Mourinho fala sobre Amorim, Enzo, Aursnes e gestão da equipa do Benfica: "Vamos até ao limite"

José Mourinho, treinador do Benfica
José Mourinho, treinador do BenficaHUGO DELGADO/LUSA

As declarações de José Mourinho na conferência de imprensa de antevisão ao duelo entre Benfica e SC Braga, a contar para as meias-finais da Taça da Liga, que se disputam no Estádio Dr. Magalhães Pessoa, em Leiria.

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Lesões e mês com muitos jogos em várias competições: "Há sempre necessidade - não diria de reinventar, mas de adaptar - e, principalmente, vão faltar-nos opções em termos de rotatividade, em termos de termos um segundo jogador para cada posição. Vamos ter de fazer um bocadinho de exercício. Se não há António Silva e há Tomás e Otamendi, obviamente que o terceiro virá de baixo, neste caso, o Gonçalo Oliveira. Mas agarramo-nos também à equipa B e ao trabalho que fazemos com eles. Ontem, a equipa B foi claramente prejudicada pelas necessidades da equipa A. Obrigar o Veríssimo a tirar o Prioste e o Rego ao intervalo prejudica a equipa B, mas o Prioste e o Rego vão estar no banco amanhã. Dentro deste tipo de colaboração nasce a proteção aos problemas de lesões, sem termos de reinventar grandes coisas. É um mês com tantos jogos que um jogador lesionado pode falhar seis partidas".

Dependente dos jovens: "Estamos numa situação em que ainda conseguimos equilibrar-nos. Exemplo: o Gonçalo Oliveira vai estar amanhã no banco, mas está ali à porta. Podia dar mais exemplos. Sem Enzo, o Prioste está à porta; com Dahl, a porta está fechada para o José Neto entrar. Temos vindo a abordar os problemas sempre da mesma maneira. O drama da lesão do Lukebakio: sabíamos da importância dele... Trouxe algumas lágrimas internamente, mas passámos logo a ideia de que íamos em busca de soluções. A coisa está mais difícil, mas com esta situação da equipa B jogar na Liga 2, que dá experiência aos mais jovens, é muito bom para eles. Quando vêm e têm de jogar, já têm uma preparação de base muito boa".

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Jogo mais calculista? "Às vezes, as vossas perceções de fora, que são legítimas e têm muitas vezes como base o que veem em campo, não correspondem ao que os treinadores quiseram que acontecesse. Os jogos vão em direções que nós não queremos. Não acredito que o SC Braga, a ganhar 2-1 na primeira parte, tenha entrado no segundo tempo a pensar que queria defender. A verdade é que defendeu. Mas não acredito que fosse essa a intenção. A realidade é que não é um jogo a pontos, tem de acabar com um vencedor. Do que conheço da equipa do SC Braga, e sem ter uma relação próxima com o Carlos, não acredito que ele vá pensar em aguentar até ao minuto 90 e esperar pelos penáltis. Tem tudo para ser um bom jogo, como foi em Braga".

A saída de Ruben Amorim de Old Trafford: "Pressão? Não sinto dessa forma"

Despedimento de Rúben Amorim: "A saída do Rúben e a pressão para treinar em Portugal... não percebo porquê. Para mim, não sinto dessa forma. (...) A minha carreira no Manchester conheço bem, o motivo por que acabei por sair também conheço bem. Mas, como sempre faço, quando saio de um clube, fecho a porta: não comento, não analiso externamente o que aconteceu. Fecha-se uma porta e abre-se outra. A história ficou lá, os números ficaram lá, as medalhas foram para casa. O que aconteceu com o Rúben em 14 meses só ele poderá analisar. Conhecendo-o, acredito que o fará. Se o tornará público ou não, já é uma coisa que não sei".

Conquista da Taça da Liga salva a época? É tudo muito hipotético. Ganhar ou não, não sabemos. Nem sequer sabemos se vamos à final. Não sabemos se trazemos a taça para casa ou não. É tudo muito hipotético, e não gosto de ver as coisas dessa forma. Suficiente é fazermos o que fazemos: chegar ao limite do que temos para dar. Esse é o nosso desafio".

