Feminino: Austrália vai estabelecer um novo padrão na organização da Taça Asiática

O Estádio Accor, em Sydney, recebeu a final do Mundial feminino de 2023
O Estádio Accor, em Sydney, recebeu a final do Mundial feminino de 2023CATHERINE IVILL / GETTY IMAGES VIA AFP

A experiência da Austrália a organizar o Mundial feminino vai servir de base para elevar a próxima Taça Asiática a novos patamares de profissionalismo e rentabilidade, afirmou o organismo que gere o futebol na região.

A 21.ª edição do torneio quadrienal arranca no domingo, com as anfitriãs a defrontar as Filipinas em Perth. As campeãs China e as vencedoras do Mundial-2011 Japão estão entre as 12 equipas que vão disputar o troféu a 21 de março.

Austrália coorganizou o Mundial-2023 com Nova Zelândia e chegou às meias-finais impulsionada pelo apoio dos adeptos locais. O evento foi considerado um enorme sucesso e contribuiu para aumentar a visibilidade do futebol feminino a nível mundial.

"A expectativa é que a Austrália estabeleça um novo padrão para a competição em termos de qualidade, profissionalismo e visibilidade global", afirmou Windsor John, secretário-geral da Confederação Asiática de Futebol, à Reuters: "Após o sucesso do Mundial feminino, a infraestrutura, o conhecimento operacional e o interesse público pelo futebol feminino já estão bem consolidados".

Isso oferece uma base sólida para que a Taça Asiática feminina eleve ainda mais o seu perfil e já estamos a assistir a vendas recorde de bilhetes.

"Esta edição serve para consolidar os avanços alcançados nos últimos anos e reforçar a identidade do torneio como a principal competição de seleções femininas da Ásia."

As nações asiáticas têm perdido terreno face à elite do futebol desde que o Japão chegou à segunda final consecutiva do Mundial-2015. A derrota frente aos Estados Unidos marcou a última vez que uma equipa da região avançou tão longe numa competição global.

Um aumento significativo de financiamento para a Liga dos Campeões Feminina fez com que os padrões na Europa subissem rapidamente, deixando o resto do mundo a tentar recuperar. A AFC procurou reduzir a diferença ao lançar a sua própria versão da Liga dos Campeões no ano passado, mas John afirma que a melhoria dos resultados vai demorar.

"Fechar o fosso exige um alinhamento estrutural a longo prazo, em vez de medidas de curto prazo", disse: "A Ásia já produziu uma campeã mundial feminina com o Japão, e o objetivo agora é construir uma competitividade consistente num ambiente global cada vez mais profissional. Já estamos a assistir a vários sucessos no escalão jovem, com a Coreia do Norte a destacar-se nessa categoria".

Uma das evoluções mais importantes dos últimos tempos foi o lançamento da Liga dos Campeões Feminina da AFC, que dinamizou o ecossistema dos clubes femininos.

"Proporciona competição internacional de elite ao nível dos clubes, incentiva maior investimento nas ligas nacionais e aumenta a mobilidade das jogadoras dentro do continente."

A edição de 2026 da Taça Asiática feminina será também a última a servir de qualificação para o Mundial no continente.

Seis vagas para a fase final do próximo ano no Brasil estarão em disputa na Austrália, mas as eliminatórias para futuros Mundiais vão passar a ser realizadas separadamente, para aumentar o número de partidas internacionais disputadas em cada ciclo de quatro anos.

"Uma maior experiência de jogo é um fator fundamental para melhorar o equilíbrio competitivo e elevar os padrões gerais", afirmou John.