Supertaça de Espanha: Um título e uma linha no chão

A Supertaça, um título e uma linha no chão
A Supertaça, um título e uma linha no chãoRFEF

A Supertaça de Espanha define o primeiro título da época e um dos primeiros momentos-chave da temporada. Athletic Bilbao e Atlético de Madrid sonham surpreender o Barcelona e o Real Madrid, sendo que o prémio costuma estar mais associado a vencer o eterno rival.

A Supertaça de Espanha já está aí, ainda que fisicamente se dispute na Arábia Saudita. Isto define duas realidades: nestes dias vamos conhecer o primeiro dos três campeões que as competições nacionais nos deixam em cada temporada. E chega o momento de traçar uma linha no chão para que cada participante marque tendência ou estabeleça um ponto de viragem.

Barcelona, Athletic Bilbao, Real Madrid e Atlético de Madrid disputam este ano a oitava edição em solo saudita, a sétima com o formato quadrangular. Com a equipa blaugrana, campeã em título, como adversário a abater. Com os 'colchoneros' como os únicos que ainda não ergueram o troféu. E com os dois grandes de Espanha empatados, ambos com três conquistas nesta nova realidade do torneio fora de Espanha.

Com Lamine Yamal, mas sem Kylian Mbappé. E cada um, com as suas próprias realidades individuais:

FC Barcelona

A equipa blaugrana chega embalada ao torneio que conquistou de forma categórica na época passada, coroada com aquele 5-2 ao Real Madrid. Depois de fechar em Cornellà a primeira volta como campeão de inverno e com mais dois pontos do que no ano anterior, o momento é propício para que Hansi Flick comece a defender com sucesso o triplete nacional na sua estreia.

Em teoria, não deverá ter grandes dificuldades para eliminar o Athletic nas meias-finais. O desafio de um novo 'Clássico' na final não é apenas um incentivo; é também o que confere um valor extra à Supertaça: vencê-la à custa do eterno rival dá força ao campeão, já que a sombra da Liga e da Champions coloca sempre este troféu numa dimensão inferior para os grandes.

Christensen não era opção; Ter Stegen lesionou-se à última hora, embora não fosse ter protagonismo face à sombra de um Joan García omnipresente; Gavi e Araujo não recuperaram a tempo e, para a estreia, Lamine Yamal apresenta-se algo debilitado devido a uma indisposição.

Athletic Bilbao

O Athletic é quem chega a transmitir piores sensações. Não se trata apenas de um momento de forma, é uma época em que Ernesto Valverde e os seus ainda não encontraram a fórmula certa. Esta má realidade é, ao mesmo tempo, um grande estímulo: conquistar a Supertaça seria uma resposta perfeita para o resto da temporada. Além disso, estar a dois jogos de levantar um troféu não é algo que aconteça frequentemente ao clube.

A ausência de Laporte, Yuri ou Mikel Vesga já está mais do que assimilada pelos leões, que se agarram à química entre os irmãos Williams para fazer frente ao Barcelona. Desta vez, não será só Nico a dar que falar; o duelo entre Unai Simón e Joan García, com vista à Seleção Espanhola, também estará em destaque.

Outro motivo de esperança é a estatística recente em eliminatórias frente aos blaugranas. Nos últimos oito confrontos, o Athletic venceu cinco, contra três do Barça. Ainda está bem presente a final de 2021, quando Asier Villalibre forçou o prolongamento enquanto os blaugranas já celebravam o título e Iñaki Williams consumou a reviravolta depois (3-2).

Real Madrid

O exercício de funambulismo de Xabi Alonso nos seus últimos jogos ganha uma dimensão especial em Jidá. Parece um tudo ou nada para o tolosano, a quem a conquista do troféu pode segurar no banco, da mesma forma que uma eliminação tardia ou um resultado pesado pode ditar o fim abrupto do seu percurso.

A ausência de Kylian Mbappé também não facilita a tarefa do treinador merengue, que tem ainda outra das suas estrelas, Vinicius, longe do melhor momento. Em contrapartida, chega com um Gonzalo em ascensão e um Rodrygo que voltou a entrar nas contas. E há um cliché que nunca se pode esquecer: o Real Madrid é feito de uma fibra diferente quando se trata de disputar torneios, especialmente os de eliminatória.

No horizonte está não só a vingança da dolorosa derrota na final da época passada, mas também contas por ajustar com o Atlético de Madrid, que lhe impôs o mesmo resultado (5-2) no dérbi madrileno da Liga. Em teoria, será a meia-final mais emocionante das duas.

Atlético de Madrid

Tal como acontece com o Athletic, para o Atlético de Madrid o título em si parece ganhar ainda mais valor, já que a sua sala de troféus abre-se menos vezes do que a dos dois grandes. E não importa em que estado chegue a equipa, Diego Simeone é especialista a preparar este tipo de jogos e torneios curtos.

Outro incentivo para os 'colchoneros', e para o próprio técnico argentino, é poder estrear o seu nome no palmarés deste troféu desde que se disputa na Arábia Saudita. É preciso recuar onze temporadas para encontrar a última conquista dos rojiblancos, precisamente frente aos vizinhos.

E embora nos dois precedentes com este formato o Real Madrid tenha saído vencedor (final de 2020 e meias-finais em 2024), os rojiblancos vêm de vencer os dois últimos dérbis e de dar luta também nas eliminatórias da Champions e da Taça do Rei.

Uma das chaves para Simeone é que Julián Álvarez volte a mostrar-se, ele que atravessa um momento de depressão futebolística que, paradoxalmente, começou depois do bis com que protagonizou a reviravolta frente aos merengues no último confronto da Liga. Pablo Barrios, praticamente descartado, é uma baixa de peso para o torneio.