Recorde as incidências da partida
Na flash interview
Análise ao jogo: "Peço desculpa ao SC Braga e ao Carlos (Vicens). Não consigo dizer que mereceram ganhar. Tenho que dizer que o Benfica mereceu perder. Fomos nós que merecemos perder. Fizemos uma primeira parte horrível com exceção dos primeiros cinco minutos. A partir do momento em que o João Pinheiro assinalou grande penalidade que se viu fora da área, não houve clique positivo, mas um clique inexplicável de negatividade. Qualidade horrível de posse de bola com perdas de bola a dar contra-ataques. Zalazar bem a explorar a profundidade no lado direito e golo inaceitável, não obviamente pelo Otamendi que tinha amarelo. Primeira parte horrível a todos os níveis, mental, técnico. Inaceitável numa meia final de uma competição e em qualquer circunstância, até num jogo de pré-época com o Seixal ou o Amora. Segunda parte o oposto, inexplicável. Equipa corajosa, agressiva, a ganhar duelos e a meter o Braga encostado às cordas. Acreditámos, era importante um primeiro golo e apertá-los mais. O terceiro golo é inexplicável. Temos de virar, mas não podemos cometer erros defensivos. O 2-1 não é difícil de virar, estava ali, metemos Ivanovic e Cabral para dar profundidade e presença na área, e numa bola parada longe da área sofremos o terceiro golo. Cereja no topo do bolo, quem merece perder voltou a mostrá-lo."
Críticas a exibições individuais? "Há coisas que se podem dizer internamente e que não se podem ou não se devem dizer externamente. Normalmente, não falo no balneário depois dos jogos. Hoje falei, mas falei num tom crítico, mas calmo, não houve portas pelo ar ou nada que se pareça. Tive uma conversa que foi um monólogo porque não os senti em condições de se abrirem e falarem, uma coisa que terão que fazer. Mas houve desempenhos individuais inaceitáveis, rendimentos individuais muito muito baixos e que depois se traduzem numa performance coletiva na primeira parte muito muito fraca."
Segue-se FC Porto na Taça de Portugal: "Vamos jogar contra a equipa mais forte em Portugal neste momento. Não tenho a certeza se o João Pinheiro será assim com todos os capitães de equipa que apita. Parecia ter vontade do Otamendi ser expulso, se calhar é bom para o currículo dele expulsar um campeão do mundo. Uma coisa é um insulto, outra é discussão. Expulsar um jogar com o jogo acabado e nas circunstâncias que foi parece-me descabido. Ir ao Dragão com o Tomás e um miúdo dificulta ainda mais. Esperemos que o orgulho ferido e o sentimento de culpa permitam tirar o melhor de si próprios. O jogo que fizemos no Porto na primeira volta é sólido, sério e competitivo. Fomos a única equipa que não perdeu com eles na primeira volta. Quem faz o jogo que faz na primeira parte com níveis de autoestima tão baixos deixa ponto de interrogação."
Na sala de imprensa
Jogo com duas partes distintas? "Acho que há jogos em que as pessoas veem o jogo com olhos diferentes. Acho que este é dos jogos em que haverá unanimidade. O que dizes é o que dizemos todos. A primeira parte é má demais para uma equipa que até entrou bem, com bola e com uma situação de golo. Depois, inexplicavelmente, com um penálti assinalado e que foi posteriormente anulado pelo VAR, o que deveria ser um 'boost' positivo, a partir daí houve um colapso. Do ponto de vista técnico, um desastre. Jogadores a cometerem erros absolutamente incríveis. Há um período de cinco minutos em que três jogadores diferentes, ali na zona do meu banco, fazem três passes horizontais, em bloco baixo, na zona frontal da nossa área... Do ponto de vista emocional, fomos débeis. Uma primeira parte em que de negativo foi tudo. Não consigo encontrar nada de positivo à exceção dos primeiros cinco minutos. A segunda parte foi diferente a todos os níveis. O Benfica pressionava, roubava a bola e jogava, jogava. Imaginemos em que dizemos que a primeira parte foi do Braga e a segunda foi do Benfica, que o resultado mais justo seria o empate, mas não. Quem faz uma primeira parte tão má, não merece vencer. Não foi o SC Braga que ganhou, fomos nós que perdemos."
Manu Silva substituído ao intervalo: "O Manu teve uma das lesões mais graves no futebol. Estava num processo de crescimento gradual, fez o jogo com o Farense, depois frente ao Estoril em casa em que tivemos pouca correria e muita posse de bola. Sabíamos que havia algum risco com o Manu, não por culpa própria, mas por culpa da sua situação. Não foi pelo Manu. A equipa foi mais forte na segunda parte, mas não foi por causa de Manu que fizemos a primeira parte que fizemos."
Atitude dos jogadores do Benfica: "Se me fizesse a pergunta de como é que eu encarei o jogo e me preparei para o jogo, eu dir-lhe-ia como todos, se calhar um bocadinho mais, mas como todos. Eu estive com os jogadores no balneário a fazer uma coisa que habitualmente não faço, que foi falar depois do jogo. Normalmente não falo. Não senti da parte deles recetividade para o diálogo. Obviamente que a tristeza é muita e ninguém quis entrar em conversa comigo, então foi um monólogo. Não quero acreditar que um jogador do Benfica está nervoso por jogar uma meia-final da Taça da Liga, porque se não não é jogador para o Benfica. Tal como não quero acreditar que possam ter olhado para o jogo com sobranceria. Também não quero acreditar."
