Análise: Por que razão a derrota do West Ham frente ao Nottingham Forest é a pior de 2025/26

Nuno Espírito Santo, treinador do West Ham, após a derrota frente ao Nottingham Forest
Nuno Espírito Santo, treinador do West Ham, após a derrota frente ao Nottingham ForestMI NEWS / NURPHOTO / NURPHOTO VIA AFP

Pode parecer estranho considerar um jogo em janeiro como um autêntico duelo pela manutenção, mas não há como fugir ao facto de o West Ham - Nottingham Forest ser precisamente isso.

Recorde as incidências da partida

Após uma série terrível de resultados, em que os Hammers não venceram nenhum dos últimos 10 jogos, esta era a oportunidade para Nuno Espírito Santo, frente ao clube que o despediu antes de rumar ao leste de Londres, conquistar três pontos fundamentais e arrastar os Tricky Trees e outros clubes perigosamente próximos dos três últimos lugares.

Hammers a quatro pontos da salvação à entrada para o jogo

Já com quatro pontos de desvantagem à partida, este era simplesmente um jogo de ganhar ou ganhar para os Irons. Sem desculpas, sem "um ponto é melhor do que nada". Era obrigatório vencer.

Pelo menos, os anfitriões podiam recordar a forma como bateram o Forest de Nuno em agosto, vencendo por 3-0 no City Ground, embora a derrota por 0-3 frente ao Wolverhampton na última jornada – a primeira vitória dos Midlanders na Premier League à 20.ª tentativa para os homens de Rob Edwards – tenha sido bem mais reveladora do momento atual.

O Forest também tinha concedido três golos no jogo anterior, frente ao Aston Villa de Unai Emery, cada vez mais forte, em Villa Park.

Provavelmente, não era o momento ideal para Nuno Espírito Santo começar a mexer no onze, mas as quatro alterações em relação ao onze inicial de Molineux mostraram que foi isso mesmo que fez.

Jean-Clair Todibo, Tomas Soucek, Taty Castellanos e Lucas Paqueta entraram para os lugares de Callum Wilson – que já tinha marcado ao Forest esta época –, Freddie Potts, Soungoutou Magassa e Max Kilman.

Bowen cumpriu o 200.º jogo pelo West Ham

Castellanos tornou-se o 341.º jogador a representar os Hammers na competição, sendo que apenas o Chelsea utilizou mais de 300 jogadores diferentes desde o início da Premier League (308).

Tantas mudanças de jogadores ao longo da era Premier League explicam, em parte, a falta de sucesso dos Hammers nesse período.

O facto de o capitão do West Ham, Jarrod Bowen, estar a cumprir o seu 200.º jogo na Premier League pelo clube – tornando-se apenas o quarto a atingir essa marca depois de Mark Noble (373), Aaron Creswell (288) e Michail Antonio (220) – acabou por passar despercebido perante a importância do jogo.

Apesar de a 127.ª presença de Morgan Gibbs-White na Premier League pelo Forest não ser propriamente digna de destaque, permitiu-lhe igualar Scot Gemmill, ficando apenas atrás de Steve Chettle (174), Mark Crossley (162) e Ian Woan (132).

Oitavo golo concedido de canto pelo Forest

O novo avançado do West Ham, Castellanos, entrou logo em ação com o primeiro remate do jogo, ao segundo minuto, recebendo aplausos dos adeptos da casa, ansiosos por perceber que tipo de ponta-de-lança tinham à disposição.

O início foi cauteloso de ambos os lados, com algumas meias oportunidades, e o autogolo de Murillo para o Forest, aos 13 minutos, acabou por refletir o que se passava até então.

O cenário não era animador para os visitantes, que não tinham vencido nenhum dos últimos seis jogos da Liga em que concederam primeiro; no entanto, o West Ham também não tinha vencido nenhum dos quatro jogos anteriores em que marcou primeiro (3 empates, 1 derrota) – o último foi precisamente frente ao Forest em agosto.

Oitavo golo concedido de canto pelo Forest, apenas ligeiramente melhor do que os 11 do West Ham, o pior registo da principal divisão inglesa.

