A vitória sobre o Lecce consagrou o Inter, comandado por Cristian Chivu, como “campeão de inverno”, reforçando uma hegemonia que, nas últimas duas décadas, tem se manifestado com mais frequência do que em qualquer outro clube da Serie A.
Esta é a oitava vez que o Inter conclui a primeira volta na liderança da tabela, um feito que demonstra uma performance consistentemente elevada. Após um início de temporada irregular, a equipa de Chivu foi encontrando equilíbrio e solidez, consolidando a sua vantagem de forma decisiva na reta final da primeira metade do campeonato.
Os “campeões de inverno” dos últimos 20 anos
O Inter terminou a primeiro volta com 45 pontos, desconsiderando o ponto obtido na 20.ª jornada contra o Nápoles, já contabilizado para a segunda metade do torneio. Historicamente, essa marca figura entre as pontuações mais baixas de líderes de inverno, na última década.
Apenas o Nápoles de 2015/16 (41 pontos), o Milan de 2020/21 (43 pontos) e o Nápoles da temporada anterior (44 pontos) apresentaram rendimento inferior, mesmo conquistando o título simbólico.
No outro extremo, destaca-se a melhor primeira volta das últimas duas décadas, protagonizada pela Juventus 2018/19, que acumulou 53 pontos, ao final da 19.ª jornada. Esse desempenho superou em um ponto a Juventus de 2013/14 e em dois pontos o Inter de 2006/07, que ocupa a 3.ª posição, nesta lista de “campeões de inverno” mais pontuadores.
Quando o frio decide o Scudetto
Nas últimas duas décadas, o cobiçado título de “campeão de inverno” na Serie A tem sido dominado por apenas quatro gigantes: Inter, Juventus, Milan e Nápoles. Nenhuma outra equipa conseguiu romper essa exclusividade, reforçando uma hierarquia consolidada no futebol italiano recente.
Excluindo o recente êxito desta temporada, o Inter conquistou o título de campeão de inverno sete vezes entre 2005/06 e 2023/24. Em seis dessas ocasiões, os nerazzurri também levantaram o Scudetto, demonstrando uma impressionante capacidade de transformar a liderança da metade do campeonato em título.
A única exceção foi em 2021/22, quando o Milan de Stefano Pioli superou a equipa, na segunda metade da temporada. No geral, a retrospetiva revela uma eficácia de 85,7%, uma das mais altas de todo o futebol italiano. A comparação com os restantes clubes ressalta ainda mais a consistência do Inter.
A Juventus, por sua vez, tem uma trajetória impecável: nas sete temporadas em que se consagrou campeã de inverno entre 2011/12 e 2019/20, a Velha Senhora levantou sempre o título. A perfeição reflete não apenas a superioridade técnica, mas também a habilidade de gerir a vantagem conquistada, na metade da temporada, tanto do ponto de vista tático quanto psicológico.

O Nápoles, em contraste, seguiu um caminho mais irregular. Os azzurri foram campeões de inverno quatro vezes, mas só nas duas mais recentes, 2022/23 e 2024/25, conseguiram manter a liderança até o fim. Nas temporadas 2015/16 e 2017/18, a vantagem no primeiro turno não foi suficiente para superar a hegemonia da Juve, resultando num aproveitamento de 50%.
Mesmo assim, esta percentagem revela uma mudança clara de padrão, especialmente nas gestões de Luciano Spalletti e Antonio Conte. O Milan apresenta uma situação semelhante, com 50% de aproveitamento: dos dois títulos de campeão de inverno, em 2010/11 a equipa conquistou o Scudetto, enquanto em 2020/21 acabou ultrapassada pelo Inter.
