Pape Thiaw e o seu Senegal vão defrontar o Hossam Hassan e o seu Egito no primeiro dos duelos das meias-finais de quarta-feira, enquanto Eric Chelle e a sua Nigéria enfrentam os anfitriões Marrocos, orientados pelo experiente Walid Regragui.
Chelle e Regragui passaram os primeiros anos em França, mas a tendência de ver treinadores europeus à frente de seleções africanas está a desaparecer gradualmente do desporto.
Não desapareceu por completo, já que 10 das 24 seleções presentes na Taça das Nações em Marrocos chegaram com treinadores europeus, mas cresce a convicção de que os técnicos africanos têm um melhor entendimento do futebol no continente e conhecem mais profundamente os jogadores.
Entre as equipas que chegaram aos quartos de final, apenas Mali (Tom Saintfiet) e Argélia (Vladimir Petkovic) eram orientados por treinadores não africanos.
Há até quem defenda que o belga Saintfiet merece estatuto honorário africano, tendo passado grande parte das últimas duas décadas a treinar no continente.
Eis um olhar sobre os quatro treinadores ainda em prova em Marrocos.
Eric Chelle (Nigéria)
Nascido na Costa do Marfim, filho de pai francês e mãe maliana, Chelle cresceu em França, mas representou a seleção do Mali.
Foi defesa-central durante a carreira de jogador, que decorreu inteiramente em França, com destaque para passagens pelo Valenciennes e pelo Lens, sendo ainda relativamente novo no panorama africano enquanto treinador.
Foi nomeado selecionador do Mali em 2022, cargo que ocupou durante dois anos, até sair após a eliminação frente à anfitriã Costa do Marfim, nos quartos de final da última CAN.
Em janeiro de 2025, foi uma escolha algo surpreendente para a Nigéria e não conseguiu garantir a qualificação para o Mundial nos Estados Unidos, México e Canadá, mas está a conseguir bons resultados em Marrocos.
Com 48 anos, ainda está numa fase inicial da carreira de treinador, mas tem agora a oportunidade de alcançar algo especial com os Super Eagles.
Hossam Hassan (Egito)
Avançado lendário em África, Hassan conquistou a CAN por três vezes enquanto jogador, ao longo de uma notável carreira de 20 anos entre 1986 e 2006.
Essa longevidade em campo reflete-se nas suas 177 internacionalizações, numa carreira em que também conquistou 13 títulos da Liga egípcia, tendo jogado pelos dois grandes rivais do Cairo, o Al Ahly e o Zamalek.
Os seus 69 golos pela seleção continuam a ser um recorde egípcio, embora esteja prestes a ser ultrapassado por Mohamed Salah, que já soma 67, algo que Hassan espera que aconteça neste torneio.
Enquanto treinador, ainda não conseguiu igualar o sucesso de jogador, mas esta é uma oportunidade para mudar isso e, depois de ter levado o Egito ao Mundial este ano, pode agora ambicionar conquistar também o título continental.
Conhecido pelo seu temperamento forte, o técnico de 59 anos tornou-se mais moderado e conta ao seu lado com o irmão gémeo Ibrahim, que desempenha funções de diretor técnico da seleção.
Walid Regragui (Marrocos)
O treinador que ficará para sempre associado à histórica presença de Marrocos nas meias-finais do Mundial-2022 pode agora consolidar o seu legado, ao conquistar o primeiro título da CAN para o país em 50 anos.
No entanto, não é consensual e há quem, em Marrocos, considere que não consegue tirar o melhor partido do talento disponível, embora essa avaliação pareça algo injusta.
Com 50 anos, nasceu em França e foi lateral-direito, tendo feito uma carreira sólida e somado 44 internacionalizações por Marrocos entre 2001 e 2009.
Foi vice-campeão da Taça das Nações em 2004 enquanto jogador, o que lhe dá ainda mais motivação para tentar ir mais longe desta vez.
Com exceção de uma curta passagem pelo Catar, toda a sua experiência como treinador foi adquirida em Marrocos, incluindo seis anos ao serviço do FUS Rabat.
Também conduziu o Wydad Casablanca ao título da Liga dos Campeões da CAF antes de assumir o comando da seleção nacional em agosto de 2022, pouco antes do Mundial do Catar.
Pape Thiaw (Senegal)
O mais jovem e menos experiente dos quatro treinadores presentes nas meias-finais, Thiaw já saboreou o sucesso continental ao conduzir o seu país à conquista do Campeonato Africano das Nações (CHAN) em 2022, uma competição reservada a jogadores que atuam nos clubes nacionais.
Nascido em Dacar, teve uma carreira modesta como avançado, jogando em clubes de França, Suíça, Espanha e Rússia.
Thiaw teve uma breve passagem pela seleção, mas foi produtiva, com cinco golos em 16 internacionalizações entre 2001 e 2003, integrando ainda a equipa que chegou aos quartos de final do Mundial-2002.
Esteve três anos à frente do Niarry Tally, no Senegal, um clube pertencente a uma empresa de bolachas, antes de ser convidado a liderar a seleção CHAN do país.
Assumiu o comando da seleção principal em dezembro de 2024, sucedendo ao lendário Aliou Cissé, e já garantiu a presença do Senegal no Mundial deste ano.
Em vez de procurar um treinador europeu de renome, e não faltariam interessados tendo em conta o perfil da equipa, o Senegal apostou numa solução local, que até agora tem dado frutos.
