Análise: O que esperar do Chelsea de Liam Rosenior?

Rosenior deverá assumir o Chelsea
Rosenior deverá assumir o ChelseaSteve Welsh, PA Images / Alamy / Profimedia

Liam Rosenior é o principal favorito para assumir o comando do Chelsea após a saída de Enzo Maresca. Eis o que o clube pode esperar do atual treinador do Estrasburgo.

O Chelsea e Enzo Maresca separaram-se, e tudo isto é tão confuso como um casal estranho do secundário. Ambos os lados estão a enviar comunicados para a imprensa e é impossível perceber em quem acreditar.

Fontes do clube afirmam que a relação ficou deteriorada devido à aparente ambição de Maresca em suceder a Pep Guardiola no Manchester City, enquanto quem está próximo do italiano garante que ele já não suportava a microgestão constante dos diretores desportivos e do co-proprietário Behdad Eghbali, que se intrometiam nas escolhas da equipa.

O que parece certo é que Liam Rosenior deverá chegar do clube-irmão Estrasburgo para tentar salvar o dia, provavelmente porque nenhum outro treinador com amor-próprio aceitaria sequer aproximar-se deste cargo. Assim, eis o que o Chelsea pode esperar do seu possível novo treinador.

Uma mudança de sistema?

Maresca foi, provavelmente, um dos melhores estrategas da Premier League durante o seu tempo no Chelsea, adaptando a equipa consoante o adversário e conseguindo bons resultados frente aos grandes, mas foi nos jogos que o Chelsea “deveria” ter vencido que acabou por falhar.

Ainda assim, manteve-se fiel à decisão de jogar em 4-2-3-1, embora o sistema variasse com e sem bola, com os laterais a subir no terreno ou a fechar por dentro no momento de construção.

Rosenior tem apostado num 3-4-3 no Estrasburgo, pelo que poderemos ver o Chelsea a transformar-se numa equipa de três centrais caso/assim que assuma o comando. Naturalmente, há mais para além do sistema na forma como a equipa do antigo treinador do Hull joga.

Analisando os jogadores mais influentes do Estrasburgo, Diego Moreira destaca-se. Curiosamente, esteve ligado ao Chelsea durante um ano antes de ser enviado para o clube-irmão em agosto de 2024.

Moreira é o ala/esquerdo do Estrasburgo, jogando essencialmente em toda a faixa esquerda, dando largura a um trio ofensivo composto por dois “números dez” abertos e um ponto de referência no “nove”. O lado direito funciona de forma semelhante, mas ainda não encontraram alguém tão eficaz como Moreira.

Que jogadores do Chelsea podem beneficiar com Rosenior?

O Estrasburgo não é tão obcecado pela posse como o Chelsea de Maresca, com a equipa de Rosenior a registar uma média de 52,8% de posse nos seus 16 jogos da Ligue 1. Claro que, no caso dos franceses, não se espera que dominem os jogos como o Chelsea.

Em teoria, jogadores que se destacam em transições podem ser os grandes beneficiados. Pedro Neto começou a época de forma notável, já marcou mais golos na Premier League esta temporada (5) do que em 2024/25 (4). No entanto, o que mais distingue o internacional português é a sua capacidade de trabalho. Neto pode muito bem ser a resposta do Chelsea a Moreira. Recuperou a bola dez vezes no último terço, fez 50 recuperações e só foi ultrapassado em drible por adversários em 12 ocasiões.

“E o Marc Cucurella?!” perguntam. Ora, o espanhol é um lateral mais tradicional do que um ala, é muito mais forte a defender do que a atacar, tendo conseguido anular jogadores como Bukayo Saka e Lamine Yamal esta época, pelo que pode adaptar-se ao papel de central-esquerdo num eventual trio defensivo.

Um jogador que tem sentido grandes dificuldades para se adaptar à vida no Chelsea, mas que pode começar a afirmar-se com Rosenior, é Liam Delap. Importa sublinhar: Delap não é um ponta de lança fixo, não se deixem enganar, é apenas um jogador físico, que não se importa de lutar com os defesas adversários.

Um ponta de lança fixo gosta de jogar de costas para a baliza, mas não é aí que Delap se destaca. No Ipswich, muitas vezes teve de criar as suas próprias oportunidades em contra-ataque, com movimentações e posicionamento inteligentes, apesar das poucas ocasiões.

Se Rosenior estiver disposto a permitir que os adversários tenham mais bola do que Maresca permitia, Delap pode tirar partido da sua força e velocidade quando a equipa subir no terreno.

Mas será que isto importa?

A resposta é: não muito. O Chelsea é gerido por um grupo enigmático de diretores desportivos e proprietários que nunca dão a cara nem assumem responsabilidades. O “projeto” é soberano e o treinador não passa de um mero executante.

Rosenior é, sem dúvida, muito inteligente. Expressa-se de forma brilhante, e o vídeo do seu discurso ao balneário voltou a circular nas redes sociais desde que foi associado ao Chelsea, mas está condenado ao fracasso num clube que não valoriza o “treinador”.

Enquanto quem detém o verdadeiro poder continuar a agir nas sombras e sem escrutínio, pouco importa quem orienta os treinos, o Chelsea não vai lutar pelos grandes troféus tão cedo.

Veredito

Rosenior fez, sem dúvida, um trabalho notável no Estrasburgo, mas o Chelsea é um desafio completamente diferente e esta mudança parece chegar demasiado cedo para o inglês. Esperamos estar a escrever um texto assustadoramente semelhante dentro de um ou dois anos.