Análise: Chelsea deposita todas as esperanças no frágil Cole Palmer

Cole Palmer frente ao West Ham
Cole Palmer frente ao West HamReuters/Peter Cziborra

Quinto classificada na Premier League, o Chelsea tem um mês de março bastante preenchido. Este começa com um importante dérbi londrino frente ao Arsenal. Um evento para o qual Cole Palmer é esperado pelos adeptos... e pela equipa técnica dos Blues, apesar da sua condição física.

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Foi o intenacional inglês quem mais carregou o clube londrino esta época. Cole Palmer é simplesmente o autor de oito golos em 16 jogos da Premier League, além de um golo e duas assistências em dois jogos da Liga dos Campeões. Neste mês de fevereiro, provou ser indispensável à equipa, ao destacar-se frente ao Wolverhampton e ao Leeds (vitória por 3-1 e empate 2-2).

Pilar do ataque de Liam Rosenior ao lado de Joao Pedro, o inglês ainda tem muito por fazer. E, infelizmente, o seu corpo nem sempre acompanha. Um problema, tendo em conta que março promete ser especialmente exigente para os Blues.

Um jogador "esgotado"

O mínimo que se pode dizer sobre o Chelsea é que a equipa não tem parado. Depois de conquistar o Mundial de Clubes em julho passado, voltou ao trabalho para lutar pelo top 5 inglês. Assim, garantiu uma vaga direta nos oitavos de final da Liga dos Campeões e ocupa a quinta posição na Premier League (antes da 28.ª jornada).

Nesta luta, esta época, Palmer foi uma figura central. Mais do que uma referência, assumiu e desempenhou o papel de líder ofensivo da equipa. No entanto, após tantos jogos de alta intensidade, o avançado ora mostra-se dinâmico, ora revela alguma fragilidade. A tal ponto que a Associação de Futebolistas Profissionais Ingleses (PFA) soou o alarme no final de fevereiro.

"Estive no estágio do Chelsea no início da época", revelou Maheta Molango, diretor-geral da PFA: "Quando regressaram, estavam exaustos, completamente desgastados. O Palmer voltou das férias pós-Mundial totalmente esgotado. Estamos a levar os jogadores ao limite."

Uma prova destas palavras é o número de jogos disputados pelo jogador. Palmer (23 anos) participou apenas em 19 dos 42 encontros realizados pelo Chelsea este ano. Sofreu lesões na virilha, no pé e depois na coxa. Além disso, recentemente, tocou menos vezes na bola dentro das áreas adversárias e falhou mais dribles.

E, mesmo esforçando-se por apresentar-se ao seu melhor nível – a julgar pelas exibições deste mês de fevereiro, a preocupação mantém-se. Porque, apesar de ter assinado um hat-trick frente ao Wolverhampton (dois deles de penálti) e de ter marcado e assistido contra o Leeds, o inglês acaba por disfarçar as fragilidades de uma equipa que nem sempre corresponde.

Um coletivo entre fadiga, adaptação e competição

Duas vitórias, dois empates, em todas as competições. O registo recente do Chelsea está longe de ser brilhante. Contudo, seria surpreendente que fosse diferente. Afinal, para além do desgaste físico e do nível de exigência, os jogadores também tiveram de lidar com uma mudança de treinador a 10 de janeiro. Rosenior substituiu Enzo Maresca, depois de o italiano ter decidido sair, em desacordo com a direção do clube.

Parte da estratégia do treinador inglês passa por fazer a equipa girar em torno de um centro de gravidade: Palmer. A outra é potenciar a ligação com João Pedro. Se antes, com Maresca, o inglês era ponta de lança, agora passou a jogar como n.º 10, atrás do seu colega brasileiro. À sua volta, os restantes jogadores também se adaptaram. O meio-campo ocupa mais largura no relvado e constrói de forma mais rápida para os avançados. Mas isso também exige mais esforço físico. O equilíbrio ainda está por encontrar, embora a equipa não tenha sofrido qualquer derrota no Campeonato desde a chegada de Rosenior.

O destino do Chelsea frente ao Arsenal, a 1 de março, permanece em aberto. Os Gunners foram os únicos a derrotar os Blues sob o comando do novo treinador, tanto na primeira como na segunda mão da meia-final da Carabao Cup (4-2 no total). Palmer deverá estar presente e terá de voltar a superar-se. O resto da equipa terá de acompanhá-lo. A vitória pode, por isso, depender da frescura daquele a quem chamam "Cold Palmer".

Os números de Cole Palmer
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