Recorde as incidências da partida

Existe um fio ténue que liga ambição e necessidade, sonho europeu e instinto de sobrevivência. Foi nesse fio que se disputou o confronto entre o Como e o Lecce, um duelo que ia muito além dos três pontos. De um lado, os larianos, com o olhar fixo nessa Europa que conta e que há apenas um ano parecia um sonho distante; do outro, os salentinos, com os portugueses Tiago Gabriel e Danilo Veiga no onze inicial, obrigados a defender a categoria com todos os recursos e qualidade disponíveis.
O momento já dizia muito. O Como chegava ao duelo embalado por sinais fortes: o empate arrancado frente ao AC Milan e, sobretudo, a excelente vitória em Turim diante da Juventus, um triunfo que trouxe ainda mais entusiasmo e confiança. O Lecce, por sua vez, ainda sentia os efeitos da derrota com o Inter, mas também tinha bem presente o arranque decidido de fevereiro, com duas vitórias consecutivas.
Golpe e tripla resposta
O jogo correspondeu às expectativas nos minutos iniciais. O Como, como é habitual em casa, entrou a todo o gás. A equipa de Fàbregas impôs ritmo e a habitual personalidade, tentando logo encaminhar o encontro para o seu estilo preferido com remates de Moreno e Jesus Rodriguez, travados com atenção pela defesa visitante. Um início feroz e planeado, que obrigou o Lecce a correr atrás, a defender-se com organização e a tentar quebrar o ritmo com posse e passes verticais inesperados.
Os salentinos, com a passagem para um 3-5-2 decidida por Eusebio Di Francesco, procuraram não se desorganizar. A ideia era clara: resistir ao ímpeto inicial, compactar-se e depois explorar os espaços deixados inevitavelmente por um Como projetado no ataque. E assim aconteceu: primeiro o remate de Douvikas, defendido por um atento Falcone, depois a rápida transição. Banda cruzou com precisão da esquerda, onde Coulibaly apareceu no momento certo, cabeceando para colocar o Lecce em vantagem.
Um golo inesperado que abanou o Como, com Nico Paz no banco e Fàbregas a pedir mais ritmo e passes verticais. A mensagem foi imediatamente entendida pelos anfitriões, com Perrone a assumir a resposta. O argentino recebeu a bola no meio-campo, virou-se de cabeça erguida e encantou com um passe perfeito para Jesus Rodriguez. O resto foi pura simplicidade: a arrancada do espanhol, o "Pase de la muerte" na área e o desvio de Douvikas, que assinou o empate.
Naturalmente, os larianos não se contentaram com o empate, confiando num Rodriguez em grande forma e num Perrone inspirado na zona ofensiva. Aproveitando uma quebra do Lecce perto da meia hora, o Como recuperou uma bola alta e perigosa, depois gerida de forma magistral pelo médio argentino: passe a rasgar para Jesus Rodriguez, drible sobre Falcone e primeiro golo no campeonato para o ex-Betis.
Depois, uma vez consumada a reviravolta, o golpe final. Oito minutos após o 2-1, foi Kempf a fechar praticamente o jogo com um mergulho de cabeça vistoso, aproveitando o cruzamento de Da Cunha na sequência de um livre para esfriar por completo o entusiasmo dos salentinos.
Quinto lugar à espera do Roma-Juve
No segundo tempo, o Como geriu com segurança a vantagem de dois golos, mostrando a habitual concentração e qualidade. Apesar das tentativas de reação do Lecce, nunca verdadeiramente perigosas, os larianos anularam sempre à nascença as poucas iniciativas adversárias, ficando perto do quarto golo por Douvikas e, mais tarde, pelo recém-entrado Morata, demonstrando maturidade a controlar o ritmo do encontro e proporcionando espetáculo também com as entradas de Nico Paz e Diao.
Uma grande demonstração de carácter da equipa de Fàbregas, que, mesmo em desvantagem, nunca deixou de impor o seu futebol. Os golos e o triunfo alcançado são o prémio justo para a sua solidez e determinação.
Com este triunfo, o Como sobe ao quinto lugar provisório, com mais dois pontos do que a Juventus, que joga amanhã à noite um duelo direto com a Roma na luta pela Champions. Um jogo que os larianos, certamente, vão acompanhar com atenção.

