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Depois do deslize frente ao Parma e com uma classificação que, a uma semana do dérbi, mostrava o Inter a treze pontos de distância, só havia um caminho para o AC Milan: vencer.
Para alimentar uma recuperação pelo Scudetto cada vez mais improvável, é certo, mas sobretudo para recuperar confiança e apagar da memória aquele 1-2 da primeira jornada assinado pela Cremonese em San Siro, com a bicicleta de Bonazzoli a tornar-se, com o tempo, um pequeno fantasma rossonero.
Um jogo carregado de significado, portanto, frente a uma equipa – orientada por Davide Nicola – que não vence desde 7 de dezembro de 2025, mas que se apresentou no Zini sem qualquer intenção de ser figurante.
Cremonese ambiciosa, Audero decisivo
O início foi marcado pelo equilíbrio e pela cautela, mas foi a Cremonese a mostrar logo um futebol mais fluido. As linhas de passe estavam bem organizadas, as marcações preventivas funcionavam e, mesmo nas primeiras bolas paradas, já se percebia a intenção de criar perigo. De um canto nasceu o primeiro remate de Jamie Vardy, pouco certeiro, mas suficiente para testar a atenção da defesa rossonera.
O AC Milan, sob o olhar atento de Massimiliano Allegri, demorou alguns minutos a adaptar-se. Quando o conseguiu, subiu gradualmente no terreno e passou a dominar a posse de bola. O problema, no entanto, foi o mesmo de outras ocasiões: posse prolongada, mas demasiado previsível e com poucas ruturas entre linhas. Não por acaso, a primeira verdadeira oportunidade surgiu de uma jogada vertical inesperada, quando Rabiot encontrou Rafael Leão com um cruzamento rasteiro na pequena área: fundamental a intervenção em cima da linha de Folino, que valeu tanto como um golo.
O jogo animou-se verdadeiramente depois da meia hora. A Cremonese, longe de se resignar, esteve perto do golo com Bonazzoli: cruzamento suave de Pezzella, movimento perfeito ao segundo poste e remate de primeira que saiu a centímetros do alvo. Foi o sinal de que os grigiorossi, mesmo concedendo espaço, continuavam a lutar com coragem.
O AC Milan tentou acelerar em transição apenas no final da primeira parte. Saelemaekers destacou-se numa longa corrida solitária de cinquenta metros, mas o remate de pé esquerdo saiu desenquadrado e longe da baliza. Bem mais clara foi a ocasião criada pelo homem que mais verticalidade deu ao jogo rossonero: Youssouf Fofana. Foi ele quem inventou o passe que isolou Rafael Leão perante Audero. O português teve tempo para escolher o lado, mas exagerou na precisão e atirou ao lado, desperdiçando uma oportunidade flagrante.
A partir daí, o jogo tornou-se um monólogo apenas interrompido pelos contra-ataques dos anfitriões. Fofana continuou a construir e a encontrar espaços: primeiro serviu Pulisic para um remate de pé direito, ao qual Audero respondeu com uma defesa de grande nível, desviando com a ponta dos dedos; depois tentou ele próprio de pé esquerdo, de fora da área, colocado mas sem força, mais uma vez travado pelo guarda-redes grigiorosso com uma estirada vistosa.
Rafael Leão voltou a falhar
O segundo tempo começou com o mesmo cenário do final da primeira parte: AC Milan a controlar o território, Cremonese compacta e Audero cada vez mais em destaque. Não houve alterações ao intervalo, mas sentia-se que a equipa de Allegri queria acelerar para evitar que o passar dos minutos transformasse a ansiedade em precipitação.
O primeiro sinal de perigo surgiu na ligação Modrić-Leão. O croata lançou o português na zona central-esquerda com um passe que pedia aceleração, mas no momento decisivo o número 10 adiantou demasiado a bola e permitiu à defesa grigiorossa recuperar. Foi o prenúncio de mais um duelo particular entre Rafael Leão e Audero, que se tornou o tema do jogo: desta vez, o passe suave de Rabiot parecia perfeito, mas a saída rápida do guarda-redes fechou o ângulo e o número 10 rossonero desperdiçou mais uma ocasião clara.
Allegri percebeu que era preciso mudar algo e redesenhou o AC Milan com uma dupla substituição: saíram Fofana e Saelemaekers, entraram Ricci e Füllkrug, passando para um 4-3-3. Nicola respondeu pouco depois com três alterações em bloco, reorganizando a Cremonese para aguentar a pressão final e ganhar novo fôlego nos contra-ataques.
O jogo, no entanto, manteve-se no mesmo registo. Rafael Leão continuou à procura da jogada decisiva, voltou a libertar-se no coração da área, escapando a Terracciano, mas o remate saiu demasiado ao centro e Audero segurou sem dar hipótese de recarga. Uma tarde de azar para o talento rossonero e, ao mesmo tempo, uma exibição monumental do guarda-redes grigiorosso.
Duplo golpe nos instantes finais
Allegri arriscou tudo com as últimas alterações ofensivas: saíram Pulisic e Tomori, entraram Nkunku e Athekame, na tentativa de dar mais continuidade ao jogo e transformar as últimas oportunidades num golo decisivo.
Um dia de azar na finalização estava prestes a condenar os rossoneri a uma desvantagem de 12 pontos para o Inter, a uma semana do dérbi que pode decidir o título.
Aos 90 minutos, porém, um cabeceamento involuntário de Pavlovic após cruzamento de Modrić desbloqueou o jogo e deu ao AC Milan os três pontos no último suspiro. Pouco depois, a equipa rossonera fechou as contas com Rafael Leão, a concluir um contra-ataque conduzido por Füllkrug e finalizado por Nkunku, que serviu o português à boca da baliza para o golo da tranquilidade.
Para a Cremonese, pelo contrário, o resultado teve sabor a injustiça: apesar de uma exibição organizada e determinada, a derrota mantém os grigiorossi na zona perigosa da tabela, com o confronto direto frente ao Lecce no próximo fim de semana a assumir já contornos decisivos na luta pela permanência.

