Análise: Três lições que tirámos após o empate (2-2) entre Chelsea e Bournemouth

A reação de Enzo Maresca ao tropeção do Chelsea
A reação de Enzo Maresca ao tropeção do ChelseaČTK / imago sportfotodienst / Paul Terry

Chelsea e Bournemouth protagonizaram um empate frenético a dois golos, em Stamford Bridge, esta terça-feira, 30 de dezembro. Eis três coisas que aprendemos com o jogo.

Recorde as incidências da partida

O Chelsea terminou 2025 de forma desapontante, ao não conseguir vencer um Bournemouth que não triunfa na Premier League desde o final de outubro. O cenário não é animador para a equipa de Enzo Maresca, que se afasta ainda mais dos lugares de acesso à Liga dos Campeões.

David Brooks inaugurou o marcador logo aos seis minutos, após um lançamento lateral de Antoine Semenyo que causou autêntico caos entre os defesas do Chelsea. Não foi a primeira vez, e provavelmente não será a última, que assistimos a algo do género.

Cole Palmer restabeleceu a igualdade da marca dos onze metros, depois de Semenyo ter derrubado Estêvão. Não terá sido a prenda de despedida que o extremo gostaria de deixar aos adeptos do Bournemouth, mas podia ter sido pior.

Enzo Fernández colocou o Chelsea em vantagem graças a uma excelente jogada de Alejandro Garnacho, mas a liderança durou pouco, já que Justin Kluivert voltou a empatar quatro minutos depois.

Chelsea está à deriva

Ao contrário do que aconteceu na derrota por 2-1 frente ao Aston Villa, na jornada anterior, o Chelsea esteve completamente desorganizado na primeira parte. Parecia que sempre que o Bournemouth atacava, marcava, mas felizmente para os londrinos, conseguiram, de certa forma, aguentar a pressão.

O Bournemouth somou 14 remates nos primeiros 45 minutos frente ao Chelsea, o seu maior registo de sempre numa primeira parte de um jogo fora na Premier League. Criaram ainda cinco grandes oportunidades e alcançaram um xG de 2,46.

Enzo Maresca conseguiu acalmar a equipa ao intervalo, destacando-se a entrada de Reece James para trazer alguma serenidade, mas apesar do domínio, o Chelsea pouco fez com ele, e é mais um resultado frustrante, já que os azuis de Londres somam apenas uma vitória nos últimos sete jogos da Premier League.

Estêvão merece ser titular mais vezes

Se há algo que o Chelsea pode retirar deste jogo, é que o jovem Estêvão esteve em grande plano. O brasileiro tem tido poucas oportunidades com Maresca, que tem procurado integrá-lo gradualmente no futebol inglês, mas neste momento não há razão para não apostar nele de início.

O brasileiro não só conquistou o penálti que devolveu o Chelsea ao jogo, como também foi o jogador com mais dribles completos (4), criou duas ocasiões, teve 13 toques na área adversária e registou 100% de eficácia nos cruzamentos.

O Chelsea precisa urgentemente de alguém capaz de assumir o jogo. Normalmente é Palmer, mas Maresca optou por retirá-lo aos 63 minutos, e com os outros extremos do clube em dificuldades, Estêvão pode ser a solução.

Assobios já se fazem ouvir

Não estamos a falar de um nível de assobios como no Tottenham, mas ouviu-se algum desagrado vindo das bancadas, e percebe-se porquê. O Chelsea devia impor-se frente a estas equipas, mas a falta de eficácia e os erros defensivos recorrentes estão a aumentar a tensão.

Não é claro a quem se destinavam os assobios. A decisão de Maresca de tirar Palmer foi recebida com alguns, mas quem manifestou o seu descontentamento no apito final pode tê-lo dirigido aos diretores desportivos, à direção, ao treinador ou aos jogadores. Fica ao critério de cada um.

No fim de contas, Maresca é quem terá de dar a cara, mesmo que Paul Winstanley e Laurence Stewart também devam assumir parte da responsabilidade pela aparente regressão do clube. O ambiente pode tornar-se rapidamente tóxico em Stamford Bridge.