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Como frente à Fiorentina, Cesc Fàbregas contra Paolo Vanoli: um duelo com sabor a desforra. Há apenas duas semanas, no Franchi, a formação lombarda atordoou os viola na Taça de Itália com uma reviravolta por 3-1, impondo uma superioridade mental e técnica que deixou marcas. Desta vez, o palco foi o Sinigaglia e o peso dos pontos em disputa tornou o ambiente ainda mais denso.
De um lado, um Como ambicioso, lançado rumo a uma Europa que até há pouco parecia um sonho e hoje é um objetivo real, com a necessidade de manter a pressão da Atalanta à distância. Do outro, uma Fiorentina surpreendentemente envolvida na luta pela manutenção, construída para estar entre as primeiras e agora obrigada a olhar para a tabela com preocupação.
O dado que acompanha os toscanos junto ao lago é duro: apenas uma vitória fora de casa no campeonato. E apresentar-se num estádio que se tornou um autêntico bastião não é propriamente o cenário ideal para inverter a tendência.
Como voltou a sofrer golos
E, de facto, o início contou uma história previsível, pelo menos nas intenções. O Como entrou com a atitude de quem queria mandar, assumindo o controlo do jogo com naturalidade. A posse era organizada, a circulação fluida, mas faltava o toque final. Douvikas movimentava-se bastante, esforçava-se, mas nunca foi servido no momento certo; acabou por ser mais uma ameaça potencial do que real.
Aos 18 minutos, Nico Paz tentou agitar o jogo com um remate potente de longe: David de Gea segurou sem dificuldades, transmitindo segurança a um setor que até então se limitara sobretudo a conter. Pouco depois, aos 34 minutos, o mesmo Nico Paz rematou por cima após uma jogada coletiva bem desenhada: uma ocasião que ilustrava na perfeição a limitação dos larianos, competentes a construir mas menos eficazes a encontrar o último passe entre a defesa viola.
Porque a Fiorentina, mesmo sem deslumbrar, fez um jogo inteligente e paciente. A equipa de Paolo Vanoli fechou-se no seu meio-campo, encurtou as linhas e complicou as trajetórias. Não concedeu praticamente nada e esperou pelo momento certo para atacar. Era um plano menos vistoso, mas eficaz.
E o momento surgiu num dos raros ataques dos viola. Fagioli primeiro tentou o remate de fora da área, que foi bloqueado; depois, com lucidez e fome, atirou-se à segunda bola, entrou na área e bateu Butez (após três jogos consecutivos sem sofrer golos) à queima-roupa. Foi uma jogada que mudou o rumo emocional do encontro e ofereceu à Fiorentina uma vantagem de peso, o primeiro golo da época do médio, mas sobretudo um impulso de confiança num momento delicadíssimo da temporada.
Três pontos para respirar
Decidido a mudar o ritmo e esquecer uma primeira parte dececionante, ao intervalo Fàbregas mexeu na equipa, lançando Rodriguez e Moreno para os lugares de Kuhn e Valle: mais profundidade e frescura, com a ideia de subir o bloco e aumentar a pressão sobre quem constrói nos viola. No entanto, a inércia, surpreendentemente, continuou do lado da Fiorentina.
Logo aos dois minutos, Moise Kean deu o primeiro sinal: protegeu a bola com força, usou o físico e obrigou o marcador direto a cometer falta. Os viola mostraram-se mais confiantes mental e tecnicamente, como se a vantagem tivesse dissipado as tensões acumuladas. Aos 51 minutos, surgou o lance que mudou definitivamente o rumo do jogo. Mandragora entrou na área com decisão, Perrone falhou o tempo do corte e derrubou-o. Não havia dúvidas: grande penalidade. O Sinigaglia protestava, a Fiorentina reunia-se em torno do seu número oito e abraçava-o.
Kean assumiu a marcação. A corrida foi curta, o olhar fixo em Butez. O remate do avançado viola entrou junto ao ângulo superior, deixando o guarda-redes francês imóvel e batido. Foi o segundo dos viola, um golpe duríssimo que gelou o estádio e encaminhou a Fiorentina para um triunfo de peso.
No entanto, numa época em que tudo parece complicar-se, a Fiorentina não podia baixar a guarda. O Como, ferido mas não vencido, lançou-se para a frente com orgulho e generosidade. O lance que reabriu o jogo surgiu de forma quase cruel: um autogolo infeliz de Parisi fez o 1-2 e devolveu de repente voz e esperança ao Sinigaglia.
Foram minutos de sofrimento puro para os viola. Cruzamentos, confusão, bolas perdidas a atravessar a área. Mas desta vez a Fiorentina não vacilou. Aguentou, fechou-se, repeliu o assalto sem permitir o habitual golo traiçoeiro no final. Foi uma resistência que valeu quase tanto como os dois golos marcados.
Três pontos que valem oxigénio puro: não só em termos anímicos, mas também na tabela. Os viola atingem os 21 pontos, igualando o Lecce na zona de salvação e ficando apenas a dois do Génova e da Cremonese. Para o Como, pelo contrário, é uma derrota pesada. Se a Atalanta conquistar os três pontos no Olímpico, haverá ultrapassagem dos nerazzurri e consequente descida dos larianos para o sétimo lugar.

