Recorde as incidências da partida
"A imagem que demos do futebol africano foi bastante vergonhosa. Ter de interromper o jogo durante mais de 10 minutos com o mundo inteiro a assistir não é nada elegante", afirmou Regragui após a derrota dramática dos anfitriões por 1-0 em Rabate.
Marrocos teve uma oportunidade de ouro para conquistar o troféu quando lhe foi assinalada uma grande penalidade já nos descontos do tempo regulamentar, com o marcador ainda em branco.
O árbitro congolês Jean-Jacques Ndala assinalou o castigo máximo após consulta ao VAR, devido a uma falta sobre Brahim Diaz cometida pelo defesa do Senegal, El Hadji Malick Diouf.
Os jogadores do Senegal ficaram revoltados com a decisão e vários abandonaram o relvado em sinal de protesto, enquanto adeptos senegaleses, visivelmente irritados, lançaram objetos e envolveram-se em confrontos com os seguranças ao tentarem invadir o campo.
O encontro esteve interrompido durante quase 20 minutos até Diaz poder finalmente bater o penálti, mas o seu remate fraco em estilo Panenka foi facilmente defendido.
O jogo seguiu para prolongamento e o remate fulminante de Pape Gueye garantiu o triunfo ao Senegal, que conquistou o título pela segunda vez.
"Teve demasiado tempo antes de bater o penálti, o que deve tê-lo perturbado. Mas não podemos alterar o que aconteceu. Foi assim que ele decidiu bater o penálti. Agora temos de olhar para a frente", comentou Regragui sobre o jogador do Real Madrid, Diaz, que estava a realizar um torneio brilhante até esse momento.
Marrocos queria muito vencer o troféu perante os seus adeptos e tornar-se bicampeão africano, meio século depois de ter levantado o título continental pela última vez.
Esta derrota foi a primeira para os semifinalistas do Mundial-2022 desde o desaire frente à África do Sul nos oitavos de final da última edição da CAN, em 2024. Apesar do resultado, foram felicitados pelo rei de Marrocos, Mohammed VI, pela prestação.
Agora, a equipa tem de se reerguer para o Mundial, que começa na América do Norte em junho, onde vai defrontar o Brasil, a Escócia e o Haiti na fase de grupos.
"O futebol por vezes é cruel e hoje perdemos – sabemos que numa final há poucas oportunidades e é preciso aproveitá-las. Aquela grande penalidade nos últimos segundos podia ter-nos dado o título, mas não aconteceu. Podíamos falar horas sobre isto, mas espero que este grupo volte ainda mais forte", disse Regragui, que integrou a última equipa marroquina a chegar à final, quando perdeu frente à Tunísia em 2004.
"Agora sabemos o que é preciso para chegar a uma final – não atingíamos esta fase há 22 anos. Perdemos uma oportunidade única na vida", rematou.
Para piorar, Regragui revelou recear que o avançado Hamza Igamane possa ter sofrido uma rotura do ligamento cruzado anterior, depois de ter saído já perto do fim.