Ausência de Enzo: "Foi decidido tratamento conservador, não cirúrgico. Se fosse cirúrgico, tinha acabado a época. Tendo em conta que precisamos dele e que, segundo a avaliação dele e do departamento médico, há boas condições de recuperar sem cirurgia, vamos ver se chega ao jogo com o FC Porto na próxima semana. Amanhã não, e eventualmente na final também não. Manu? Portas que se fecham, portas que se abrem. Temos dois jogadores para aquela posição: Manu e Aursnes. E depois temos o Prioste, que tem muitos minutos na equipa B, a demonstrar maturidade e conhecimento do jogo. É um jogador da equipa principal que vai à B".

Comunicação dos árbitros: "O presidente dos árbitros é o mais indicado para fazer essa análise. Acho que o debate público traz uma dose maior de pressão, mas talvez fosse mais fácil para os intervenientes. Imagine um jogo em que perdi: eu não gostaria de ir falar para a imprensa, mas, por outro lado, isso traz um sentido de responsabilidade diferente e obriga a enfrentar os problemas criados. Por isso, não sei o que será melhor. Uma coisa que seria boa era seguir a minha perspetiva: antes dos jogos, todos os árbitros são bons e vamos dar confiança. É verdade... não estou a fazer teatro. Para mim, todos os árbitros são bons; depois, pela performance, é que são bons ou maus".

"Vamos sempre dizer que não estamos contentes por isto ou por aquilo, os programas vão sempre analisar, mas percebe-se que muitas das situações analisadas por “experts” ou supostos “experts” não têm unanimidade. É nesse tipo de situação que pergunto porque é que o VAR perturba o desenvolvimento natural do jogo. O VAR ajuda, sim... ajuda em situações claras e inequívocas. Qualquer árbitro ficará super feliz se alguém lhe disser: “Cometeste um erro inequívoco, vai ver”, e saímos todos felizes. O que me perturba são as situações duvidosas, que vão gerar debate durante a semana e criar instabilidade nos árbitros".

Importância de estar na final da Taça da Liga: "Não consigo olhar para as coisas dessa maneira. Se calhar, nem jogo a final. Depois, se jogar, pode ser que ganhe ou não. Não gosto do hipotético. Estou habituado a jogar finais - ganhei muitas, perdi algumas -, isso dá know-how e estabilidade emocional, mas não ajuda a ganhar nem a perder. O facto de ter ganho tanta coisa não me retira o apetite. Continuo igual".

Os próximos jogos do Benfica
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Gestão da equipa: "Não temos condições para pensar em gestão. Os dois jogos que já temos marcados - SC Braga e FC Porto - e, no meio, eventualmente Sporting ou Vitória SC, são jogos que não dão espaço para pensar em rotatividade. A situação do Aursnes, e de todos os outros, é: vamos com tudo até onde der. Não há condições para grande rotatividade. Não há jogadores suficientes, não há réplicas… Vamos como estamos. Vamos até ao limite. Amanhã o Aursnes joga, joga a titular, e depois logo se vê".

Benfica com mais troféus na Taça da Liga: mais pressão? "Não aumenta a pressão".

Rotatividade na baliza? "Não".

Importância de estar em Leiria. Algum simbolismo? "É igual jogar em Leiria ou não".

Importância de ganhar o primeiro troféu para o Benfica neste regresso: "Para mim, pessoalmente, 26 ou 27 não vai mudar grande coisa, mas gostava muito que acontecesse. Para o Benfica, mais uma Taça da Liga ou não, não muda a história do clube. Agora, a alegria dos adeptos e de um grupo que merece muito é o que motiva esta ambição. Olho para este grupo e vejo um grupo muito bom, com gente amiga, que trabalha muito e bem - um grupo solidário, com quem trabalha à volta com grande dedicação. Por todos eles, gostava muito de ganhar o troféu".