar como médio é muito diferente de jogar como atacante: manejo do corpo, jogar de costas, uso dos braços. Ele já era alto nessa idade, mas não cabeceava bem. E, quando eu era criança, tive o mesmo problema. Então incuti nele o que me ensinaram: coordenar bem os passos e tentar acertar a bola no ponto mais alto do salto”, disse o ex-central Gabriel del Valle Medina ao jornal argentino La Nación no ano passado, exatamente quando Flaco López foi convocado pela seleção da Argentina.

O ex-jogador era membro da equipa técnica dos escalões de formação do Lanús quando o então jovem José López, aos 17 anos, chegou para ser testado no clube. Ainda seria emprestado, em 2019, ao Colegiales de Tres Arroyos para disputar uma temporada de um dos campeonatos regionais argentinos.
Os campos precários e os adversários duros que enfrentou moldaram-no ainda mais.

A troca do grená pelo verde
De volta ao Lanús, tudo começou de facto com Luis Zubeldía, mas não antes de a pandemia quase encerrar precocemente a carreira de Flaco López. Um ano e meio depois, tornar-se-ia a venda mais cara da história do clube grená: o Palmeiras comprou-o por 10 milhões de euros.
Os treinos para aprimorar o jogo aéreo surtiram efeito, pelo menos nas duas primeiras temporadas do argentino no Brasil. Em 2023, quando foi artilheiro do Paulistão, dos 10 golos marcados, 6 foram de cabeça.
No ano seguinte foram 2, de um total de 4 no mesmo campeonato. Em 2025, quando Flaco começou a ser chamado à atenção publicamente por Abel Ferreira — “ele precisa de mostrar mais vontade” —, houve apenas uma cabeçada certeira, num total de 5 golos.

Parte desses golos devem-se à redescoberta de um Flaco mais móvel após a chegada de Vitor Roque. Os seus números com o Verdão são superlativos e revelam um atacante que vai além da presença física na área: participa na construção, pressiona a saída adversária e amplia o reportório ofensivo da equipa.
Apenas pelo Verdão, o camisola 42 tem 192 jogos (110 como titular), 63 golos e 16 assistências. Flaco é o artilheiro do plantel em 2026, com 6 golos.

O Tigre pode reescrever a história?
Os palmeirenses nascidos nos anos 1970 ou antes ainda se lembram, com tristeza, de 1986. A equipa ia em 10 anos sem títulos e tudo conspirava para o fim do jejum. A final do Paulista, que naquele tempo tinha peso semelhante ao do Brasileirão, seria disputada em dois jogos no Morumbi, contra a Inter de Limeira, dirigida por Pepe, o Canhão da Vila, que atuara ao lado de Pelé no Santos.
Depois de um empate 0-0, a noite de 3 de setembro daquele ano seria histórica — mas para o clube do interior. Pela primeira vez, um grande sucumbia a um pequeno na final do Estadual.
Algo que se pode repetir em 2026, mas com um dado ainda mais significativo: nunca uma equipa do interior conquistou o título vencendo um grande dentro da própria casa na partida derradeira.

Se, em 1986, o Palmeiras livrou-se de jogar em Limeira, em 2014, quando algo semelhante ocorreu, a segunda partida foi disputada no Pacaembu — e o Ituano venceu o Santos nos penáltis.
O Tigre do Vale — alcunha do Novorizontino — pode também tornar-se no primeiro clube na história do Paulistão, disputado desde 1902, a conquistar o título eliminando três grandes do Estado na fase a eliminar – que existe mais ou menos nos mesmos moldes desde 2002.
Santos e Corinthians já caíram no estádio Doutor Jorge Ismael de Biasi, o Jorjão, palco da segunda partida no domingo.
Favoritismo alviverde e força coletiva do interior
Deixando a história de lado, o Palmeiras chega como favorito ao título na sua sétima final consecutiva do estadual. O Verdão fica atrás apenas do Santos, que alcançou oito decisões seguidas, entre 2009 e 2016.
A equipa, muito provavelmente, será a mesma que controlou o São Paulo, novamente com Roque e Flaco à frente — não apenas atacando, mas sendo decisivos na marcação sob pressão que o Palmeiras costuma exercer.
Do lado do Novorizontino, o conjunto montado por Enderson Moreira é o maior trunfo do aurinegro. Soma-se a isso a recuperação técnica, em comparação com 2025, dos artilheiros Rômulo e Robson. Dos 19 golos marcados pelo Tigre do Vale, só três não tiveram a participação de um ou de outro.

A direção do Novorizontino, porém, não pagará a multa para utilizar Rômulo, que pertence ao Palmeiras. Por contrato, não pode atuar gratuitamente contra o clube que detém os seus direitos económicos. A marcação é o ponto forte da equipa do interior paulista, fundado em 2010.
O Novorizontino, vice-campeão em 1990, na final contra o Bragantino, dirigido por Nelsinho Baptista, era tecnicamente outro clube — apesar do nome e das cores iguais.