Erros do jogo do campeonato repetiram-se? "Na Pedreira foram pouquíssimos. A diferença da primeira para a segunda parte foi que o Barreiro, o Sudakov e o Aursnes começaram a mostrar-se muito mais ao jogo. Começaram a baixar, a apanhar jogo entrelinhas, a girar e a correr no último terço. Preparámos este jogo bem e preparámos no sentido em que o SC Braga iria tentar o mesmo ou que iriam corrigir porque a segunda parte foi muito difícil para eles. A chegarem ou não chegarem aos nossos jogadores na segunda linha foi exatamente igual. Porquê que não correu bem neste jogo? Não gosto muito dos 'ses', mas se não há o 3.º golo isto não acabava 2-1. O SC Braga meteu-se todo lá atrás, começa a entrar Paulo Oliveira... e estava em grande dificuldade. Mas o 3.º golo aparece e acaba com o jogo. Depois, o João Pinheiro mostrou os músculos que não mostra a todos os capitães de equipa, mas mostrou ao nosso. Recuso-me a dizer que merecíamos o empate e ir a penáltis porque a nossa primeira parte foi horrível, ao contrário da segunda parte do SC Braga, que foi difícil. A única coisa que foi horrível é uma coisa que é rotineira no campeonato português, que eu criticava no campeonato turco, e venho encontrar a mesma coisa é o facto de os guarda-redes a não terem um mínimo de dignidade, profissionalismo e respeito pelo jogo. Eles sabem perfeitamente que quando um guarda-redes está lesionado que não há jogo. Uma das poucas coisas boas que ele fez hoje foi ter dado um amarelo ao guarda-redes ao 30'. Mas depois quando andam com os 5, 4, 3, 2, 1 nos dedos... Os guarda-redes em Portugal têm muito controlo sobre o ritmo do jogo."
Como convence adeptos do Benfica a acreditar? "Eu acho que não tenho que convencer. Acho que não se trata de convencer, mas sim de trabalhar sempre no máximo das nossas pontencialidade, falo por mim próprio. Já que falou em críticas aos jogadores, nem foi críticas, disse uma palavra um bocadinho mais forte (arrasar) não foi essa a minha intenção, nem acho que o fiz. Apenas constatei o que aconteceu. Se eu chegasse aqui e dissesse que os jogadores tinham sido fantásticos, vocês dizem 'Oh José Mourinho, você está choné'. Agora, que é difícil jogar no Porto, sim. Jogar sem o Otamendi e o António Silva, é difícil. Sem Enzo e um Manu a recuperar, é difícil. Mas temos de recuperar. Não há folga por termos jogo este fim de semana. Não há mais nada do que conversar sobre o que foi o jogo de hoje. Esta foi a primeira derrota que tivemos em Portugal esta época. A primeira parte também foi a pior performance que tivemos esta época. O banco que tínhamos hoje é uma equipa de miúdos sem minutos pela equipa principal. Imaginei esta equipa hoje com o Enzo no campo, o Manu no banco, com o Bah, com o Bruma... Temos tido dificuldades, mas a minha natureza enquanto treinador é nunca desistir e não permitir que aqueles que estão comigo desistam. Ao intervalo conseguimos levantar uma equipa que parecia morta. Vamos tentar fazer isso com o FC Porto e depois com a Juventus."
Segue-se o FC Porto: "Sobre a ida ao Dragão, temos conferência de imprensa, a ser que não façamos a conferência de imprensa para a semana. Se quiserem, fazemos já a conferência de imprensa, que eu fico contente, e já não fazemos na terça-feira. Olhe, nós hoje, pensando que jogaríamos a final, não vamos para casa e vamos para o Seixal. Os jogadores vão dormir no Seixal e amanhã há trabalho e depois de amanhã há trabalho. Só que não há jogo sábado. Não havendo final sábado, o nosso próximo jogo é com o FC Porto, na próxima quarta-feira. Ao chegar ao Seixal, cada um vai para os seus quartos. Desejo que os jogadores durmam tão bem quanto eu, ou seja, não durmirem. É aquilo que eu lhes desejo. Que não durmam e pensem muito como eu vou pensar. E que depois, amanhã, comecemos a conversar, que não foi o que aconteceu no balneário. No balneário foi um monólogo e monólogo a mim não me entra, gosto de dialogar com os jogadores. Vamos conversar sobre as diferenças entre a primeira e a segunda parte e prepararmos da melhor forma o jogo com o FC Porto. Sem Otamendi, sem António Silva e muito provavelmente sem o Enzo. Mas vamos lá, a pensar que podemos ganhar o jogo."
Pavlidis pediu desculpa aos adeptos: "Claro que entendo. Quando o jogo acaba, vitória ou derrota, saio sempre. Não gosto de ficar em campo. Não tive essa perceção, mas consigo imaginar perfeitamente o desagrado dos adeptos. Alimentam-se das vitórias e não das derrotas. Os adeptos alimentam-se de bons resultados e, muito honestamente, a primeira parte é muito má, aliada à derrota. Portanto, acho perfeitamente normal que nos assobiem a todos nós. Acredito que os assobios não são apenas direcionados para quem falha um golo ou comete um erro, mas sim para todos nós."
