CAN-2025: Marrocos espera que o apoio do público seja decisivo na conquista do título

Marrocos festeja o apuramento para a final da CAN e agora sonha com a conquista do seu segundo título continental.
Marrocos festeja o apuramento para a final da CAN e agora sonha com a conquista do seu segundo título continental.FAREED KOTB / ANADOLU / ANADOLU VIA AFP

Marrocos e Senegal defrontam-se este domingo numa final de peso da Taça das Nações Africanas, com o país anfitrião a acreditar que o ambiente fervoroso nas bancadas pode ajudar a equipa a conquistar o seu primeiro título continental em meio século.

A Marrocos de Walid Regragui partiu como favorita nesta competição, depois de se ter tornado a primeira seleção africana a chegar às meias-finais do Mundial em 2022, consolidando-se como a principal equipa do continente no ranking da FIFA.

Está invicta há dois anos, desde que foi eliminada nos oitavos de final da última CAN, na Costa do Marfim, frente à África do Sul, e é capitaneada pelo atual futebolista africano do ano, o irreverente lateral do Paris Saint-Germain Achraf Hakimi.

No entanto, tudo isto faz com que a pressão sobre Marrocos para vencer seja enorme desde o início deste torneio, o primeiro realizado no país desde 1988 e a primeira CAN a começar num ano e terminar noutro.

Marrocos disputou todos os seus jogos no Estádio Príncipe Moulay Abdellah, na capital Rabate, onde chegou a ser vaiada pelos próprios adeptos na fase de grupos, mas acabou por conquistar o exigente público à medida que a competição avançou.

Depois de uma vitória convincente sobre os Camarões nos quartos de final e de um triunfo sofrido nos penáltis frente à Nigéria na meia-final de quarta-feira, cerca de 70 mil adeptos marroquinos vão encher o estádio na esperança de ver a sua equipa levantar o troféu.

"Penso que merecemos estar na final. Defrontámos equipas de topo como o Mali, os Camarões e a Nigéria, e agora vamos enfrentar mais uma das melhores seleções," afirmou Regragui, que tem sido alvo de críticas constantes por parte de um público exigente.

"Mais cedo ou mais tarde, as pessoas vão ter de aceitar que Marrocos é realmente uma grande nação do futebol. Mas, para darmos o próximo passo, temos de conquistar títulos, por isso o jogo de domingo é mesmo muito importante para a nossa história."

Regragui está consciente do registo pouco impressionante do país na competição, com o único título conquistado na Etiópia, em 1976.

O treinador, nascido em França, fez parte da última equipa marroquina a chegar à final, quando perdeu frente à anfitriã Tunísia em 2004. Desta vez, quer ir mais longe.

Se não o conseguir, é provável que já não esteja no comando quando o Mundial começar em junho.

"Mesmo que tivéssemos sido eliminados na primeira jornada, isso não me impediria de acreditar em mim próprio e de dizer a mim mesmo que sou um bom treinador," afirmou Regragui.

"O que fiz no passado ninguém me pode tirar. Não estou à espera que me ofereçam nada. Não reclamo ser o melhor. O mais importante é que Marrocos está na final."

Despedida de Mané da CAN

Os anfitriões não podiam ter pedido adversário mais difícil do que o Senegal, segunda melhor seleção africana no ranking e que chega à sua terceira final em quatro edições da CAN.

Depois de perder frente à Argélia no Cairo em 2019, os Leões de Teranga conquistaram o título pela primeira vez em Iaundé, em 2022, ao baterem o Egito nos penáltis.

Eliminados pela Costa do Marfim nos oitavos de final em 2024, conseguiram recuperar e apuraram-se para o Mundial, chegando agora à final graças a um golo de Sadio Mané que derrotou o Egito nas meias-finais.

É uma seleção senegalesa muito experiente, mas envelhecida – Mané, o guarda-redes Edouard Mendy, o capitão Kalidou Koulibaly e o médio Idrissa Gana Gueye têm todos entre 33 e 36 anos.

O antigo jogador do Liverpool, Mané, afirmou após o jogo com o Egito que esta final será o seu último jogo na Taça das Nações.

"Sou um soldado da nação e tento dar tudo o que tenho todos os dias, seja nos treinos ou nos jogos," disse Mané.

"Mas isso não é o mais importante para mim. O fundamental é levar esta taça para Dakar."

O central Koulibaly vai falhar o encontro devido a castigo, uma baixa de peso para o Senegal numa final entre duas defesas de excelência. Entre ambas, só consentiram três golos nesta competição.