No período de operação da SAF do Atlético-MG até à demissão de Jorge Sampaoli, passaram-se 2 anos, 3 meses e 11 dias. Nesse intervalo, a média de permanência de um treinador no clube é de aproximadamente 5 meses e 16 dias — ou 166 dias.
O dado evidencia a dificuldade do Galo em manter estabilidade no comando técnico desde a implementação do modelo empresarial.

Apesar de relativamente próximo, o número é inferior, por exemplo, à média registada no Botafogo sob a gestão de John Textor, estimada em 181 dias — ou 6 meses.
A conta inclui o interino Lucas Gonçalves, que voltou a assumir a equipa na era SAF. Além de Sampaoli, passaram pelo cargo Luiz Felipe Scolari, Gabriel Milito e Cuca — todos demitidos pela gestão alvinegra.
No Botafogo, por outro lado, houve casos de saídas por iniciativa própria, como as dos portugueses Luís Castro e Artur Jorge, o que altera a natureza da rotatividade.
Ao considerar apenas os treinadores efetivos, a média no Atlético sobe para 234,5 dias (cerca de 7 meses). Ainda assim, nenhum deles completou um ano no cargo.
O mais persistente na era SAF foi mesmo Luiz Felipe Scolari, com 275 dias, seguido por Milito, que permaneceu 256 dias e conduziu a equipa ao vice-campeonato da Libertadores de 2024.

Em comparação com a SAF do Cruzeiro, o cenário é distinto. Desde a implementação do modelo empresarial — iniciada na gestão de Ronaldo e posteriormente sob Pedro Lourenço — o clube celeste apresentou uma média de 160 dias por treinador no recorte analisado, número também elevado, mas ligeiramente inferior ao do rival mineiro.
Outra SAF que merece comparação é a do Bahia, implementada em 4 de maio de 2023, meses antes da constituição da holding administrativa do Galo.
Em termos de troca de treinadores, o Tricolor de Aço, sob a gestão do City Football Group, apresenta o cenário mais estável entre as sociedades anónimas do futebol brasileiro, com apenas dois técnicos nesse período: o português Renato Paiva, que pediu a demissão em 6 de setembro de 2023, e Rogério Ceni, no comando desde 9 de setembro daquele ano.

O Atlético leva vantagem em relação ao Vasco, que soma 11 treinadores — incluindo interinos e o atual Fernando Diniz — desde a implementação da SAF, no início de setembro de 2022. A média de permanência no clube carioca é de 96 dias (cerca de 3 meses).
Considerando apenas os técnicos efetivos, o número sobe para 193,8 dias (aproximadamente 6 meses e 10 dias).
Promessas não cumpridas
Antes mesmo de se consolidar como SAF, o Atlético-MG já vivia um cenário de desgaste com outro treinador, o argentino Eduardo Coudet, atualmente no Deportivo Alavés. À época da escolha por Luiz Felipe Scolari, o então diretor Rodrigo Caetano revelou que a demora na transição para o modelo SAF ampliou o atrito entre a direção e Eduardo Coudet.
Houve a promessa de reforços para o plantel. No entanto, diante das limitações financeiras, o planeamento precisou de ser revisto.
"Em determinado momento, o clube passa ainda por dificuldades financeiras, tanto é que a SAF que estava prevista para entrar no clube em meados de fevereiro desse ano, e vai ser concretizada em 10 de novembro", disse Caetano no podcast do canal Duda Garbi.

"Aí foi uma opção dele fazer um acordo para sair, porque os investimentos não tinham como acontecer mesmo", acrescentou.
A questão dos investimentos tornou-se recorrente desde a implementação da SAF no Atlético-MG. A montagem do plantel — por vezes considerada curta ou tecnicamente desequilibrada por adeptos e analistas — já foi tema na passagem de Cuca, que cobrou publicamente reforços em abril do ano passado, e também teria sido um dos motivos de atrito entre Jorge Sampaoli e a direção.
De acordo com o jornal O Tempo, Sampaoli teria solicitado nomes considerados fora da realidade financeira do clube, como os avançados Marcos Leonardo, Róger Guedes e Luiz Araújo.
O médio Jean Lucas, do Bahia, também estaria na lista. A busca por um trinco gerou igualmente divergências, já que diversos atletas sondados não agradavam ao treinador.
Recusas e espera
O Atlético-MG não costuma manifestar-se oficialmente sobre negociações em andamento. No entanto, desde a implementação da SAF, o clube acumulou recusas de diferentes treinadores, conforme noticiado pela imprensa mineira. Um dos nomes que frequentemente reaparece no radar alvinegro é o do português Carlos Carvalhal.
Outro treinador luso especulado foi Pedro Martins, do Al-Gharafa. Segundo as informações, o técnico está satisfeito no clube do Catar e descartou a possibilidade de assumir o Galo neste momento.

No ano passado, antes da chegada de Jorge Sampaoli, a direção também sondou Martín Anselmi, hoje no Botafogo e que passou pelo FC Porto. De acordo com a rádio Itatiaia, o técnico argentino recuou devido ao ambiente externo, especialmente perante a repercussão envolvendo a saída de Cuca.
Com o cargo novamente vago, o Atlético-MG teria como prioridade a contratação de um treinador estrangeiro. Nomes como os portugueses Vasco Botelho da Costa, do Moreirense, e Vítor Bruno, antigo adjunto de Sérgio Conceição, foram apontados, mas a escolha recaiu no argentino Eduardo Domínguez, do Estudiantes.
As negociações entre as partes estão encaminhadas, e o desfecho é aguardado com expectativa pelos adeptos alvinegros.

