Acompanhe o Noah no Flashscore
A ida para o estrangeiro: "Um dos meus objetivos era sair da zona de conforto"
- Como é que tem sido esta aventura na Arménia?
Tem sido uma experiência muito positiva, até porque conseguimos cumprir todos os objetivos do clube. Além disso, o facto de, logo no primeiro ano, haver aqui gente portuguesa - tanto na equipa técnica como no plantel - ajudou bastante para que as coisas corressem bem.
- O Noah é um clube simpático?
Sim, é um clube muito familiar. O presidente valoriza muito a união entre jogadores, clube e famílias, procurando manter toda a gente próxima e ligada ao projeto. Preocupa-se em criar boas condições, tanto para nós como para as nossas famílias.

- O Hélder continua a ser o extremo que conhecemos em Portugal ou, com o tempo, foi mudando um pouco?
Sim, continuo a ser, em grande parte, o extremo que era em Portugal, mas naturalmente com mais experiência. O facto de ter vivido novas realidades, de ter trabalhado com pessoas diferentes e de ter passado por outros contextos ajudou-me a evoluir. No essencial, sou o mesmo Hélder, mas mais maduro e isso faz sempre a diferença.
- A experiência de ter passado dois anos fora de portas, no Chipre, ao serviço do Anorthosis, imagino que também tenha ajudado a crescer?
Sim, sem dúvida. Um dos meus objetivos ao sair de Portugal foi precisamente esse: sair da zona de conforto e viver novas experiências. Foram dois anos muito importantes, que me ajudaram a crescer não só como jogador, mas também como homem. Trago muitas coisas positivas dessa etapa.

Anos incríveis em Guimarães e Paços de Ferreira: "Tive muita sorte"
- Quando saiu de Portugal, estava no Paços de Ferreira, depois de uma formação no Vitória SC. É natural de Fafe, cresceu ali perto de Guimarães, ainda passou pelo Benfica e pelos Os Sandinenses. Como recorda esses tempos iniciais de formação e o crescimento até à equipa principal?
O Vitória SC foi o clube que me deu todas as condições para eu ser o Hélder e o jogador que sou hoje. Sem o Vitória SC, acho que não teria conseguido chegar onde cheguei. Entrei muito novo e encontrei ali uma verdadeira família, algo que toda a gente reconhece no clube. Foram anos incríveis, com pessoas fantásticas: colegas, treinadores, diretores, todos à volta do clube. Toda essa gente contribuiu para que eu pudesse crescer, evoluir e conquistar aquilo que conquistei até hoje.
- Também teve uma passagem pelo Paços de Ferreira, onde acabou por se afirmar mais no futebol profissional. Foi aí que sentiu esse salto?
Sim, o Paços de Ferreira foi como uma segunda casa em Portugal. Foi um clube que me ajudou muito a afirmar-me na Primeira Liga, e tenho muito a agradecer. Encontrei lá pessoas incríveis, que me ajudaram a crescer bastante. Costumo dizer que tive muita sorte em todos os clubes por onde passei, porque em todos encontrei bons grupos, pessoas fantásticas e fui feliz em todos eles.
- À distância e estamos a falar de muitos quilómetros, como é que vai acompanhando esses clubes, sobretudo o Vitória SC, que imagino ser o clube do coração, e também o Paços, que ficou com um lugar especial?
Procuro acompanhar sempre que posso. Quando tenho oportunidade, vejo os jogos e sigo o percurso deles, porque fiquei com carinho por todos os clubes onde passei. Acho que o mínimo que posso fazer é apoiar à distância e torcer para que tenham sempre sucesso.

