Em seis jogos num mês exigente, o defesa italiano obteve uma nota de 8,4, muito graças aos golos e assistências que ajudaram a sua equipa a manter a liderança do campeonato italiano.
A criar perigo
A excelente fase de Dimarco já vinha de trás. O lateral tem-se destacado ao longo da temporada pela elevada produção ofensiva. No último mês, assinou seis das 10 assistências da equipa no campeonato e nas competições europeias - nenhum outro jogador somou mais do que uma.
Não surpreende, por isso, que lidere também no número de ocasiões criadas em jogo corrido nesse período, com 12. Em lances de bola parada apresenta ainda mais impacto, com 16 oportunidades geradas, evidenciando a ameaça constante nas bolas paradas.
Mas não é apenas no ataque que mostra valor. Numa posição particularmente exigente, tem de oferecer soluções de construção ofensiva e, ao mesmo tempo, fechar espaços e cobrir a profundidade defensiva.

Durante o mês de fevereiro recuperou a posse por 24 vezes no corredor esquerdo e não cometeu erros que resultassem em golos. No mapa de calor da última vitória frente ao Génova, passou grande parte do encontro em zonas adiantadas, praticamente no meio-campo adversário, onde melhor explora a sua criatividade.
Nesse jogo, marcou com um remate de primeira aos 31 minutos, elevando para 10 as suas participações diretas em golos nos últimos seis encontros.
A continuar em destaque
Dimarco tem sido uma das figuras do Inter desde que chegou à equipa principal, em 2014. Formado no clube, passou boa parte da década passada a consolidar a carreira com uma transferência para o Sion, na Suíça, e vários empréstimos, antes de assumir a titularidade em 2021. Desde então, afirmou-se como uma das principais referências do conjunto nerazzurro.
Em criança sonhava jogar na equipa principal do Inter. Com esse objetivo cumprido, tem vindo a demonstrar a importância que assume na equipa orientada por Christian Chivu.

O Inter lidera a Serie A com 10 pontos de vantagem a 11 jornadas do fim, amenizando a desilusão da eliminação na Liga dos Campeões frente ao Bodo/Glimt. Ainda assim, Dimarco foi um dos jogadores a sair valorizado do duelo: não participou na derrota por 3-1 na Noruega e foi o melhor em campo na segunda mão, em San Siro, apesar do desaire por 2-1.
O antigo internacional italiano Beppe Bergomi afirmou recentemente à La Gazzetta dello Sport: “O valor de Dimarco só será verdadeiramente avaliado no final da carreira. Hoje já podemos dizer que, pela qualidade do cruzamento, pelo remate e pela quantidade de assistências que produz, é um dos melhores do mundo.”
Recordes da temporada
Se mantiver o atual nível nesta temporada, Dimarco poderá bater em breve o recorde de assistências numa só época. Até ao momento soma já 13 na Serie A, apenas a três do máximo de Papu Gómez, que chegou às 16 ao serviço da Atalanta em 2019/20.
Isto volta a evidenciar a importância do lateral-esquerdo na dinâmica da equipa. Frente ao Génova, e como é habitual no Inter, quase metade dos ataques passou pelo seu corredor durante a vitória, oferecendo ao jogador mais influente inúmeras oportunidades para criar ocasiões, algo que tem feito de forma consistente.
Em campo
O Flashscore falou com o editor italiano Massimiliano Macaluso, que explicou o que torna o jogador tão especial para o Inter.
"Parecia que Federico Dimarco era uma ‘ideia’ de Simone Inzaghi e que o seu rendimento poderia baixar após a saída do treinador no verão passado. Em vez disso, a sua produtividade ofensiva sob o comando de Christian Chivu melhorou ainda mais: o lateral esteve envolvido em 20 dos golos da equipa (com alguns jogos ainda por disputar), sobretudo graças à sua principal especialidade, as assistências. Nos últimos 20 anos da Serie A, apenas Massimo Oddo conseguiu números semelhantes no Hellas Verona, muito por força da eficácia na marcação de grandes penalidades", analisou.
"Com Denzel Dumfries afastado durante um longo período e Alessandro Bastoni a dar equilíbrio ao corredor esquerdo, Dimarco tornou-se a principal referência ofensiva do Inter, apesar de atuar como lateral. A equipa confia cada vez mais na criatividade do seu número 32, que pode ser ainda mais decisivo, do ponto de vista técnico e sobretudo tático, do que a maior figura da equipa, Lautaro Martínez", prosseguiu.

"Juntando a isso o facto de ter nascido em Milão e sido formado no Inter, antes de ganhar experiência no Ascoli, Empoli, Sion, Parma e Hellas Verona, percebe-se o quão representativo é deste conjunto que lidera a Serie A e se aproxima de mais um título", rematou.
