Em 2025, novos problemas surgiram. Após cumprir a suspensão de 365 dias imposta pelo STJD, foi contratado pelo Avaí. Viveu uma primeira volta de oscilações e com pouco espaço entre os titulares.
Em setembro, Alef Manga fez a sua última partida pelo Leão da Ilha. Pouco depois, foi afastado sem muitas explicações, teve o contrato rescindido e ficou mais quatro meses longe dos relvados.

Mesmo assim, ainda era um nome forte no mercado. Havia clubes dispostos a atravessar a tempestade e navegar por mares mais calmos. E quase que num encontro de grandes narrativas, Remo e Alef Manga uniram-se num relacionamento que começa de forma promissora.
De um lado, um clube que reaprende a sonhar alto após 32 anos distante da elite. Do outro, um atacante em busca de reconstrução.
São apenas três jogos na Série A do Brasileirão — competição que Manga volta a disputar após 30 meses de incertezas. E o recomeço não poderia ser mais animador.

Evolução em números
Depois de uma atuação discreta diante do Vitória, no Barradão, o camisola 11 do Remo assumiu o protagonismo no empate com o Mirassol, no Mangueirão, com um golo e uma assistência. Alef Manga foi o grande destaque do Flashscore da 2.ª jornada, alcançando nota 9,5 — a mais alta entre todos os atletas.
No empate com o Atlético-MG, na última quarta-feira, marcou novamente e voltou a ter uma atuação decisiva. Também participou diretamente na jogada que resultou no golo de Vitor Bueno, reforçando a sua influência no setor ofensivo.
Ao longo dessas três partidas, Manga acumula o melhor índice de golos esperados (xG) por 90 minutos nas suas seis temporadas nas duas principais divisões do futebol brasileiro: 0,50. Além disso, finaliza mais do que nunca, com uma média de quatro conclusões por 90 minutos.
É claro que se trata de uma amostra pequena, mas o início é animador para alguém que viveu tantas incertezas recentemente.
As suas três participações em golos colocam-no entre os protagonistas das primeiras jornadas. Só teve menos contribuições diretas do que Carlos Vinicius e Danilo (4 golos), Andreas Pereira (4 assistências) e Jean Carlos (2 golos e 2 assistências).

Sucesso em Goiás e Coxa
Alef Manga consolidou-se no cenário nacional em 2021, quando foi contratado pelo Goiás para disputar a Série B, após um Campeonato Carioca de destaque com o Volta Redonda, já depois de ter passado por Portugal, mais precisamente pela UD Oliveirense, em 2019. Logo mostrou o seu valor com excelentes números, 14 participações em golos e um papel fundamental no acesso do Esmeraldino à 1.ª divisão.
No ano seguinte, com o Coritiba, Manga fez a sua estreia na Série A e confirmou a maturidade técnica, sendo fundamental na permanência do clube na elite. Com números consistentes e participações decisivas em golos, garantiu a sua compra definitiva pelo Coxa após destacar-se como um dos atacantes mais produtivos da competição.
Em 2023, Alef Manga era o protagonista de um Coritiba que lutava contra a despromoção. Com as melhores médias de participação em golos da trajetória, simbolizava a esperança de reação.

Suspensão de 1 ano
Tudo mudou com a denúncia do Ministério Público de Goiás na Operação Penalidade Máxima: após confessar ter recebido dinheiro para forçar um cartão amarelo, foi afastado e suspenso por 365 dias pelo STJD e com validade mundial decretada pela FIFA.
Começava ali o “pior momento da vida” do atacante. Proibido de frequentar o clube e temendo uma suspensão definitiva, manteve a forma com profissionais particulares enquanto aguardava uma definição. Viveu um hiato de incertezas, à espera de uma segunda oportunidade.
Ela chegou. Em 2024, de volta ao Coritiba, precisou de apenas cinco minutos para marcar o golo da vitória na reestreia. O impacto, porém, não se sustentou: com pouca utilização e números modestos, não recuperou o ritmo pré-punição e encerrou a passagem pelo Coxa de forma discreta.
Em 2025, o Avaí representou uma nova tentativa de reconstrução. Apesar de índices de finalização próximos aos melhores anos, não se afirmou como titular com Jair Ventura.
Saída polémica do Avaí
O fim foi abrupto: em setembro, entre atrasos de direitos de imagem e uma decisão “institucional” nunca detalhada, teve o contrato rescindido. Abriu-se mais um período de dúvidas, que culmina no momento atual com o Remo.
Alef Manga não é inocente e nem deve ser tratado como tal. Cometeu um erro grave, participou num esquema que colocou em xeque a credibilidade do futebol brasileiro. Foi punido, cumpriu a suspensão, reconheceu o erro e agora tenta aproveitar a nova oportunidade que a vida lhe oferece.
Estar no Remo, a disputar a Série A, apresenta vários desafios. O plantel já está dividido em dois grupos para a disputa do Brasileirão e do Paraense em dias consecutivos. Além disso, pela localização geográfica de Belém, será a equipa que percorrerá mais quilómetros ao longo da competição.
Viagens longas, desgastantes, que exigem profundidade física e mental. São obstáculos que colocarão Manga à prova. Será que consegue sustentar esse bom início a longo prazo? Facto é que os dois lados podem estar a começar a escrever uma bela história de recomeço dentro do mais alto nível do futebol brasileiro.

