Análise: Vítor Pereira deve ponderar bem antes de substituir Sean Dyche no Nottingham

O antigo treinador do Nottingham Forest, Sean Dyche, a dar instruções durante o seu último jogo frente ao Wolves
O antigo treinador do Nottingham Forest, Sean Dyche, a dar instruções durante o seu último jogo frente ao WolvesMI News/NurPhoto / Shutterstock Editorial / Profimedia

Sean Dyche não pode dizer que não foi avisado sobre a implacabilidade do proprietário do Nottingham Forest, Evangelos Marinakis, antes de aceitar o cargo no City Ground.

Teria visto as imagens de Marinakis a repreender Nuno Espírito Santo no relvado antes de o despedir pouco tempo depois, tal como já tinha feito com Ange Postecoglou.

Karma para Marinakis?

Tendo em conta a posição atual do Forest na Premier League, o treinador de 54 anos pode até concluir que não deixou ao proprietário outra alternativa senão despedi-lo após um desapontante empate 0-0 frente ao último classificado, o Wolverhampton.

No entanto, Marinakis está agora à procura do quarto treinador esta época e, com um deles, Nuno, a ter colocado o seu West Ham apenas a três pontos do Forest após um início lento, há quem diga que é o karma a funcionar.

Na verdade, já passaram nove treinadores pelo Forest desde que Marinakis assumiu o controlo do clube e Dyche até tinha a melhor percentagem de vitórias, com 47,1%.

Chegou mesmo a ser nomeado para o prémio de Treinador do Mês da Premier League na semana passada, por isso as exigências imediatas que o proprietário parece impor a quem trabalha consigo, pelo menos de fora, parecem no mínimo irrealistas.

Lembra a gestão dos Pozzo no Watford

Em muitos aspetos, a postura impulsiva da sua gestão faz lembrar a família Pozzo no Watford.

Desde 2012, quando assumiram os Hornets, até Tom Cleverley ser despedido no final da última época, Gino Pozzo supervisionou 21 mudanças de treinador em apenas 13 anos.

Será de admirar, então, que tanto o Watford como o Forest estejam a passar dificuldades devido à falta de estabilidade?

Quantas vezes é que os treinadores recém-chegados a qualquer clube não dizem em entrevistas que precisam de tempo para mudar o rumo e implementar a sua forma de trabalhar?

Nottingham não foi além do nulo com o Wolves
Nottingham não foi além do nulo com o WolvesFlashscore

Isso simplesmente não acontece de um dia para o outro e, na melhor das hipóteses, só ao fim de 12 a 18 meses é que o trabalho começa a dar frutos.

Infelizmente para Dyche, esse tipo de período de adaptação não parece fazer parte da mentalidade de Marinakis e talvez o treinador também não se tenha ajudado a si próprio no final de contas.

Dyche teve culpa?

O Forest teve 62,9% de posse de bola frente ao Wolves, mas não conseguiu transformar esse domínio numa posição vencedora.

Foi a 10.ª vez que Dyche orientou uma equipa na Premier League com pelo menos 60% de posse, sem conseguir vencer qualquer um desses jogos.

Antes do jogo de quarta-feira à noite, já se notava um certo tom de pressentimento nas palavras do treinador.

"O proprietário foi justo comigo, sem qualquer dúvida. Se alguém decidir mudar no futebol agora, é uma decisão sua. Todos já vimos isso. Infelizmente, é assim que as coisas são", afirmou Dyche.

"As exigências são elevadas. As redes sociais têm agora um papel importante. Parece haver muita raiva e ressentimento – temos de lidar com isso. É isso que nós, treinadores, temos de fazer".

"As pessoas podem exigir mudanças, e se o proprietário quiser mudar, cabe-lhe a ele decidir, e é assim que o futebol está agora, é a realidade. Percebo que o ambiente aqui mudou bastante desde os últimos jogos".

35 remates e nenhum golo

O Forest acabou por somar 35 remates à baliza do Wolves sem marcar, incluindo um lance de seis para um que pareceu irritar ainda mais Marinakis.

A questão é: quem se atreverá a assumir o que, neste momento, é claramente um presente envenenado?

Estatística da partida
Estatística da partidaFlashscore

Quem aceitar o cargo vai bater um recorde da Premier League, já que nenhum clube, desde a reformulação do principal escalão inglês em 1992, teve quatro treinadores permanentes na mesma época.

Poder-se-ia pensar que isso seria motivo de grande embaraço para Marinakis, mas ele também é o homem que passou por seis treinadores em 16 meses no Olympiakos: Carlos Corberan – 48 dias, Michel – 194 dias, José Anigo (interino) – 88 dias, Diego Martínez – 157 dias, Carlos Carvalhal – 65 dias e Sotiris Silaidopoulos (interino) – 3 dias.

Será Vitor Pereira o homem certo para o cargo?

Aparentemente, já houve conversações com o antigo treinador do Wolves, Vitor Pereira, e parece haver boas hipóteses de o português assumir o comando.

Contra todas as expectativas, manteve o Wolves na Premier League na época passada e esse será agora o único objetivo que Marinakis lhe pode pedir.

A situação é tão desesperante para os Tricky Trees que o estilo de jogo já nem deve ser relevante neste momento. O Forest precisa apenas de pontos para manter o West Ham à distância.

Na verdade, foi isso que os três treinadores anteriores precisaram de fazer ao longo da época, mas ao menor sinal de perigo ou quebra de forma, Marinakis não consegue evitar reagir.

O registo de Vítor Pereira no Wolves resume-se a apenas 38 jogos em todas as competições, dos quais venceu 14, empatou seis e perdeu 18.

50 golos marcados e 59 concedidos nesses encontros também não impressionam e tendo em conta a percentagem de vitórias de apenas 15,4% esta época, não é propriamente um cartão de visita brilhante para o treinador de 57 anos.

No entanto, a necessidade fala mais alto, e se Vítor Pereira conseguir voltar a surpreender como fez na época passada, não será de estranhar que venha a assinar contrato em breve.

Também não será de estranhar se for despedido antes do final da época...

Jason Pettigrove
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