CAN-2025: Regragui (Marrocos) manifesta desilusão com o drama "vergonhoso" na final

Walid Regragui, selecionador de Marrocos
Walid Regragui, selecionador de MarrocosABDEL MAJID BZIOUAT / AFP

O selecionador de Marrocos, Walid Regragui, criticou duramente os episódios "vergonhosos" que marcaram a final da Taça Africana das Nações (CAN) de domingo, em que os jogadores do Senegal abandonaram o relvado em protesto já perto do fim do encontro, antes de regressarem e conquistarem o título no prolongamento.

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"A imagem que demos do futebol africano foi bastante vergonhosa. Ter de interromper o jogo durante mais de 10 minutos com o mundo inteiro a assistir não é nada elegante", afirmou Regragui após a derrota dramática dos anfitriões por 1-0 em Rabate.

Marrocos teve uma oportunidade de ouro para conquistar o troféu quando lhe foi assinalada uma grande penalidade já nos descontos do tempo regulamentar, com o marcador ainda em branco.

O árbitro congolês Jean-Jacques Ndala assinalou o castigo máximo após consulta ao VAR, devido a uma falta sobre Brahim Diaz cometida pelo defesa do Senegal, El Hadji Malick Diouf.

Os jogadores do Senegal ficaram revoltados com a decisão e vários abandonaram o relvado em sinal de protesto, enquanto adeptos senegaleses, visivelmente irritados, lançaram objetos e envolveram-se em confrontos com os seguranças ao tentarem invadir o campo.

O encontro esteve interrompido durante quase 20 minutos até Diaz poder finalmente bater o penálti, mas o seu remate fraco em estilo Panenka foi facilmente defendido.

O jogo seguiu para prolongamento e o remate fulminante de Pape Gueye garantiu o triunfo ao Senegal, que conquistou o título pela segunda vez.

"Teve demasiado tempo antes de bater o penálti, o que deve tê-lo perturbado. Mas não podemos alterar o que aconteceu. Foi assim que ele decidiu bater o penálti. Agora temos de olhar para a frente", comentou Regragui sobre o jogador do Real Madrid, Diaz, que estava a realizar um torneio brilhante até esse momento.

Marrocos queria muito vencer o troféu perante os seus adeptos e tornar-se bicampeão africano, meio século depois de ter levantado o título continental pela última vez.

Esta derrota foi a primeira para os semifinalistas do Mundial-2022 desde o desaire frente à África do Sul nos oitavos de final da última edição da CAN, em 2024. Apesar do resultado, foram felicitados pelo rei de Marrocos, Mohammed VI, pela prestação.

Agora, a equipa tem de se reerguer para o Mundial, que começa na América do Norte em junho, onde vai defrontar o Brasil, a Escócia e o Haiti na fase de grupos.

"O futebol por vezes é cruel e hoje perdemos – sabemos que numa final há poucas oportunidades e é preciso aproveitá-las. Aquela grande penalidade nos últimos segundos podia ter-nos dado o título, mas não aconteceu. Podíamos falar horas sobre isto, mas espero que este grupo volte ainda mais forte", disse Regragui, que integrou a última equipa marroquina a chegar à final, quando perdeu frente à Tunísia em 2004.

"Agora sabemos o que é preciso para chegar a uma final – não atingíamos esta fase há 22 anos. Perdemos uma oportunidade única na vida", rematou.

Para piorar, Regragui revelou recear que o avançado Hamza Igamane possa ter sofrido uma rotura do ligamento cruzado anterior, depois de ter saído já perto do fim.