O triunfo por 2-1 frente à África do Sul em Rabate, nos oitavos de final, no domingo, permite-lhes manter a esperança de acrescentar mais um troféu aos cinco títulos africanos já conquistados, além de apagar a desilusão de não terem conseguido a qualificação para o Mundial deste ano.
“Falhar o Mundial foi uma grande deceção para nós, mas somos um grupo jovem de jogadores que continua a crescer em conjunto”, afirmou o médio Carlos Baleba após a vitória.
Os Camarões passaram os últimos 18 meses envolvidos numa insólita luta de vontades entre a sua federação, liderada pelo quatro vezes Futebolista Africano do Ano Samuel Eto’o, e o ministério do desporto, responsável pelo treinador.
Marc Brys foi contratado contra a vontade de Eto’o, e ambos trocaram farpas publicamente ao longo dos 21 meses em que o belga orientou a equipa. Brys tinha o apoio do governo, que financia a equipa, deixando um Eto’o frustrado a tentar minar o treinador sempre que podia, mas sem conseguir afastá-lo.
Isso fez com que os Camarões, que já participaram em mais Mundiais do que qualquer outro país africano, tropeçassem na campanha de qualificação para 2026, terminando atrás de Cabo Verde no grupo e depois perdendo para a República Democrática do Congo num play-off para os quatro melhores segundos classificados em novembro.
O fracasso no Mundial, aliado à vitória esmagadora de Eto’o nas eleições para a federação na mesma altura, fez com que o apoio a Brys desaparecesse subitamente, levando ao seu despedimento três semanas antes da fase final.

Para o seu lugar, foi nomeado David Pagou como novo selecionador e a convocatória para a Taça das Nações foi feita sem o capitão Vincent Aboubakar nem o guarda-redes Andre Onana, ambos já tinham manifestado apoio ao ministro do desporto.
Neste contexto, pouco se esperava dos Camarões na Taça das Nações, mas como disse o selecionador da África do Sul, Hugo Broos, após a derrota da sua equipa: “Os Camarões jogam com muita alma, espírito de luta e são um adversário fisicamente forte e muito difícil".
Broos era o treinador quando os Camarões conquistaram pela última vez a Taça das Nações, em 2017, também vistos como outsiders após uma série de crises administrativas.
Superar obstáculos
Os Camarões foram o primeiro país africano a chegar aos quartos de final do Mundial, em Itália, em 1990, superando as dificuldades de uma preparação deficiente na antiga Jugoslávia, uma disputa entre os dois guarda-redes titulares, um treinador russo com grandes dificuldades de comunicação com os jogadores e uma ordem presidencial para incluir o recém-retirado Roger Milla na equipa.
O então veterano de 38 anos viria a ser uma das grandes figuras do Itália ’90.
“Acho que podem voltar a surpreender-nos e chegar até ao fim, tal como fizeram quando Marrocos organizou pela última vez o torneio”, afirmou o experiente treinador Claude LeRoy à Reuters na segunda-feira.
O francês estava no comando quando venceram a edição de 1988, superando os anfitriões numa meia-final escaldante e a Nigéria na final.
