A difícil herança de Pep Guardiola: os sinais de alerta para o próximo treinador do City

Pep Guardiola, treinador do Manchester City
Pep Guardiola, treinador do Manchester CityMark Cosgrove/News Images / Avalon / Profimedia

Pep Guardiola pode estar de saída do Manchester City no final da presente temporada e há uma questão que se levanta na cidade inglesa: quem será o sucessor?

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Embora tal cenário provocasse um verdadeiro terramoto no mundo do futebol, os rumores de que Pep Guardiola poderá abandonar o cargo de treinador principal dos cityzens no final da presente época estão novamente a ganhar força.

Conversas informais em curso?

Apesar de nada ter sido oficializado até ao momento, fontes bem informadas sugerem que estão a decorrer conversas discretas com representantes de possíveis sucessores, o que indica que o clube está efetivamente a preparar-se para a saída de Pep.

Naturalmente, não se pode ignorar que, no final da temporada 2025/26, Guardiola terá completado 10 anos, muitas vezes exigentes, ao comando da equipa.

Depois de apenas quatro temporadas no Barcelona, tirou um ano sabático antes de rumar ao Bayern Munique, onde três épocas na Baviera foram suficientes.

Por isso, a direção e os adeptos do City têm de estar eternamente gratos por Pep ter permanecido tanto tempo no cargo, e certamente compreenderão e aceitarão os motivos da sua eventual saída, caso tal se confirme.

Semelhanças com o fim do reinado de Sir Alex

Em muitos aspetos, há paralelismos com o final do reinado de Sir Alex Ferguson no Manchester United.

Não se trata apenas de um vencedor nato a deixar o clube, mas de uma personalidade marcante, que influenciou todos os aspetos da instituição para tornar a equipa vencedora. Nada foi deixado ao acaso na busca pela consistência. Pela glória. Pela perfeição.

Tal como aconteceu com Sir Alex, Guardiola será um desafio muito difícil de superar. Basta perguntar a David Moyes, Louis van Gaal, José Mourinho, Ole Gunnar Solskjaer, Ralf Rangnick, Erik ten Hag e Ruben Amorim

O registo de Guardiola enquanto treinador é, de facto, impressionante e dá uma ideia do que qualquer novo responsável do City terá de tentar igualar.

O registo incrível de Pep na Premier League

Recentemente, quando a sua equipa venceu por 2-0 o Galatasaray na Liga dos Campeões, Guardiola celebrou a sua 400.ª vitória em todas as competições como treinador do City, um marco que atingiu mais rapidamente do que qualquer outro treinador na história da principal divisão inglesa.

Para contextualizar a dimensão deste feito, Pep precisou apenas de 569 jogos para o alcançar, enquanto Àrsene Wenger necessitou de 696 partidas e Sir Alex de 732.

Essa vitória também lhe permitiu somar mais 180 triunfos do que o lendário treinador do City, Les McDowall (1950-1963), e foi a sua 117.ª vitória na Champions League, apenas sete menos do que o registo de Carlo Ancelotti na principal competição europeia (124).

Ao longo da sua carreira no City, só não conseguiu vencer frente ao Al Hilal, Wigan Athletic, Lyon, Bodo/Glimt, Bayer Leverkusen e Celtic.

40 troféus conquistados como treinador

40 troféus conquistados desde os tempos do Barcelona B são o padrão de excelência a que os outros terão de aspirar (e igualar), e não se pode ignorar que Pep revolucionou a forma como o jogo é disputado na LaLiga, Bundesliga e Premier League.

Os três nomes que, nesta fase, têm sido apontados como possíveis sucessores do catalão são Xabi Alonso, Enzo Maresca e Cesc Fàbregas.

Todos têm, de alguma forma, ligação a Guardiola.

Maresca foi um dos seus adjuntos no City e, por isso, conhece perfeitamente o funcionamento do clube, o rumo que está a tomar, etc., e o facto de estar atualmente sem clube torna-o um candidato destacado.

Alonso também procura emprego, jogou sob o comando de Pep no Bayern, mas pode acabar por regressar ao Liverpool caso os reds decidam dispensar Arne Slot.

Fàbregas tem feito um trabalho notável no Como, que ocupa atualmente o sexto lugar na Serie A, apenas seis pontos atrás do segundo classificado, o AC Milan, e sabe-se que tem um acordo para só sair dos italianos caso surja uma proposta de um grande clube europeu.

Os potenciais sucessores partilham a mesma filosofia

Cesc juntou-se a Guardiola apenas na última época deste em Barcelona, e, tal como Alonso e Maresca, partilha a mesma filosofia futebolística do seu contemporâneo.

Alonso tem no currículo uma temporada invicta e recordista na Bundesliga com o Leverkusen, além de uma passagem menos feliz pelo Real Madrid, enquanto Maresca pode orgulhar-se de ter conquistado o Championship com o Leicester e o Mundial de Clubes com o Chelsea, mesmo que a sua passagem pelos Blues tenha terminado de forma atribulada.

No entanto, nenhum dos três é Pep Guardiola. É precisamente isso que pode ser um problema para a direção do City e para os adeptos, tal como aconteceu e continua a acontecer com o rival da cidade, o United.

Mesmo agora, passados 13 anos desde que Sir Alex se retirou do comando técnico dos red devils, continua a falar-se em 'regressar aos anos de glória' sob a liderança do escocês, e as redes sociais do clube são sempre as primeiras a assinalar o seu legado – todos os anos desde a sua reforma.

Esse tem sido um peso para qualquer treinador que assumiu o cargo no Teatro dos Sonhos.

Por isso, se o City não quiser cair na mesma armadilha, terá de ponderar muito bem a escolha do novo treinador e, depois, não sobrecarregar quem for escolhido com a pressão de ser o "novo Pep".

Artigo de Jason Pettigrove
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