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A duas horas do início do primeiro dérbi minhoto de sempre numa final, os adeptos iam enchendo as imediações do Estádio Dr. Magalhães Pessoa, em Leiria, cantando músicas de apoio aos clubes e trocando as últimas análises antes do apito inicial.
“Já vi o Vitória ganhar duas Taças, mas apenas estive na final da Taça de Portugal. Que seja mais uma vitória, mas creio que temos de ter a mesma união do último jogo”, assumiu à Lusa Carlos Pieiro, de 56 anos, certo de que os vimaranenses levantarão a primeira Taça da Liga da sua história com um golo solitário de Nélson Oliveira.
“Como é um dérbi, tem uma importância muito grande. Das finais que vi este é o jogo mais importante”, assumiu também.
O Vitória SC eliminou o Sporting, 1-2, nas meias-finais, e estreia-se no jogo decisivo da competição, regressando à final de uma prova quase 10 anos depois.
Refira-se que o emblema de Guimarães vive um jejum de títulos desde 2012/13, quando ergueu a Taça de Portugal depois de derrotar o Benfica (2-1), prova rainha na qual atingiu sete finais.
Antes disso, a última grande conquista havia sido alcançada em 1988, com o Vitória SC a superiorizar-se ao FC Porto, numa disputa a duas mãos, na Supertaça Cândido de Oliveira, que viria a jogar por mais três ocasiões, mas sem lograr erguer a Taça.
Micael Rodrigues, de apenas 12 anos, ainda não era nascido quando o Vitória SC ergueu o último título, mas nem isso beliscou a confiança do pequeno adepto.
“É um sentimento de muito orgulho estar aqui e ver pela primeira vez o Vitória na final”, assumiu, esperando um triunfo por 3-1, com tentos de “Beni, de Ndoye e outro de Saviolo”. E, para que isso aconteça, apontou, será “determinante o apoio dos adeptos”.
Já Leonor Pereira admitiu que espera um “jogo muito renhido”, mas que no final seja o Vitória SC a vencer, repisando a importância dos milhares que vão estar na bancada a apoiar o clube.
“Hoje temos de lutar muito, mostrar a nossa raça e fazer o que fizemos ao Sporting. É colocar pressão em cima do SC Braga”, motivou a jovem de 18 anos, pronta para ser uma das vozes mais audíveis. “Temos de gritar muito e torcer até ao fim. Temos de ser o 12.º jogador”, asseverou, colocando as fichas em Samu Silva para decidir a final.
Já do lado dos bracarenses, bem mais experientes no jogo decisivo da prova, a confiança é notória.
“Espero uma vitória. É um jogo diferente, é um dérbi do Minho, os jogadores sentem este jogo de uma maneira totalmente diferente. Tem tudo para ser um dérbi à Minho em Leiria e tem tudo para correr bem”, antecipou Edgar Simões.
Com 29 anos, e depois de já ter visto a formação de Braga em várias finais, o adepto admitiu que a experiência nos duelos decisivos poderá também ser um fator “com algum peso”.
“Temos jogadores mais experientes nestas andanças, mesmo na Europa, e isso é um fator com peso. Creio que o SC Braga, nessa parte, corre como favorito, mas é uma final e tudo pode acontecer”, advertiu, esperançado numa vitória dos arsenalistas por 3-1, com um bis de Rodrigo Zalazar e um tento de Ricardo Horta.
Sobre a receita, foi taxativo: “A chave será jogarem como jogaram contra o Benfica, com garra, determinação e sem medo de olhar o adversário”, sublinhou.
Finalista em 2012/13, 2016/17, 2019/20, 2020/21 e 2023/24, o SC Braga – que nas meias-finais impôs a primeira derrota nacional da época ao recordista de conquistas Benfica (3-1) – apurou-se para o duelo decisivo da mais jovem competição do futebol profissional português pela sexta vez, procurando hoje a quarta conquista, depois dos feitos de 2012/13 e 2019/20, no seu estádio, e de 2023/24, já em Leiria.
A confiança, de resto, foi corroborada pelo pequeno Salvador Freitas, de apenas oito anos, que estava acompanhado pelo pai na zona destinada aos adeptos do clube bracarense. “Aposto num 5-0, com golos do Zalazar, do Pau Víctor e do Ricardo Horta”, assinalou, de imediato.
Mais contido foi o progenitor. Não querendo avançar com um resultado, justificando que o “que interessa é a vitória”, João Freitas explicou que será um jogo especial para a família. Tanto mais porque é natural de … Guimarães.
“É especial porque é a primeira final contra o Vitória e é o dérbi dos dérbis. É um jogo especial para clubes e adeptos”, atirou, notando que “a partir do momento que se soube que iria ser um dérbi na final, foi um misto de satisfação e também de algum receio”.
Até porque, como brincou, “uma parte da família é adepta do Vitória SC e, por isso, os jantares e eventos de família são sempre de alguma tensão”.
Por seu turno, e bem mais discreta, Alice Brandão, de 49 anos, antecipou um triunfo, por 1-0, reiterando a confiança de que o uruguaio Rodrigo Zalazar voltará a ser decisivo.
Com arbitragem de Hélder Malheiro, da associação de Lisboa, a final da 19.ª edição da Taça da Liga de Futebol vai disputar-se hoje, a partir das 20:00, no Estádio Dr. Magalhães Pessoa, em Leiria, num inédito duelo que vai opor os dois grandes rivais do Minho pela primeira vez na história na final de uma competição.
