Reveja aqui as principais incidências da partida
Antes do apito inicial, o City já sabia que Guardiola só tinha conseguido vencer uma vez em Anfield ao serviço do clube, e esse triunfo aconteceu quando os adeptos estavam impedidos de entrar nos estádios devido à pandemia de Covid.
Como sinal do respeito entre as duas equipas, Arne Slot manteve o mesmo onze do jogo anterior dos Reds, enquanto Guardiola apenas trocou Rayan Cherki por Omar Marmoush.
Nas duas ocasiões anteriores em que Slot apostou no mesmo onze em casa para a Liga – 0-1 frente ao Nottingham Forest em setembro de 2024 e 1-2 diante do Manchester United em outubro de 2025 – o Liverpool saiu derrotado.
Mo Salah cumpriu a sua 286.ª titularidade na Premier League pelos anfitriões, ultrapassando Pepe Reina na lista de sempre do clube, enquanto Bernardo Silva somou a sua 16.ª presença na Premier League frente ao Liverpool (e nona em Anfield), registos máximos para um jogador do Manchester City.
Com 20 golos antes do início da partida, Erling Haaland liderava destacado a corrida pelo prémio de melhor marcador da Premier League esta época, e logo aos dois minutos já tinha assinado o primeiro remate enquadrado do encontro.
Só uma equipa em campo
Esse foi o seu 88.º remate na Liga esta temporada, mais um momento de destaque a que poucos conseguem aspirar.
Aos 11 minutos, o City já tinha somado mais dois remates, enquanto Salah só tinha tocado uma vez na bola – o mesmo número que Haaland, embora o norueguês tenha pelo menos conseguido rematar à baliza.
Na verdade, só se via uma equipa em campo nos minutos iniciais, já que, aos 20 minutos, o Liverpool tinha completado apenas 45 passes, o registo mais baixo em Anfield desde fevereiro de 2014 (43 frente ao Arsenal).

No capítulo da circulação de bola, os anfitriões estiveram sempre em dificuldades, e muitos dos problemas iniciais para tentar equilibrar o jogo resultaram da falta de precisão a sair de trás, com Virgil van Dijk a destacar-se pela negativa.
De facto, a sua taxa de acerto de 64,4% foi das piores em campo, o que incentivou ainda mais um City faminto a manter-se sempre por cima.
Apontar ao neerlandês parece ser uma estratégia que várias equipas adversárias têm tentado ultimamente e, embora poucos em Anfield o admitam, van Dijk tornou-se claramente um elo mais fraco nos últimos tempos.
Szoboszlai pronto para a batalha
Pelo menos em Dominik Szoboszlai, o Liverpool tinha um jogador disposto a ir à luta com o City, com o húngaro a vencer seis duelos individuais na primeira meia hora, três vezes mais do que qualquer outro em campo.
Mais tarde, viria a ter influência direta no desenrolar do jogo, e os seus 114 toques de bola ao longo dos mais de 90 minutos foram pelo menos 42 acima de qualquer colega de equipa.

Para além disso, recuperou a posse de bola em oito ocasiões distintas – nenhum outro jogador, de qualquer equipa, igualou esse registo – e nenhum jogador do Liverpool fez mais do que os seus dois remates enquadrados.
Apenas Marc Guehi, do City, igualou as 12 entradas de Szoboszlai no último terço, o que demonstra uma exibição de altíssimo nível do médio.
Diferença notória ao intervalo
Ao intervalo, a diferença de qualidade era gritante. O Liverpool não tinha conseguido um único remate enquadrado, enquanto os visitantes somaram o maior número de remates (10) numa primeira parte em Anfield desde que há registos da Opta (2003/04).
Os Reds devem ter ouvido bem o puxão de orelhas de Slot ao intervalo, pois, 11 minutos depois do reatamento, já tinham rematado mais vezes (quatro) do que em toda a primeira parte (três).
Sentia-se finalmente que o jogo estava a tornar-se muito mais equilibrado, com os adeptos da casa a responderem e o ambiente a aquecer.
À passagem da hora de jogo, era o Liverpool que tinha 72% de posse de bola desde o intervalo, embora ainda não tivesse conseguido transformar esse domínio em golos.
A luta a meio-campo começou a aquecer, com Szoboszlai novamente em destaque pelos anfitriões. A ligação com Florian Wirtz e Ryan Gravenberch começava a dar frutos, embora a troca de passes entre Bernardo Silva e Matheus Nunes mantivesse o City a controlar o ritmo sempre que parecia que o Liverpool podia assumir o comando.
Golo inaugural de levantar o estádio
Quando o primeiro golo surgiu, foi de levantar o estádio. O Liverpool beneficiou de um livre a cerca de 10 metros da área do City, e os visitantes não se podem queixar de falta de aviso, já que Szoboszlai preparou-se para bater a bola. Já tinha marcado um livre especial de posição semelhante frente ao Arsenal esta época, mas este foi ainda melhor.
Apesar de o lance ter sido central para o golo de Gianluigi Donnarumma, a execução do húngaro foi tão perfeita que o guarda-redes italiano nem se mexeu quando a bola entrou.
Foi o seu quarto golo nesta edição da Premier League (e o terceiro de livre direto – igualando o máximo numa época desde que James Ward-Prowse também marcou três em 2022/23), um golo que parecia decisivo, tendo em conta que os Reds não tinham perdido nenhum dos últimos 12 jogos em que marcaram primeiro, e o City não tinha vencido nenhum dos últimos quatro em que concedeu o primeiro golo.
Liverpool desmorona nos instantes finais
Antes de Haaland assistir Silva a seis minutos do fim, contra a corrente do jogo, o City tinha apenas um remate enquadrado nas últimas quatro segundas partes na Premier League, graças ao 56.º remate de Antoine Semenyo neste encontro.
Apesar de o empate parecer o desfecho mais provável, um erro de avaliação de Alisson Becker ao derrubar Matheus Nunes já em tempo de compensação permitiu a Haaland converter o penálti, somando o seu terceiro êxito consecutivo da marca dos onze metros desde que falhou frente ao Liverpool em novembro.
Ainda houve tempo para Rayan Cherki marcar a partir do seu próprio meio-campo antes de o VAR intervir, com o árbitro Craig Pawson a anular o golo e a expulsar Szoboszlai por agarrar Haaland na corrida à bola.
Foi um final inglório para mais um duelo repleto de ação entre estes dois gigantes da Premier League.