"Muitas vezes, não é possível fazer carreira apenas em Portugal"
- Voltando à Arménia, que objetivos traça para o futuro mais próximo, Hélder?
Um dos objetivos principais já foi alcançado, que era voltar a garantir presença nas competições europeias, e felizmente conseguimos. Os restantes passam, tanto para nós como para o clube, por voltar a conquistar o campeonato e a Taça, tal como fizemos na época passada.
Este ano temos ainda a Supertaça, que não disputámos na temporada anterior. O objetivo é ganhar esses três títulos a nível interno e continuar a fazer história na Europa, como temos feito até agora. As coisas têm corrido bem e estamos a uma vitória de garantir o apuramento para o play-off.
- Estando na Arménia, teve oportunidade de assistir recentemente a um jogo da seleção. Como foi viver esses dois momentos, com a Arménia em campo e Portugal a garantir o apuramento?
Foi uma experiência muito positiva. Para eles, foi mais uma confirmação da qualidade dos portugueses, algo que já reconheciam, mas que esse jogo reforçou ainda mais. Para nós, portugueses no clube, também foi especial, porque sentimos esse reconhecimento e vivemos o momento com grande orgulho.
- O 9-1 ainda dá que falar?
Sim, sem dúvida. Eles ficaram um pouco de cabeça baixa, mas também têm de perceber que Portugal é uma seleção de topo mundial.
- O campeonato aí pára agora, certo? Estamos a falar de uma latitude muito a norte, onde a neve é implacável...
Sim, agora o campeonato pára por cerca de um mês e pouco. Depois disso, voltamos a realizar uma nova pré-época e entramos na reta final da competição.
- Será uma boa altura para matar saudades do país natal?
Sim, sem dúvida. É sempre bom para esses momentos, ainda por cima eu adoro o Natal. É uma das épocas festivas de que mais gosto e vai ser ótimo para matar saudades.
- Arrisco dizer que esse será sempre o maior desafio quando se sai do país à procura de novas aventuras. Profissionalmente compensa, mas pessoalmente custa sempre.
Sim, é sempre difícil deixar o nosso país. Se pudesse, nunca sairia, porque adoro Portugal e gosto muito de estar aí. Mas sabemos que, muitas vezes, não é possível fazer carreira apenas em Portugal e temos de procurar as oportunidades que surgem e aproveitá-las. Como se costuma dizer, “o comboio só passa uma vez” e se não aproveitarmos as oportunidades quando aparecem, depois já pode ser tarde.

"Estar num clube onde é possível lutar por troféus ajuda muito a manter a motivação"
- Houve algum choque cultural quando chegou à Arménia ou a adaptação foi tranquila?
Em termos culturais, a adaptação foi tranquila. O maior choque acabou por ser a questão da língua. Aqui, a primeira língua é o arménio e a segunda é o russo; o inglês é pouco falado fora do meio do futebol. Esse foi, sem dúvida, o principal desafio inicial.
- O futebol acaba por ser uma linguagem universal, mas no dia a dia como é que se tem entendido?
Dentro do clube é tranquilo, porque praticamente toda a gente fala inglês, o que facilita bastante. Já fora, na cidade ou em situações mais simples, como ir ao supermercado, torna-se mais complicado e, muitas vezes, temos de recorrer a gestos.
- Estamos a caminhar para o final da conversa. Tem 28 anos, está no quinto ano fora de Portugal e ainda muito futebol pela frente. Como olha para o futuro?
Neste momento, estou muito focado no clube, até porque renovei no início deste ano por mais uma temporada. O objetivo passa por continuar a ganhar títulos e ajudar o clube a crescer a nível europeu. É um projeto ainda jovem, com cerca de cinco ou seis anos, e queremos continuar a fazer história e a contribuir para o crescimento do clube.
- Voltar a Portugal não está nos horizontes, para já?
Não, neste momento não penso nisso. Estou totalmente focado no clube.
- Enquanto jogador, como perspetiva o resto da sua carreira, que ainda é longa? Existe alguma meta que ainda não tenha alcançado e que gostasse de atingir?
Sinceramente, a principal meta que tinha em mente era conquistar um título de campeão, algo que ainda não tinha conseguido, e este ano acabei por o alcançar, felizmente. Era um objetivo muito forte para mim e algo que sentia que me faltava. Neste momento, a prioridade é continuar a trabalhar, dar sempre o meu melhor e manter o foco no clube. Se surgirem novas oportunidades, ótimo; se não, continuarei a dar o máximo em qualquer contexto.
- Ser campeão é, de certa forma, o prémio máximo para quem compete no futebol.
Sem dúvida. Acho que qualquer jogador gosta de ganhar títulos e, quando isso acontece, o sabor é sempre especial. Estar num clube onde é possível lutar por troféus ajuda muito a manter a motivação e a felicidade no dia a dia. É isso que me faz continuar focado e satisfeito aqui.
