Não queria abdicar, nem da Fiorentina nem da luta que travava há muito tempo contra os graves problemas de saúde, que o obrigaram a manter-se afastado de Itália e de Florença em 2025. As últimas declarações de Rocco Commisso foram dadas ao jornal La Nazione a 11 de dezembro passado e, também nessa altura, reiterou não ter qualquer intenção de vender o clube viola, apesar dos rumores que periodicamente surgiam a esse respeito, somados à situação classificativa da equipa, inesperadamente em zona de descida.
''Todas as empresas atravessam momentos difíceis, mas a visão de quem lidera uma sociedade está precisamente em aprender com os períodos mais sombrios para conseguir sair deles mais fortes em conjunto. Nunca desisti em nenhuma das minhas atividades e, ainda mais agora, não o farei'', afirmou.
Futuro
Agora, com o seu falecimento, a família Commisso terá de decidir se continua a gerir a Fiorentina ou se opta pela venda, tendo já circulado rumores de interesse por parte de fundos americanos e árabes. O magnata ítalo-americano, natural da Calábria, adquiriu o clube viola a 6 de junho de 2019, aos Della Valle, por cerca de 170 milhões de euros, conseguindo chegar por duas vezes à final da Liga Conferência e uma vez à final da Taça de Itália, mas sem nunca conseguir encher a sala de troféus nem trazer um título para Florença, que falta desde 2001.
Já no mundo do futebol, Commisso tinha entrado com os New York Cosmos em 2017, sendo apaixonado pelo desporto-rei desde jovem.
''Sou um adepto, chamem-me Rocco'' foram as primeiras palavras que dirigiu aos florentinos quando foi recebido no estádio Franchi para a apresentação oficial.
Desde então, a Fiorentina, sob a sua liderança, viveu momentos de alegria e outros de desilusão, com vários treinadores, de Montella a Iachini, de Prandelli a Italiano, passando por Palladino, Pioli e agora Vanoli. Confiou a organização do clube em Florença ao amigo e braço-direito Joe Barone, no cargo de diretor-geral, cuja morte súbita, a 19 de março de 2024, lhe causou uma dor imensa e deixou um vazio irreparável.
Além dos resultados desportivos – entre os seus objetivos estava o de levar a Fiorentina pelo menos à Liga dos Campeões – criou o Viola Park, o maior centro desportivo em Itália e um dos maiores da Europa, que leva o seu nome: 22 hectares em Bagno a Ripoli, onde treinam a equipa principal, as equipas femininas e as camadas jovens. Um investimento de 120 milhões de euros.
Commisso queria ainda construir um novo estádio, uma longa batalha que não conseguiu vencer ("Foi o meu maior fracasso"), tal como a luta contra a doença que, nos últimos meses, o manteve cada vez mais afastado de Florença e de Itália.
