CAN-2025: Tudo o que precisa de saber antes do arranque dos quartos de final

Brahim Diaz tem sido peça-chave para a anfitriã Marrocos, com quatro golos em outros tantos jogos
Brahim Diaz tem sido peça-chave para a anfitriã Marrocos, com quatro golos em outros tantos jogosABU ADEM MUHAMMED / ANADOLU / ANADOLU VIA AFP

Os quartos de final da Taça das Nações Africanas 2025 arrancam esta sexta-feira e apresentam quatro duelos de peso, difíceis de prever e com vários confrontos interessantes.

Algumas seleções chegaram a esta fase com relativa facilidade, enquanto outras tiveram de lutar mais, mas no futebol a eliminar o que conta é o que se faz no próprio dia.

Mali - Senegal

Sexta-feira, 16:00  – Tânger

Um dérbi da África Ocidental entre dois velhos conhecidos, com o Senegal a apresentar o talento mais evidente, mas o Mali a contar com jogadores combativos, capazes de contrariar o favoritismo. O treinador do Mali, Tom Saintfiet, construiu a sua carreira a tirar o máximo partido dos menos favoritos e terá a sua equipa preparada ao pormenor do ponto de vista tático. Depois, tudo dependerá da execução.

O Senegal tem qualidade em todo o relvado e foi crescendo ao longo da competição. Só enfrentou a Guiné (53 vezes) mais do que o Mali (40) em jogos internacionais, liderando o frente a frente por 19–8, com 13 empates. Não perde com o seu rival regional desde 1997, numa série de 13 jogos, dos quais venceu quatro e empatou nove. O único encontro entre ambos na Taça das Nações foi um empate 1–1 na fase de grupos em 2004.

O Mali, que chegou a esta fase com quatro empates nesta edição de 2025, tem um excelente registo nos quartos de final, tendo vencido seis dos últimos sete duelos nesta fase. A única derrota foi no prolongamento frente à anfitriã Costa do Marfim, há dois anos. O Senegal está invicto há 15 jogos na Taça das Nações, excluindo desempates por penáltis, a sua maior série sem derrotas de sempre. O último desaire foi frente à Argélia, na final de 2019.

Camarões - Marrocos

Sexta-feira, 19:00 – Rabat

Haverá enorme pressão sobre a anfitriã Marrocos, à medida que a competição entra na sua fase decisiva. A seleção ainda não atingiu o seu melhor nível, dependendo do instinto goleador de Brahim Díaz e Ayoub El Kaabi, os únicos dois jogadores a marcar para Marrocos nos quatro primeiros jogos.

Os Camarões têm sido discretamente eficazes e contam com uma excelente geração de jovens que os trouxe até aqui. Marrocos costuma desiludir na Taça das Nações, tendo conquistado o troféu pela última vez há 50 anos, apesar de ter apresentado várias equipas de qualidade nas décadas seguintes. No entanto, tem-se mostrado imbatível em casa nos últimos anos e conta com muita experiência de jogadores que atuam na Europa.

Os confrontos entre estas seleções são pouco frequentes, com apenas 13 encontros anteriores. Os Camarões lideram o frente a frente por 6–2, com cinco empates. Defrontaram-se três vezes na Taça das Nações, a última em 1992, com os Camarões a vencerem dois desses jogos e a empatarem o outro. A média de posse de bola dos Camarões nesta edição (43,2%) é a mais baixa entre as oito seleções presentes nos quartos de final.

É notável, tendo em conta a sua história, que esta seja apenas a quinta presença de Marrocos nos quartos de final continentais. Das quatro anteriores, só avançou uma vez, em 2004, quando terminou como finalista vencido.

Argélia - Nigéria

Sábado, 16:00 – Marraquexe

A Nigéria tem sido, provavelmente, a equipa mais impressionante da competição até agora, apesar de alguns desentendimentos em campo. Chegou aos quartos de final com autoridade, marcando 12 golos, e apresenta-se muito melhor do que a equipa que falhou a qualificação para o Mundial-2026.

A Argélia não tem sido tão vistosa, mas também venceu os quatro jogos disputados até ao momento, tendo apenas concedido um golo, o que antecipa um duelo de estilos interessante. As seleções já se defrontaram em 23 ocasiões, com a Argélia a liderar o frente a frente por 10–8, além de cinco empates. O último triunfo dos Super Eagles foi num jogo de qualificação para o Mundial, em 2016.

Este é o reencontro da meia-final da Taça das Nações de 2019, que a Argélia venceu 2–1 graças a um autogolo de William Troost-Ekong e a um remate de Riyad Mahrez aos 90+5 minutos. Desde que se sagrou campeã em 1990, a Argélia chegou a seis quartos de final e só avançou em duas ocasiões, terminando em quarto lugar em 2010 e conquistando novamente o troféu em 2019. Nas duas edições anteriores tinha ficado pela fase de grupos, sem qualquer vitória.

A Nigéria é especialista nesta fase da competição. Desde a introdução dos quartos de final, em 1992, disputou 11 duelos e venceu 10. O único deslize foi uma derrota 2–1 frente à anfitriã Gana, em 2008. Ademola Lookman é o homem em destaque, com impressionantes sete participações em golos (três golos, quatro assistências) em quatro jogos neste torneio.

Egito - Costa do Marfim

Sábado, 19:00 – Agadir

O recordista de títulos, com sete conquistas, Egito defronta uma Costa do Marfim impressionante, cheia de velocidade e criatividade. Os egípcios têm sido pragmáticos até aqui, mas sentem que ainda podem subir de rendimento. Os marfinenses são os campeões em título e estiveram em grande plano na vitória dos oitavos de final, frente ao Burquina Faso.

O Egito tem levado vantagem ao longo dos anos, com 10 vitórias contra cinco da Costa do Marfim, além de seis empates, embora as seleções só se tenham defrontado uma vez desde 2013. Esse encontro foi na edição de 2021, quando o Egito avançou por 5–4 nos penáltis, após um empate 0–0 nos oitavos de final.

O Egito venceu os últimos cinco duelos nos quartos de final e seis dos 10 que disputou nesta fase. Concedeu 99 golos na história das fases finais da Taça das Nações e pode atingir a centena neste jogo, algo que não deseja. A Costa do Marfim tem um registo algo irregular nos quartos de final, com 11 presenças e sete vitórias.

Este é o reencontro da final da Taça das Nações de 2006, em que o Egito triunfou nos penáltis após um empate 0–0. O Egito procura aumentar o seu recorde de títulos para oito, não levantando o troféu desde que conquistou o tricampeonato em 2010. Depois, falhou inexplicavelmente a qualificação para três edições consecutivas e perdeu as finais de 2017 e 2021.