Scarles pode sair de cabeça erguida

O quinto golo dos Hammers nos primeiros 15 minutos de jogos da Liga esta época só é superado pelo Bournemouth (sete) em 2025/26, o que mostra que a equipa de Nuno Espírito Santo tem entrado forte, mas não tem conseguido capitalizar esse ímpeto inicial.

Ambas as equipas mostravam nervosismo com bola, sendo apenas Elliot Anderson a assumir a posse nos primeiros minutos.

As notas dos jogadores do West Ham frente ao Nottingham Forest
As notas dos jogadores do West Ham frente ao Nottingham ForestFlashscore

O jogo foi alternando, mas, como seria de esperar de duas equipas com dificuldades em somar pontos, houve pouco para entusiasmar junto das balizas.

O jovem Ollie Scarles, pelo menos, pode sair de cabeça erguida após uma primeira parte insípida, sendo o jogador da formação que venceu mais duelos (cinco) e fez mais desarmes (três) do que qualquer outro em campo.

Forest assumiu o controlo

Callum Hudson-Odoi acertou no ferro da baliza do West Ham perto do intervalo, a 10.ª vez que os londrinos foram salvos pelos postes, sendo apenas o Liverpool a ver a bola bater nos ferros mais vezes em 2025/26 (11).

O discurso ao intervalo de Sean Dyche tinha de ser eficaz, já que, desde o regresso à Premier League em 2022/23, o Forest ainda não tinha vencido nenhum jogo em que estivesse a perder ao intervalo (9 empates, 33 derrotas).

O Forest entrou claramente melhor na segunda parte, com uma eficácia de passe muito superior à do West Ham. Ola Aina liderou com 92,3%, sendo que apenas Neco Williams (72,7%) e Omari Hutchinson (76,5%) ficaram abaixo dos 80% entre os jogadores de campo do Forest.

Em contraste, apenas Crysencio Summerville (91,7%), Matheus Fernandes (87,8%) e Castellanos (81,8%) ultrapassaram essa fasquia nos anfitriões.

Isso acabou por penalizar o West Ham, e bastaram 10 minutos para Nicolas Dominguez restabelecer a igualdade para os visitantes, com o seu primeiro golo desde dezembro de 2023.

O Forest assumiu o controlo do jogo a partir daí, limitando o West Ham a apenas um remate de Bowen nos 15 minutos seguintes. O cartão amarelo por protestos a Nuno Espírito Santo evidenciou a sua frustração crescente, sabendo que o seu lugar podia estar em risco caso a equipa não vencesse.

Pelo menos, os anfitriões começaram a mostrar alguma reação na reta final, pressionando a baliza de Matz Sels com remates de vários jogadores, e chegaram a ter 68% de posse de bola nos 15 minutos após os 70.

Areola tomou decisão precipitada

Infelizmente, a maioria dos remates foi bloqueada ou saiu ao lado, e os que foram enquadrados não criaram perigo para o guarda-redes do Forest. Do outro lado, Alphonse Areola acabaria por ser protagonista, ao tomar uma decisão precipitada que custou caro à sua equipa.

Derrubar Gibbs-White quando tentava afastar um cruzamento resultou num penálti para os visitantes, a cinco minutos do fim.

O sexto penálti concedido esta época na Premier League é o registo mais elevado entre todos os clubes, e o quarto concedido por Areola desde 2022/23 deixa-o apenas atrás de Jose Sá (seis) nesse período.

O silêncio apoderou-se do Estádio de Londres, com um sentimento de inevitabilidade a tomar conta dos adeptos da casa. E, como seria de esperar, Gibbs-White converteu o castigo máximo, provocando uma debandada imediata das bancadas.

Os adeptos que ficaram fizeram questão de mostrar o seu desagrado, e o facto de o West Ham já ter perdido 15 pontos após estar em vantagem esta época é um retrato preocupante da situação atual.

A última série sem vitórias mais longa foi entre 23 de dezembro de 2006 e 4 de março de 2007, com 11 jogos, e Nuno Espírito Santo, se ainda estiver no cargo, não quererá igualar esse registo na próxima partida.

Jason Pettigrove
Jason PettigroveFlashscore