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A campanha extraordinária do Thun deixou equipas como o Young Boys e o campeão em título Basel a verem-nos de longe.
Têm sido feitas comparações com o Kaiserslautern, recém-promovido, que conquistou a Bundesliga em 1998, com o Leicester City a levantar o troféu da Premier League em 2016, ou com o Mjallby, uma equipa de uma vila piscatória, que venceu o campeonato sueco no ano passado.
O plantel do Thun tem o segundo valor de mercado mais baixo da Super Liga suíça, composta por 12 equipas, fixando-se nos 16 milhões de euros, muito abaixo dos 67 milhões de euros do Young Boys.
O clube helvético garantiu a promoção a partir da Challenge League na época passada, pondo fim a um ciclo de cinco anos na segunda divisão suíça, e, após 22 jornadas de regresso ao escalão principal, o clube está nove pontos à frente do segundo classificado, o Lugano, com o St. Gallen, o Basel e o Sion ainda mais distantes.
Marcaram o maior número de golos e partilham o registo de menos golos concedidos.
A história está do lado das suas hipóteses de levantar o troféu: a emissora pública suíça SRF referiu que, desde o início da era da Super Liga em 2003/04, nenhuma equipa desperdiçou uma vantagem tão grande nesta fase da época.
O segredo do sucesso
Para consolidar a sua supremacia, o Thun venceu por 2-1 no terreno do Basel no domingo, silenciando os 26.000 adeptos presentes no St. Jakob-Park.
"O título de campeão ainda está muito longe", afirmou o treinador Mauro Lustrinelli à SRF no final, deixando um aviso de prudência.
A casa do Thun é a moderna Stockhorn Arena, com capacidade para 10.000 pessoas. O estádio, com relvado sintético, recebeu três jogos do Europeu feminino do ano passado.
Os títulos da segunda divisão em 2009/10 e 2024/25 são, até ao momento, as maiores conquistas do clube desde a sua fundação em 1898.
Mas cresce a expectativa no Oberland Bernês perante a possibilidade de o título suíço rumar a Thun, uma cidade de língua alemã junto ao lago, com 45.000 habitantes e dominada pelo seu castelo.

Numa mensagem aos adeptos publicada no site do Thun, o presidente do clube, Andres Gerber, antigo capitão do Thun e internacional suíço, admitiu ser difícil explicar "o segredo do nosso sucesso".
No entanto, destacou o espírito de equipa, aliado a "uma mistura bem-sucedida de humanidade, profissionalismo, competência, dinheiro e, acima de tudo, continuidade vivida, que é fundamental. Acredito e sinto que esta mistura está presente no FC Thun de hoje – tanto dentro de campo como em todo o clube."
Eficiência e continuidade
Lustrinelli, de 49 anos, é uma lenda do Thun, garantindo, tal como Gerber, a continuidade em relação ao auge anterior do clube.
Apontou 20 golos pelo Thun em 2004/05, levando a equipa ao segundo lugar da Super Liga – até então o melhor registo de sempre.
O clube chegou a disputar a fase de grupos da Liga dos Campeões, em que terminou em terceiro no grupo, atrás do Arsenal e do Ajax, mas à frente do Sparta Praga.
O antigo avançado da Suíça, que participou no Mundial-2006, assumiu o comando técnico do Thun em 2022.
Lustrinelli construiu, de forma discreta, um grupo unido e sem estrelas, formando uma equipa que nem sempre domina todos os jogos, mas que se revela extremamente eficiente na abordagem.

Jogadores como o médio Leonardo Bertone, de 31 anos, visto como o David Beckham suíço pelo seu carisma e qualidade nos livres, são exemplo da combinação de talento, espírito de equipa e ideias claras.
Vencer a segunda divisão suíça e, de seguida, a primeira divisão em épocas consecutivas só aconteceu uma vez: o Grasshopper, o clube mais titulado da Suíça, conseguiu esse feito em 1952.
"Não estou minimamente preocupado que nos deixemos levar. Somos de Thun, temos os pés assentes na terra. E estamos a habituar-nos, pouco a pouco, a ganhar", afirmou o médio Valmir Matoshi à SRF, depois de marcar o golo da vitória em Basel.
Faltando 16 jogos para o fim, o Thun desloca-se a Genebra para defrontar o aflito Servette no domingo.
