O crédito de Roberto de Zerbi está a esgotar-se em Marselha?

Roberto de Zerbi enfrenta um período decisivo
Roberto de Zerbi enfrenta um período decisivoNICOLAS TUCAT / AFP

Após a derrota frente ao Nantes, domingo à tarde, com nove contra onze (0-2), Roberto de Zerbi enfrentou uma onda de críticas inédita desde que assumiu o comando técnico do Marselha.

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No domingo, o Olympique de Marselha terminou a primeira metade da temporada com uma derrota pesada em casa diante do Nantes, que era 17.º à partida para este duelo (0-2). Um verdadeiro jogo sem história, especialmente depois de, na sexta-feira à noite, o Lens ter vencido o Toulouse por 3-0, tornando a vitória ainda mais crucial. Com o Troféu dos Campeões à porta, já esta quinta-feira, o OM atravessa uma fase complicada. Mais do que os jogadores, é Roberto de Zerbi quem parece estar encostado às cordas.

Demasiado permissivo

32 pontos correspondem praticamente a um ritmo de campeão, como se dizia antes do PSG se tornar quase omnipotente. Mas são menos oito do que os Sang-et-Or, menos sete do que o PSG e apenas mais dois do que Lille, Lyon e Rennes.

Há vários motivos para isso, mas, para lá das habituais lesões e suspensões que afetam todos os clubes, é sobretudo a nível tático que a situação preocupa. Tirando o Clássico disputado com 24 horas de atraso numa noite de entrega da Bola de Ouro a Ousmane Dembélé (1-0), o Marselha perdeu frente ao Rennes (1-0), Lyon (1-0), Lens (2-1) e Lille (1-0). Assim, contra o top 6, o clube só conseguiu vencer uma vez, quebrando 15 anos de jejum frente ao PSG em casa, principalmente graças a um erro de Lucas Chevalier. Contra o Top 10, o registo não é muito melhor: Monaco foi derrotado com alguma sorte, Estrasburgo caiu mesmo ao cair do pano depois de se ter autossabotado, enquanto Toulouse e Angers arrancaram um ponto no Vélodrome já nos descontos.

Na Liga dos Campeões, o Marselha desperdiçou a oportunidade frente ao Real Madrid, que terminou com dez (2-1), perdeu contra o Sporting depois de Emerson ter sido expulso de forma ingénua (2-1), e frente à Atalanta no Vélodrome já nos descontos (0-1). E se conseguiu ultrapassar o Newcastle depois de ter começado a perder (2-1), a sorte foi toda do lado do OM frente à Union Saint-Gilloise (2-3).

Independentemente das análises sobre decisões arbitrais favoráveis ou desfavoráveis, De Zerbi não consegue encontrar a fórmula certa, começando pela dúvida entre alinhar com três ou quatro defesas. De forma geral, os números ofensivos estão entre os melhores da Europa, mas quando a equipa defronta adversários diretos, o ataque revela-se frágil, com apenas dois golos frente aos restantes membros do top 6, sendo um deles um autogolo. Ou seja, quando o adversário é claramente inferior (Lorient, Metz, Nice no campeonato, Ajax, na Champions), os golos aparecem com facilidade. Mas mesmo nas vitórias folgadas frente ao Paris FC (5-2) e Le Havre (6-2), os marselheses passaram por sustos, quando Ilan Kebbal esteve perto de empatar para o recém-promovido e quando os normandos estiveram a vencer por 1-0 antes da expulsão de Gautier Lloris.

Dois meses de grande pressão

O técnico italiano pode invocar todos os argumentos extra-táticos, mas isso não chega para jogar bem. Capaz de elogiar os seus jogadores antes de os criticar publicamente e de multiplicar discursos populistas, De Zerbi safou-se na época passada, em parte devido à incapacidade dos rivais diretos em manterem a regularidade e graças a um calendário bastante acessível. Será assim esta temporada? Na chegada da primavera, o Marselha estava numa fase delicada, mas conseguiu recuperar e garantir a presença na Liga dos Campeões. O mínimo exigido numa época sem competições europeias para disputar.

Se o resultado é o mais importante para um clube que precisa urgentemente de jogar a Champions, quanto tempo mais os adeptos vão apoiar De Zerbi se o futebol não acompanhar? Porque, ao chegar a Marselha, foi sobretudo pela sua reputação tática que era esperado. Passados 18 meses, o balanço está longe de ser positivo, mesmo tendo o clube feito grandes investimentos no mercado de transferências e na folha salarial. De Zerbi não encontra soluções para que a sua equipa jogue bem e vença quando as dificuldades aumentam.

Vencer o Troféu dos Campeões seria um extra, numa altura em que os desafios se sucedem rapidamente: Liverpool (21-01), Lens (24-01), PSG (08-02), Estrasburgo (15-02), Lyon (01-03), sem esquecer os play-offs da Liga dos Campeões.

A gestão de De Zerbi está a causar cada vez mais desconforto, sobretudo porque, numa época pós-conquista da Champions pelo PSG, parecia abrir-se uma porta para lutar pelo título na Ligue 1. Na noite do Clássico no Parque dos Príncipes, essa porta pode fechar-se de vez. Nessa altura, será já tempo de fazer o balanço e questionar se valerá a pena continuar mais um ano. E, embora ainda seja cedo para avançar para essa hipótese, a sensação atual é de um cansaço crescente, até mesmo de alguma tensão.