De acordo com a investigação, batizada de "Operação Totonero", o atleta teria recebido cartões amarelos de forma deliberada em dois jogos específicas: contra o Vitória e contra o Fortaleza. O MP aponta que Ênio ocultou mais de 1,9 milhões de reais (cerca de 306 mil euros) recebidos ilicitamente de empresas de apostas, utilizando táticas de lavagem para esconder a origem dos valores.
A defesa de Ênio informou que ainda não teve acesso aos detalhes da denúncia e vai aguardar para se pronunciar. O Juventude optou por não manifestar posição sobre o caso. Enquanto o processo tramita na Vara Criminal de Caxias do Sul, as provas serão compartilhadas com a Polícia Federal para investigar possíveis ramificações interestaduais do esquema.
Atualmente na Chapecoense, Ênio disputou três jogos no Campeonato Catarinense deste ano. O avançado tem contrato com o clube gaúcho até ao fim de 2028, mas a situação jurídica coloca em xeque a continuidade da sua carreira profissional durante as investigações.
Cartões sob suspeita e alerta
A investigação detalha que o primeiro lance suspeito ocorreu logo na estreia do Brasileirão de 2025, contra o Vitória. Aos 36 minutos, Ênio foi advertido por reclamação, gerando um alerta imediato de casas de apostas devido ao volume anormal de palpites para aquele evento específico.
O segundo episódio aconteceu na 8.ª jornada, diante do Fortaleza, quando o avançado recebeu o amarelo após uma entrada por trás em Lucas Sasha, confirmando novamente um padrão incomum de movimentação financeira nas operadoras.
O nome da operação, inspirado no escândalo italiano dos anos 80, reflete a gravidade das acusações de corrupção desportiva. Em maio do ano passado, mandados de busca já tinham sido cumpridos na residência do jogador e no no balneário do Estádio Alfredo Jaconi.
Apesar das suspeitas terem surgido ainda em 2025, o atleta continuou a atuar até ao fim daquela temporada, mas agora enfrenta a possibilidade de punições severas tanto na esfera criminal como desportiva.
